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Golpe do falso seqüestro torna-se um crime mais comum

24.02.2007
 
Golpe do falso seqüestro torna-se um crime mais comum

O golpe do falso seqüestro se torna um crime mais comum nas grandes cidades brasileiras. Só o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) recebeu 3.150 ligações de 1º de janeiro a 14 de fevereiro com queixas sobre criminosos que tentam extorquir dinheiro alegando que mantêm em cativeiro algum parente da vítima, segundo informações da Agência Estado. Segundo a polícia, este tipo de golpe é mais aplicado durante a madrugada, quando o susto e o nervosismo fazem com que as vítimas acreditem mais facilmente na falsa história.

O que começou com telefonemas de bandidos presos, hoje envolve pessoas em liberdade que recebem o pagamento dos resgates. Para dar maior credibilidade à ameaça, os criminosos estão usando pessoas que aparecem chorando ao telefone desempenhando o papel de “filho seqüestrado”.
“Algumas pessoas entram em desespero e acabam cumprindo tudo o que os bandidos mandam”, disse o capitão Marcel Soffner, da Polícia Militar. Os números da PM incluem somente os casos da cidade de São Paulo. No dia 14 de fevereiro, a reformada Mércia Mendes de Barros, de 67 anos, com problemas cardíacos, sofreu uma paragem cardíaca e morreu após receber um telefonema em que os bandidos afirmavam ter raptado o seu filho

Outro exemplo desse desespero foi o que ocorreu na madrugada desta quinta-feira com a aposentada Joselma, de 63 anos, moradora na City Lapa, na zona oeste de São Paulo. Por pouco ela não embarcou em um avião para o Rio carregando jóias para entregar aos bandidos. Localizado pela polícia, seu filho Marcos, de 31 anos, encontrou foi encontrar a mãe no Aeroporto de Congonhas. A historia começou quando , os policiais militares ao patrulhar o bairro da Lapa foram acionados por vigilantes informando que uma moradora conversava, pelo telefone celular, com indivíduos que alegavam ter seqüestrado seu filho. Era a aposentada Joselma, de 63 anos, que falava com o filho Marcos, de 31.

- Mãe, sou eu, disse Marcos.
- Onde você está?
- Em casa.
- Não pode ser. Você estava gritando, chorando, sendo espancado.

Ela queria embarcar para o Rio e não deu bola para a ligação. Marcos estava com policiais militares que foram acordá-lo em casa para provar à mãe que ele estava bem. Não teve jeito. Ele embarcou na viatura e foi levado pelos PMs ao Aeroporto de Congonhas.

O analista de sistemas contou sua história no quartel do Comando Geral da Polícia Militar. Sua presença ali demonstrava a importância que o golpe do falso seqüestro ganhou para a polícia. São raríssimos os casos em que o Comando Geral resolve se manifestar.

A história de Marcos começou à 1 hora, quando Joselma atendeu a um telefonema a cobrar em casa. “Mãe, mãe, eu tô seqüestrado. Me ajuda!!!” A aposentada não teve dúvida: era a voz de seu filho. Em seguida, o falso seqüestrador apareceu. Com forte sotaque carioca, dizia: “Olha só, nós vamos matar o seu filho.”

O bandido exigiu US$ 30 mil para libertá-lo, o equivalente a R$ 62,4 mil. “Seu filho disse que tem dólar e dinheiro aí na casa.” Joselma não tinha. Mandaram que ela fizesse transferência bancária pela internet. Ela disse que não sabia usar a rede. O criminoso não desistiu. Teve, então, a idéia de mandá-la reunir o que tivesse de valor em casa - jóias e dinheiro - e apanhar um avião para o Rio. Lá, a vítima ia receber instruções para entregar o resgate.

Joselma bem que tentou achar o filho, mas o analista de sistemas, que não tem telefone em casa, esquecera o celular horas antes num shopping - o aparelho só dava caixa postal. Quando a aposentada se preparava para sair da casa, um vigia da rua desconfiou de algo errado e telefonou para o 190. Antes que obtivesse uma resposta, ele apanhou sua bicicleta e foi à sede do 4º Batalhão da PM.

Policiais foram à casa da aposentada, mas ela não quis atendê-los. O desespero falava mais alto. Os PMs apanharam com a empregada o endereço do filho e uma equipe foi até a Vila Madalena, .

Aeroporto de Congonhas. “A gente dizia que era golpe, mas ela não acreditava”, disse o tenente Alexandre Paulino Vieira.

Joselma chegou às 4h30 no aeroporto. Só não embarcou porque não havia vôo. Marcos chegou às 5h10. Joselma chorou e foi atendida no posto médico do aeroporto. O golpe falhara. Para evitar o golpe do falso rapto, a polícia está a orientar a população a evitar passar informações pessoais a desconhecidos, não receber telefonemas a cobrar e comunicar imediatamente às autoridades.

A legislação brasileira determina uma pena máxima de oito anos de prisão para condenados pelo crime de extorsão, como é o caso do golpe do falso rapto.


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