Adilson Roberto Gonçalves
Um terço da Folha de S. Paulo começou como ‘da Tarde’ (uma das três estrelinhas) e talvez por isso o jornal tenha tardado a enxergar o óbvio em relação à construção de um “Flávio Bolsonaro moderado”, segundo editorial recente. Muito bom que a Folha explicite sua opinião nas eleições vindouras e não pose, mais uma vez, de isentona. A extrema direita está prontinha para moldar um candidato que até pode não ter o nefasto sobrenome. Veremos qual estratégia usarão para disfarçá-lo.
Por seu turno, com a decisão de volta a ser candidato, o ex-ministro José Dirceu continua visionário e lúcido e será, ao que tudo indica, um dos comandantes do novo Congresso Nacional a partir do ano que vem. Em entrevistas recentes, tem mostrado sua visão de Brasil e de mundo sem igual, desmontando todas as teses da direita deletéria. Aposto que, a partir de seu posicionamento e articulação, a esquerda conseguirá plasmar um novo líder para suceder Lula em 2030.
As posições são importantes, mas não nos iludamos porque a extrema direita está prontinha para voltar ao poder. As manifestações religiosas da igreja Universal apontam para isso. Os comentários raivosos de leitores a artigo defendendo o STF apontam para isso. A subtração do sobrenome Bolsonaro do até aqui candidato-filho para torná-lo “moderado” apontam para isso. A ininterrupta ação dos grupos nas redes sociais ressuscitando o perigo comunista e a defesa da família apontam para isso. E qual a grande preocupação da imprensa e da população? Se a seleção brasileira de futebol masculina tem condições de ganhar a Copa!
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador na Unesp, Rio Claro-SP
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