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Bioeconomia

09.10.2010
 
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Pontua-se, para enfatizar-se a questão, que esse seria um modelo capaz de conciliar os interesses públicos, privados e solidários com o interesse amplo e geral. Uma vez mais se ressoa aqui que o interesse geral é para as pessoas. Na esteira desse comentário, enaltecemos que a economia tem tudo a ver com um projeto de desenvolvimento que envolva as pessoas, caso contrário não se sustenta na linha do tempo tendendo a se desequilibrar mais cedo ou mais tarde. As pessoas e o desenvolvimento precisam andar juntos. Os objetivos econômicos precisam apontar para essa realização. Só há verdadeiro desenvolvimento quando as pessoas são por essa ocorrência contempladas. De nada adianta ocorrer desenvolvimento das instituições, por exemplo, se essas não forem colocadas à disposição das pessoas. São as pessoas, essencialmente, as responsáveis por fazer funcionar a economia, as instituições, e o próprio mercado.

Ademais, uma vez que esse processo macro envolve sensivelmente as pessoas, nada mais natural que abordar então as relações da natureza, tendo em vista que o homem não é dono do meio ambiente (do planeta Terra), mas sim um de seus hóspedes e dele verdadeiramente depende para o prosseguimento de seu próprio viver. Infelizmente, esse hóspede tem se comportado como aquele inquilino que, descontente com o valor do aluguel, chega a “maltratar” sua moradia.

Aproximação econômica ao vivente e aproximação “vivente” ao econômico

Por esse prisma bem peculiar, em nosso entendimento a bioeconomia não deve ser apenas entendida como uma aproximação econômica ao vivente, mas sim como uma aproximação “vivente” à própria modelagem econômica. E essa simbiose necessita ser bem sincronizada. A economia, é forçoso afirmar, é uma atividade de transformação calculada que tem como finalidade precípua satisfazer, da melhor forma e com o mínimo de meios empregados, as necessidades humanas mais elementares. E onde estão mesmo os elementos indispensáveis para o atendimento a essas necessidades? Ora, é evidente que está na natureza todo e qualquer recurso necessário para a produção dos bens que nos suprirá as necessidades. E a economia, como não poderia deixar de ser, participa ativamente desse processo.

Nunca é demais aduzir, a título de comentários finais, que a economia intervém em três níveis: i) transformação e cálculo; ii) o nível humano; e iii) o nível natural.

Finalizando essa discussão, cabe retomar a linha de raciocínio de Passet para pontuar que esses três níveis citados são interdependentes e a reprodução do econômico implica a das sociedades humanas e a da natureza como um todo. O bioeconômico então, conforme afirmado aqui, se insere no campo das preocupações fundamentais que estão na perspectiva ampla de se discutir a prática daquilo que possa ser considerada uma boa economia. Isso envolve, sobremaneira, respeitar o meio ambiente e, antes disso, tecer de forma equilibrada as relações que moldam a própria vida.

No entanto, constata-se que infelizmente nem sempre esse assunto ganha espaço e alcança mais ouvidos. Todavia, é nosso dever contribuir para aguçar esse debate ainda que seja necessário remar contra a maré; ainda que seja preciso gritar para ouvidos que insistem em permanecer moucos.

(*) Economista, professor, especialista em Política Internacional com mestrado pela (USP). Autor dos livros “Conversando sobre Economia”, “Pensando como um Economista” e “Provocações Econômicas” (no prelo).

É articulista do Portal EcoDebate e da Agência Zwela de Notícias (Angola). Colaborador do site “O Economista”. Os artigos desse autor em torno de questões econômicas têm sido amplamente publicados no Brasil e no exterior, com destaque em Portugal, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Espanha, Argentina, México e Estados Unidos.

Contato: prof.marcuseduardo@bol.com.br

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