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Tráfico humano constitui negócio altamente lucrativo

27.07.2008
 
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Tráfico humano constitui negócio altamente lucrativo

O tráfico humano constitui negócio altamente lucrativo. Os criminosos pagam de $300 a $1.000 dólares por um ser humano e têm lucro que varia de $500 a $15.000 dólares. Uma pessoa pode, por vezes, custar até $200.000 dólares. Eles fazem as pessoas escravizadas trabalhar como pedintes, prostitutas, empregadas domésticas ou simples trabalhadoras, escreve o jornal russo Moskovsky komsomolets.

A reputação de uma pessoa ex-escrava é como um labéu vitalício, especialmente em pequenas cidades de província. As vítimas de tráfico humano não gostam de lembrar-se de seu passado infamante, se tiverem a sorte de permanecer vivas.

Uma mulher de 32 anos, que se identificou como Olga B., teve a sorte de voltar para casa depois de seis anos de escravatura na Espanha. A história dela começou como uma excitante aventura de verão.

"Eu queria conhecer o mundo e dar-me a conhecer ao mundo. Não tenho muito dinheiro para férias decentes. Um dia encontrei-me com uma amiga, Galina, a qual me disse que houvera trabalhado na Espanha durante vários meses. Ela disse que fora bem paga e não proporcionara quaisquer serviços íntimos. Convidou-me a ir com ela visitar seus empregadores na Espanha. Assegurou-me que eram pessoas muito afáveis, e eu não precisaria pagar aluguel. Eu não tinha dinheiro suficiente para uma passagem de avião; ela, porém, dispôs-se a emprestar-me algum dinheiro. Conseguiu-me, também, muito rapidamente, um visto de turista," disse Olga.

Alberto Andreani, chefe do projeto Combate ao Tráfico Humano na Federação Russa, disse que o equívoco cometido por ela é típico.

"Elas acreditam demais nas pessoas conhecidas. Acreditam, até, em pessoas a quem não conhecem bem. De modo geral, nem lhes ocorre conferir seus documentos," disse o especialista.

Olga chegou à Espanha à noite. O quarto, que os amigos de Galina lhe mostraram, era um alugar agradável e aconchegante. As pessoas pareceram-lhe muito amigas e hospitaleiras. Quando Galina obtivera o passaporte para Olga, esta não desconfiara de nada.

O pesadelo começou cedo de manhã. Diversos estranhos acordaram Olga. Os hospitaleiros anfitriões e sua única amiga na Espanha, Galina, haviam desaparecido. Os estranhos disseram a Olga que a amiga dela a havia vendido por grande soma de dinheiro. Disseram-lhe que ela só poderia voltar à Rússia depois de saldar a dívida.

"Eles me ofereceram trabalho de consumação, para obtenção do dinheiro. Não se tratava de sexo, apenas de comunicação e, sendo assim, concordei," disse a mulher.

Olga foi instalada num apartamento de quatro quartos, onde moravam cerca de 20 mulheres. Ela deveria trabalhar apenas à noite. "Não era permitido telefonar. Eles sempre transportavam as moças que precisavam sair," disse ela.

A dívida das mulheres apenas aumentava. As mulheres tinham que pagar tudo: o apartamento, a comida, e os juros. Posteriormente o bar, onde Olga estava trabalhando, foi reprojetado, tornando-se um bordel. Os patrões de Olga disseram-lhe que ela teria que tornar-se prostituta. Felizmente, Olga havia feito muito boa amizade com um de seus clientes, que subsequentemente tirou dali a beldade russa de olhos azuis.

"Pareceu-me que a boa sorte sorrira em minha vida. O homem prometeu casar-se comigo. Depois, quando finalmente nos casamos, descobri que ele era um homem casado que estava-se evadindo de seu pagamento de pensão. Àquela altura, eu já estava grávida. Quando desabafei com ele, ele me espancou. Mais tarde, fez-me fazer um aborto numa clínica privada," disse Olga.

Olga continuou a sofrer de violência doméstica, mas finalmente decidiu ir à polícia. Foi colocada num centro de reabilitação e não recebeu qualquer outro tipo de ajuda.

"Telefonei para a embaixada russa, mas eles me disseram para ir a Madri e que como chegar lá era problema meu," disse ela.

A mulher começou a procurar um emprego para conseguir voltar à Rússia. Entretanto, o marido a encontrou e a forçou a morar com ele de novo.

"As vítimas de escravidão frequentemente desenvolvem dependência psicológica de seus controladores. Elas passam a considerar sua situação inevitável e nada fazem para mudá-la," disse um psicólogo do centro de reabilitação da Organização Internacional de Migração.

Olga felizmente telefonou para a mãe, que pediu ajuda ao serviço de migração. Logo depois a polícia visitou o controlador de Olga. O visto de turista de Olga havia expirado havia quatro anos, e ela foi deportada da Espanha para a Rússia.

"Tanto quanto eu saiba, meu marido espanhol não foi chamado para responder por crime algum. Simplesmente varreram tudo para baixo do tapete," disse ela.

Lisa S. é outra vítima de "férias de verão maravilhosas." Lisa é mulher séria, flautista, que simplesmente queria gozar de férias tranquilas na Turquia. Ela fez reserva numa excursão, com uma amiga.

Quando os donos do hotel descobriram que Lisa era música profissional, convidaram-na para que tocasse com o conjunto musical deles. Ela aceitou. Mais tarde, eles ofereceram a ela uma estada grátis de mais duas semanas desde que ela tocasse flauta à noite. Ela resolveu ficar.

Um dia, ela subitamente teve forte dor de estômago depois da refeição. Os donos do hotel chamaram uma ambulância. Os médicos disseram que Lisa estava com apendicite e que teria que ser operada urgentemente.

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