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Geopolítica e geoestratégia

03.09.2008
 
Pages: 12

O conceito de que “recursos não são riquezas”, que nos foi incutido no século passado por interesses externos, defendido por Murray D. Brice, não deve ser rejeitado, mas também não deve ser ingênua e integralmente aceito. Cabe análise sensata. Assim como seria estultice condenar toda e qualquer exploração desses recursos, não é inteligência exauri-los irrefletidamente, com os olhos apenas na moeda. Temos o exemplo de muitas regiões no Brasil e de muitos países, inclusive a China, que exauriu suas reservas, hoje tem apenas 11% de seu solo cultivável e, por necessidades gigantescas atualmente, tem seu foco de interesse no território brasileiro. Visite as regiões mineiradas em Santa Catarina (Lauro Muller, Siderópolis, Rio Queimado, Palermo, Rio Bonito, Guatá, Itanema e outros), Minas Gerais (Ouro Preto, Belo Horizonte e outros), Bahia (Lobato) e Rio Grande do Sul e veja que, além da paisagem fantasma - solo, rios e florestas detonados - a saúde dos mineiros foi afetada e a iniciativa empreendedora dos colonizadores bloqueada. Caracterizou-se como efetiva “Economia de Enclave”.

Para evitar má interpretação, deixemos claro que não somos contra a extração natural, ponderada e responsável desses recursos, assim como não somos contrários a negociar com a China ou qualquer outro país. Ter lucro não é pecado. Queremos, todavia, ressaltar a necessidade de que isso seja feito com responsabilidade e respeito à natureza e, consequentemente, às gerações futuras. O Brasil poderá aproveitar adequadamente essas vantagens e agregar valor à nossa economia, exportando produtos mais elaborados e, sempre que possível, diferenciados. Isto fortalece o setor produtivo brasileiro. Empresas e governos deverão estar integrados, preservando o interesse nacional. Isto implica priorizar a prática da geopolítica e a geostratégia.

Entendemos que Geopolítica é o fundamento científico da arte de ação política nas relações entre o espaço geográfico e a política, tendo como pressupostos o desenvolvimento dos povos e dos Estados, respeitando a natureza e o direito das gerações futuras. É, então, o estudo dos processos políticos que ocorrem em dependência do solo do Estado (União). Segundo Haushofer, “Geopolítica é a ciência das formas da vida política nos espaços vitais naturais, considerados através do processo histórico, em sua vinculação com o meio ambiente”. Difere, portanto, da Geografia Política, que é “a doutrina de compartimentação do poder estatal no espaço da superfície terrestre e de sua determinação pela forma e estrutura, clima e vegetação do solo”.

Por Geoestratégia entendemos “A fundamentação geográfica das diretrizes estratégicas nacionais, abrangendo os aspectos Políticos, Psicossociais, Econômicos e de Segurança, tendo como horizonte não só a geração atual como a gerações futuras”. É o que o Estado deve fazer com o patrimônio soberano para que a geração atual e as gerações futuras sintam-se consistentes, realizadas, felizes e, consequentemente, orgulhosas de sua Nação.

Feitas essas ponderações, reafirmamos nossas convicções de que os recursos naturais podem ser convertidos em riquezas, porém, moderadamente, com maior valor agregado e com elevada responsabilidade social, diante dos riscos de deterioração e de exaustão, que penalizariam severamente as gerações futuras. Isto fortalecerá o setor produtivo nacional e contribuirá para o desenvolvimento sustentável do País.

(*) Consultor Empresarial de Alta Gestão.

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