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Orgasmo: 60% de brasileiras simulam a vivência

31.07.2008
 
Orgasmo: 60% de brasileiras simulam a vivência

Segundo o Jornal do Brasil, entre as brasileiras, 30% dizem nunca ter atingido o clímax e 60% simulam a vivência.

A revolução sexual feminina, tão elogiada nos meios de comunicação e nas mesas de bar, ainda não chegou à cama. No Dia Internacional do Orgasmo, grande parte das brasileiras tem poucos motivos para comemorar: 30% delas nunca tiveram a experiência.

A maioria se preocupa muito mais com o prazer do homem, e se sente pressionada a ter uma performance exemplar, o que prejudica a própria satisfação.

De outubro de 2007 até este mês, o sexólogo, pós-graduado em Terapia Sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana, Amaury Mendes Júnior avaliou 142 mulheres. O estudo mostrou que 59% delas simulam o orgasmo só para agradar o parceiro e 61% só fazem sexo quando a vontade do homem prevalece.

– O orgasmo feminino permanece cheio de mitos e tabus – lamenta Júnior. – Depois de séculos de repressão, a mulher conquistou o direito ao prazer, graças à pílula anticoncepcional.

Mas se antes o sexo prazeroso era proibido, hoje é obrigatório. O homem, ferido na sua masculinidade pelo fato da mulher conduzir a relação, exige o orgasmo dela para revalidar seu papel.

Entre as entrevistadas, solteiras e casadas, com faixa etária variada, 75% não acham que o orgasmo feminino deva sempre acontecer para que a relação seja prazerosa, enquanto 80% delas relatam que, na opinião do parceiro, a relação só é boa se a mulher atinge o clímax.

Para o séxologo, a overdose de imagens e informações na mídia e nas ruas sobre sexo fez com que a cama virasse um palco, onde o casal “encena papéis”.

– Saber fazer sexo é algo aprendido. A maioria das mulheres só se sente liberada sexualmente depois dos 35 anos, quando conhece bem o corpo. Por isso, há tantas mulheres mais velhas com homens novos – ressalta Júnior.

– Não cabe pensar que o homem tem a responsabilidade do prazer. A mulher atinge isso com o tempo, perdendo preconceitos e se conhecendo melhor.

As mulheres precisam de 10 vezes mais sangue na pélvis do que os homens para se sentirem estimuladas. Atingir o “prazer total” é um desafio para muitas, em todo mundo. O Dia do Orgasmo foi criado na Inglaterra, depois que uma pesquisa encomendada por sex shops constatou que mais de 80% das mulheres britânicas nunca haviam chegado ao clímax.

– A mulher tem muita culpa. Precisa perder o medo de gostar de sexo, não ter vergonha de buscar o que gosta. Se o cara estranhar, é porque não serve. Ela também pode só querer

transar – defende Júnior.

Prazer é desvalorizado por preconceito e pouca informação

Mesmo entre as mulheres que conseguem ter orgasmo, impressões distorcidas muitas vezes impedem a vivência do prazer. No Brasil, 70% das mulheres só atingem o clímax com estimulação no clitóris, mas se sentem diminuídas por não senti-lo com a penetração e desvalorizam a experiência.

É o caso da publicitária A. S., que pensou estar com problemas de saúde por só sentir prazer clitoriano:

– Fico frustrada com isso. Gostaria de ter o orgasmo com penetração. A camisinha e a pressa do parceiro para mim sempre foram empecilho – conta A.S. – Sempre me preocupo em bancar a sedutora, satisfazer o cara, e deixo o meu prazer em segundo plano.

Entre as entrevistadas pelo sexólogo Amaury Júnior, 73% duvidam que o orgasmo possa ocorrer sem estimulação clitoriana.

– Há uma impressão, da época de Freud, que a mulher adulta deve passar do prazer clitoriano para o vaginal. O clitóris é o único órgão do corpo humano com a função do prazer. Por que não explorar esse sentido? – sugere Júnior. – A mulher se sente inferiorizada diante do parceiro pela necessidade do toque clitoriano, e homem se sente ofendido. Acha que “não deu conta”.

A pesquisa também avaliou o grau de intimidade do casal. Entre as entrevistadas, 80% disseram que não costumam se masturbar na frente do parceiro, mas 60% fazem isso quando estão sozinhas.

– Metade das mulheres passa a atingir o orgasmo quando perde a vergonha do próprio corpo e consegue se tocar. Grande parte delas ainda acha que a auto-manipulação é suja, denigre. E os homens às vezes também desestimulam a iniciativa – condena Júnior.

– O homem no fundo ainda quer em casa a serva, a pura, e as mulheres, por mais que se digam independentes, são atormentadas por isso.

É o que aconteceu com Cristiane Medeiros, de 26 anos. Nos sete primeiros anos de casamento, nunca teve um orgasmo.

– Preciso encontrar um parceiro com quem me sinta livre. Se eu estivesse numa penetração e me masturbasse, teria orgasmo, mas o homem não aceita isso – conta.

Muitos acreditam que o orgasmo só é bom a dois ou que os homens têm mais instinto que as mulheres. Para o jornalista R.S., de 24 anos, o ideal é atingir o clímax junto com a parceira:

– Quando não acontece ou a mulher finge, não é a mesma coisa. Fica a sensação de que faltou algo – desabafa.

O sexólogo discorda da idéia. Para Júnior, o orgasmo não depende só do ato sexual em si. Ele começa desde o beijo, e tem relação com a intimidade criada pelo casal.

– Os valores estão em referenciais apenas eróticos. Não dá tempo do vínculo para o prazer de ter uma relação. Quando você gosta, tem mais facilidade em ter prazer. Isso está atingindo os homens também. Muitos jovens têm tido problemas de ereção – lamenta. – É preciso inovar, usar brinquedos, filmes, liberar a imaginação.

Entre as avaliadas por Júnior, 56% têm uma média de 12 relações por mês e cerca de 30% de quatro a seis vezes mensais.

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