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Crise na Grécia ou crise nos estados da União Européia?

07.06.2010
 
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No caso da Grécia a solução é dramática, chegando a impor a redução em 30 % dos salários do funcionalismo público e 20%, no setor privado. Há ainda o corte do 13º e do 14º salários, o aumento da idade para ter direito a aposentadoria, sem contar os cortes orçamentários nos serviços públicos mais populares, tais como a educação e a saúde, onde o que não será privatizado será desativado.

Por outro lado, ficou evidente que, quando se trata de pagar os custos de uma crise financeira na União Européia dos 27 ou, sobretudo, nos 16 países da "área do euro", prevalecem as antigas divisões entre os países que financiam as dívidas e aqueles que não conseguem zerar seu déficit.

Assim, após a crise grega, na União Européia, configura-se a presença de uma "área de risco permanente" representada por Grécia, Portugal, Espanha, Itália e Irlanda, cujos déficits orçamentários devem ser pagos apenas pelos seus cidadãos, com uma maior taxação dos bens de consumo e o corte dos investimentos nos serviços públicos. Enquanto isso, nada acontece com a burocracia e a classe política, que, com sua complacência e incompetência, contribuíram para a ampliação dos vícios institucionais, isto é, a especulação financeira, a corrupção, o clientelismo político e a fraude fiscal.

Vícios que, por absurdo, ao transitarem pelos mercados sob forma de lucro, perpetuam a manutenção de um equivocado Estado moderno e uma confusa política européia comunitária. Nela, os interesses da União Européia gravitam e dependem das cumplicidades político-financeiras de uma classe política aparelhada pelos mercados nas instituições dos Estados e acostumada a privilegiar, antes de tudo, os interesses do mercado, mesmo que desta forma a própria democracia burguesa e o Estado de Direito se transformem em mera retórica eleitoreira.

União Européia: 23 milhões de desempregados

Nos 27 países que hoje formam a União Européia, o desemprego atingiu formas alarmantes, tendo alcançado o número de 23 milhões de desempregados, equivalentes a 9,67% da população ativa. Segundo o instituto de pesquisa e estatística da União Européia, Eurostat, nos 16 países da "área do euro", o desemprego já é da ordem de 10,7%, o que significa que nestes países há 15.808.000 desempregados. Um exército de reserva que a cada mês agrega 101.000 novos desempregados, na sua maioria homens com 50 anos e jovens até 25 anos à procura do primeiro emprego.

Todos os economistas admitem que, nos países da União Européia, o desemprego vai subir porque as empresas, na sua totalidade, visam o aumento da produtividade intensificando a exploração nos locais de trabalho com o aumento dos ritmos de produção, além de reduzir os custos de segurança. Desta forma, entre março de 2009 e de 20010, nos 27 países da União Européia, foram suprimidos 2.500.000 empregos, sendo 1.389.000 correspondentes à situação fabril nos 16 países da "área do euro". De fato, também nos países "ricos" da União Européia começa a agitar-se o fantasma do desemprego. Por exemplo, na opulenta Holanda, em 2009, o desemprego já atingia 4,1% da população ativa e, na Áustria, 4,9%.

Isto explica por que, em março, o Eurostat alertava que na Espanha os desempregados atingiam 19,1% da população ativa, enquanto na Grécia chegavam a 16% e na Itália alcançavam o limite histórico de 12%, sendo que o desemprego juvenil italiano atingia o recorde europeu, com 27%.

Um cenário que desmonta a ineficiência do modelo de "governança européia", representado pela União Européia e implementado sobretudo nos 16 países da "área do euro", onde as políticas dos governo conservadores, juntamente aos programas do neoliberalismo – sejam eles alemães ou britânicos –, não funcionam mais, a partir do momento em que este Estado moderno, para salvar sua essência representada pela sociedade de mercado, não pensa duas vezes em sacrificar a única riqueza do cidadão: sua força de trabalho e o salário.

Achille Lollo é jornalista italiano, diretor da ADIA TV e autor do vídeo "Palestina, Nossa Terra, Nossa Luta".

07 Junho 2010 Escrito por Achille Lollo 29-Mai-2010

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