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Bons tempos para o porto de Santos

30.04.2021
 
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Bons tempos para o porto de Santos

Adelto Gonçalves (*)


            SÃO PAULO - Se há um setor em que o governo Bolsonaro não patina, esse é o da infraestrutura, já que o Ministério foi entregue a um profissional especialista, que, cercado de uma equipe de técnicos, vem procurando colocar essa área nos trilhos, como se dizia em outros tempos. Basta ver como o ministro Tarcísio Gomes de Freitas e sua equipe vem conduzindo o processo de privatização dos portos e aeroportos, deixando nas mãos da iniciativa privada setores da infraestrutura que, nas mãos do Estado, nunca deslancharam.


            Um bom exemplo foram os leilões que o Ministério da Infraestrutura fez, no começo de abril, com a oferta de cinco áreas no porto organizado de Itaqui-MA e no porto de Pelotas-RS. Para 2022, está prevista privatização do porto de Santos, superada a fase mais aguda da pandemia de coronavírus (Covid-19), deverá passar por uma "revolução", no dizer do ministro. De fato, só no setor de celulose vários investimentos deverão ser feitos nos acessos aos terminais no porto de Santos pelas empresas vencedoras das licitações anteriores, a Eldorado Celulose (R$ 250 milhões) e Bra cell Celulose (R$ 255 milhões).


            Com esses investimentos e outras concessões também previstas ainda para 2021, o ministro garante que o porto de Santos deverá sair dos atuais 160 milhões de toneladas de capacidade para 240 milhões de toneladas, já que, com as obras para facilitar o acesso de grandes embarcações, será possível receber navios da classe New Panamax, com 366 metros de comprimento e capazes de transportar 14 mil TEUs (twenty-foot equivalent unit ou unidade equivalente a um contêiner de 20 pés).


            Não se pode esquecer que, em março, o porto de Santos registrou a inédita marca de 15,2 milhões de toneladas, superando em 10,4% o recorde mensal anterior, registrado em agosto de 2020 (13,7 milhões de toneladas). Além disso, ficou 18,5% acima do recorde para o mês de março, obtido no ano passado (12,8 milhões de toneladas). Os embarques de soja em grão foram o grande destaque, resultado do bom momento que vive o agronegócio no País.


            Não se pode deixar de ressaltar também que, a partir do novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ), o porto de Santos deverá receber investimentos de R$ 9,7 bilhões no período de cinco a dez anos, o que deverá gerar cerca de 60 mil empregos na região, segundo projeção da Santos Port Authority (SPA), novo nome da antiga Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), estatal responsável pela administração do maior complexo portuário do País.


            No total, espera-se investimentos em torno de R$ 10 bilhões, divididos em investimentos em terminais com contratos vigentes (R$ 2,5 bilhões), investimentos previstos em oito novos leilões ou adensamentos de áreas a serem executados (R$ 5,2 bilhões) e obras de acesso rodoferroviários (R$ 2 bilhões). Em outras palavras: o PDZ deverá ser o principal fator que provocará a geração de milhares de empregos e, em consequência, aumento da renda per capita na região, ainda que a automação e a utilização de novas tecnologias venham a alterar o perfil da mão da obra necess&aacu te;ria, que deverá ser mais qualificada.


            Segundo o levantamento feito pela SPA, a perspectiva é que apenas o segmento de contêineres deverá ampliar o número de trabalhadores diretos dos atuais 5,7 mil para 6,5 mil na medida em que a capacidade dinâmica saia de 5,3 milhões de TEUs para 8,7 milhões de TEUs em 2030.


            Tudo isso está previsto no novo PDZ, ainda que o futuro seja incerto, pois não se sabe qual será a reação da mãe-natureza às obras que haverão de vir para a instalação ou aperfeiçoamento dos atuais terminais. Como se sabe, as obras de desassoreamento do canal de navegação sempre duraram pouco, já que o processo de assoreamento, ou seja, o acúmulo de sedimentos e detritos provocado pela água das chuvas e pela erosão das margens, acaba por tornar esse trabalho pouco produtivo.


            Por isso, a melhor opção seria a construção de uma plataforma offshore (distante da praia), ainda que com aportes de capital estrangeiro. Mas, por enquanto, essa hipótese está afastada. Infelizmente.
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(*) Adelto Gonçalves, jornalista, é assessor de imprensa do Grupo Fiorde, constituído pelas empresas Fiorde Logística Internacional, FTA Transportes e Armazéns Gerais e Barter Comércio Internacional (trading company). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br