Pontuação meramente especulativa para uma economia que continua em ¨frangalhos¨ Existe motivação política por trás desta recente classificação anunciada por um grupo de burocratas internacionais
No dia 18 deste mês, a agência de classificação de créditos americana Moody’s Ratings elevou a posição da Bolívia de Ca para Caa3. Este indicador, denominado risco soberano, avalia a capacidade de um país de cumprir suas obrigações financeiras e influencia o custo de acesso ao financiamento internacional.
O Ca, segundo mais baixo, considera que uma economia é altamente especulativa e com probabilidade de estar próxima ou já inadimplente, mas com alguma possibilidade de recuperação do capital principal e de juros.
Já o Caa3, logo à frente do anterior, classifica uma economia como sendo de baixa qualidade e de risco de crédito muito alto.
O que levou a operadora de serviços financeiros a esta pontuação atual em relação à Bolívia foi a redução dos riscos de inadimplência no curto prazo, após a mudança de governo no final de 2025. Mesmo assim, a Moody’s alertou que a Bolívia mantém uma classificação baixa, refletindo o risco do país não conseguir cumprir suas obrigações de pagamento da dívida nos próximos anos.
Objetivamente, é crível esta pontuação? Nao. Em geral, são considerações meramente especulativas em relação à economia de um país. Exemplificado neste próprio caso da Bolívia, cuja economia continua no mesmo estado de frangalhos¨ em relação ao final do governo antecessor.
Basta, para se chegar a esta conclusão, considerar as próprias afirmações dos burocratas internacionais que elevaram a classificação da economia boliviana e a avaliação do ministro de Economia da Bolívia sobre isto.
A vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, Susana Cordeiro Guerra, indicou que a mudança reflete uma maior confiança nos esforços iniciais de ajuste econômico. O governo boliviano, por sua vez, afirma que a melhoria faz parte de uma estratégia para reduzir riscos e recuperar a credibilidade junto às organizações multilaterais.
Fica claro no parágrafo anterior que não existe nenhum resultado nem sequer nenhum ajuste econômico concreto, por parte do governo boliviano.
Já o ministro da Economia boliviano, José Gabriel Espinoza, afirmou a mudança em suas redes sociais: “essa mudança não é acidental: responde ao trabalho que temos realizado nos últimos meses tanto na implementação de uma estratégia de redução de riscos em nosso relacionamento com organizações multilaterais, quanto nos sinais claros de política econômica que temos emitido.”
De novo, não se menciona nada objetivamente sobre a economia do país andino, nenhum resultado, nem sequer uma medida concreta tomada pelo governo. E assim foi toda a ponderação do ministro sobre a suposta melhora da economia bolviiana em sua postagem.
“Ainda há muito a ser feito, mas esta notícia confirma que a Bolívia está no caminho certo. Continuamos a trabalhar diligentemente para restaurar a estabilidade e criar mais oportunidades para os bolivianos”, escreveu Espoinza.
Trata-se da notícia de que a maioria de uma sociedade desinformada abre o jornal, acredita piamente que a economia está melhorando, sem entender uma vírgula do que (não) está sendo discutido — o problema neste caso, imagina o leitor, é ele mesmo que não entende nada de “economês”.
Na realidade, quem dá crédito a este tipo de “avaliação” está desinformado sobre economia. Com a velha “forcinha” midiática, de emitir uma torrente de informações sem contexto, apenas embaralhando o entendimento coletivo enqnauto atende aos interesses da casta dominante.
A inflação continua subindo sem controle na Bolívia, diante de estagnação econômica: na prática, não há dinheiro no bolso do cidadão. O que pode ser chamado de estagflação: quadro econômico mais grave que um país pode enfrentar — pior, até que, em muitos casos, uma hiperinflação.
Enquanto uma das primeiras medidas do governo foi retirar o subsídio aos combustíveis, o que tornava mais acessível o controle da subida de preços: Mais favorável seria essa política agora, devido à guerra de agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Para piorar o quadro, o governo boliviano cortou tais subsídios prometendo investimento em políticas públicas (sem especificar nunca quais, desde a campanha eleitoral sem nada fazer, contudo, nem dar sinais de que fará algo neste sentido. A Bolívia continua um país abandonado, tanto foi quanto no governo anterior.
Há escassez de combustíveis, problema que se arrasta desde o governo anterior. E nestes pouco mais de três meses de novo governo, não há nenhum indicador que demonstre crescimento econômico — dado que, por si só, já seria relativo.
O governo boliviano mantém negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a fim de adquirir empréstimos de 300 milhões de dólares. A Facilidade Ampliada do Fundo, discutida atualmente entre ambas as partes, prevê empréstimos de médio e longo prazo que permitiriam à Bolívia emprestar do FIMI entre oito e dez vezes mais do que sua cota com a instituição financeira.
Em troca, o governo de Rodrigo Paz compromete-se em aplicar as medidas econômicas recomendadas pelo FMI, de ajuste fiscal. Diferentemente do que ocorria nos governos anteriores de Luis Arce e Evo Morales.
Neste fator reside o bom humor dos indicadores econômicos da Moody’s em relação à Bolívia, cujo governo, além de sinalizar seguir fielmente a cartilha do FMi, tem estado politicamente de joelhos ao Império agonizante em todos os aspectos.
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