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A reforma sanitária dos Estados Unidos da América

06.04.2010
 
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A imensa maioria deles emigrou para os Estados Unidos em conseqüência das tiranias impostas pelos Estados Unidos aos países da área e da brutal pobreza a que foram submetidos como resultado do saqueio de seus recursos e da troca desigual. Suas remessas familiares constituem uma elevada porcentagem do PIB de suas economias. Agora aguardam um ato de elementar justiça. Se ao povo cubano lhe foi imposta uma Lei de Ajuste, que estimula o roubo de cérebros e o despojo de seus jovens instruídos, por que empregam métodos tão brutais com os imigrantes ilegais dos países latino-americanos e caribenhos?

O devastador terremoto que atingiu o Haiti – o país mais pobre da América Latina, que acaba de sofrer uma catástrofe natural sem precedentes que implicou a morte de mais de 200 mil pessoas – e o terrível dano econômico que outro fenômeno similar provocou no Chile, são provas convincentes dos perigos que ameaçam à chamada civilização e a necessidade de tomar drásticas medidas que lhe outorguem à espécie humana a esperança de sobreviver.

A Guerra Fria não trouxe nenhum benefício para a população mundial. O imenso poder econômico, tecnológico e científico dos Estados Unidos não poderia sobreviver à tragédia que ameaça ao planeta. O presidente Obama deve procurar no seu computador os dados pertinentes e conversar com seus cientistas mais renomeados; verá que longe está o seu país de ser o modelo que preconiza para a humanidade.

Por sua condição de afro-americano, lá sofreu as injúrias da discriminação, segundo narra em seu livro "Os sonhos de meu pai"; lá conheceu a pobreza na qual vivem dezenas de milhões de norte-americanos; lá foi educado, mas lá também gozou como profissional bem sucedido dos privilégios da classe média rica, e terminou idealizando o sistema social onde a crise econômica, as vidas inutilmente sacrificadas dos norte-americanos e o seu indiscutível talento político lhe deram a vitória eleitoral.

Apesar disso, para a direita mais recalcitrante Obama é um extremista ao qual ameaçam com continuar travando batalha no Senado para neutralizar os efeitos da reforma sanitária e sabotá-la abertamente em vários Estados da União, declarando inconstitucional a Lei aprovada.

Os problemas de nossa época ainda são muito mais graves.

O Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e outros organismos internacionais que outorgam créditos, sob o controle rigoroso dos Estados Unidos, permitem que os grandes bancos norte-americanos – criadores dos paraísos fiscais e responsáveis pelo caos financeiro no planeta - sejam ajudados pelos governos desse país em cada uma das freqüentes e crescentes crises do sistema.

A Reserva Federal dos Estados Unidos emite a seu bel-prazer as divisas convertíveis que custeiam as guerras de conquista, os lucros do Complexo Militar Industrial, as bases militares espalhadas pelo mundo e os grandes investimentos com os quais as multinacionais controlam a economia em muitos países do mundo. Nixon suspendeu unilateralmente a conversão do dólar em ouro, enquanto nos cofres dos bancos de Nova Iorque são guardados sete mil toneladas de ouro, algo mais de 25% das reservas mundiais desse metal, cifra que no fim da Segunda Guerra Mundial ultrapassava o 80%. Argumenta-se que a dívida pública ultrapassa os 10 bilhões de dólares, o qual excede os 70% do seu PIB, como uma carga que é transferida às novas gerações. Afirma-se isso quando, na verdade, é a economia mundial a que custeia essa dívida com as enormes despesas em bens e serviços que oferece para adquirir dólares norte-americanos, com os quais as grandes multinacionais desse país se apoderaram de uma considerável parte das riquezas do mundo e sustentam a sociedade de consumo dessa nação.

Qualquer pessoa compreende que tal sistema é insustentável, e por que os setores mais ricos nos Estados Unidos e os seus aliados no mundo defendem um sistema apenas sustentável mediante a ignorância, as mentiras e os reflexos condicionados semeados na opinião mundial através do monopólio da mídia, incluindo as principais redes da Internet.

Hoje a estrutura é derrubada perante o avanço acelerado da mudança climática e suas nefastas conseqüências, que colocam a humanidade diante de um dilema excepcional.

As guerras entre as potências não parecem ser já a solução possível às grandes contradições, como o foram até a segunda metade do século XX; mas, pela sua vez, incidiram de tal forma sobre os fatores que fazem possíveis a sobrevivência humana, que podem pôr fim prematuramente à existência da atual espécie inteligente que habita no nosso planeta.

Há alguns dias exprimi a minha convicção de que, à luz dos conhecimentos científicos que hoje são dominados, o ser humano deverá solucionar seus problemas no planeta Terra, porque nunca poderá percorrer a distância que separa o Sol da estrela mais próxima, localizada a quatro anos luz, velocidade que equivale a 300 mil quilômetros por segundo – como conhecem nossos alunos de ensino secundário -, se ao redor desse sol existisse um planeta semelhante a nossa bela Terra.

Os Estados Unidos investem fabulosas somas de dinheiro para comprovar a existência de água no planeta Marte e conhecer se existiu ou existe alguma forma elementar de vida. Ninguém sabe para que, como não seja por pura curiosidade científica. Milhões de espécies vão desaparecendo em um ritmo acelerado em nosso planeta e suas fabulosas quantidades de água estão sendo constantemente envenenadas.

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