Adilson Roberto Gonçalves
Pesquisa recente de opinião revela ser baixa a influência de líderes religiosos, redes sociais, imprensa, amigos e família da decisão pelo voto. Verdade? A realidade vivida junto a seguidores de várias religiões – especialmente as lideradas por pastores – mostra que os fiéis estão sendo instruídos a não responder com honestidade. Esses grupos da teocracia da prosperidade são os de maior influência, lembremos. Em pergunta a leitores de um dos jornalões da capital paulista, acerca do que influencia na hora de decidir em quem votar, respondo que é o próprio candidato, sua história, sua índole e seu compromisso social, sendo que a posição é baseada em nunca votar em quem age contra o país e coloca interesses próprios acima de tudo.
Para o Instagram tentei publicar este comentário à notícia sobre a pesquisa: Os membros de minha família que importam votam em @lulaoficial. Meus amigos de verdade votam em @lulaoficial. A imprensa não quer nem ver @lulaoficial e as redes sociais destilam ódio contra @lulaoficial. Eu, pela enésima vez, votarei em @lulaoficial, é claro. O sistema disse que não foi possível publicar. Isso porque a mensagem estava muito grande ou muito verdadeira?
E como a imprensa vota? Depois da “coincidência” nas manchetes idênticas dos grandes jornais brasileiros acerca da ação da PF envolvendo o filho de Lula, nenhuma crítica foi feita. Até a ombudsman da Folha de S. Paulo crê que relevante naquela semana foi a autoria de um jingle. Com crítica assim, a Folha vai continuar se achando apartidária, plural e acima do bem e do mal. O voto, não impresso, mas da impressa, deixa de ser secreto, portanto.
A dita “imprensa livre e honesta” vem de longe. A cada véspera de golpe, orquestram as manchetes. Fiquemos atentos e mobilizados.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador na Unesp, Rio Claro-SP
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