José Maria Neves, presidente de Cabo Verde, pertencente à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), felicitou em 27 de março pelo recente reconhecimento das Nações Unidas (ONU) em relação à escravidão de africanos durante o tráfico transatlântico, como “o crime mais grave contra a humanidade”.
O chefe de Estado cabo-verdiano, que ocupa o cargo de Patrono da História Geral de África pela UNESCO, ressaltou que esta resolução “representa um avanço relevante no reconhecimento internacional das injustiças históricas que marcaram profundamente povos africanos e suas diásporas”.
Ao mesmo tempo, José Neves defendeu medidas concretas com o fim de se reparar a injustiça histórica, promovendo condições estruturais de desenvolvimento em África com inclusão, e fortalecimento institucional nas nações do continente.
José Neves fez questão de se disponibilizar na continuação da cooperação, de forma construtiva e dialogante, para o aprofundamento do debate internacional sobre reparações e memória histórica, em coerência com as intervenções que tem manifestado em fóruns regionais e multilaterais.
“A decisão tomada pela ONU reforça esta visão e constitui um momento de significado especial para o continente africano”, acrescentou o presidente do arquipélago situado na costa noroeste da África.
Apresentada pelo Presidente do Gana, John Dramani Mahama, um dos seus principais idealizadores, a resolução da Assembleia Geral da ONU que declara o tráfico de africanos escravizados como o “crime mais grave contra a humanidade”, defendendo reparações históricas, foi aprovada em 25 de março deste ano com 123 votos a favor, três contra e 52 abstenções dos 193 Estados-membros das Nações Unidas. Votaram contra os Estados Unidos, Israel e a Argentina.
Portugal, Reino Unido, Espanha e França – potências europeias que se envolveram no comércio transatlântico de escravos – estão entre os países que se abstiveram de votar.
Outros Estados da CPLP que copatrocinaram a resolução são Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe. Brasil e Timor-Leste.
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