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Irão: As desigualdades fragilizam a República islâmica

23.06.2009
 
Pages: 123
Irão: As desigualdades fragilizam a República islâmica

Thierry Coville

Trinta anos depois da Revolução islâmica, o país reduziu as disparidades entre cidades e campos. Mas as províncias habitadas por minorias étnicas continuam marginalizadas.


O Irão é hoje um país complexo que conheceu uma verdadeira revolução das mentalidades no decurso das últimas três décadas. Nasceram grandes centros urbanos. A família iraniana aproximou-se, na sua forma, das famílias dos países industrializados e o nível médio de educação progrediu fortemente.


Este movimento tem afectado todo o país e foram desenvolvidos importantes esforços para diminuir as diferenças de desenvolvimento entre as cidades e as zonas rurais. Contudo, existem ainda áreas que têm um claro atraso económico em relação ao resto do país. E isso constitui um verdadeiro problema político, porque estas regiões são povoadas por minorias étnicas e religiosas.

Ao contrário da imagem veiculada por alguns meios de comunicação e peritos, a sociedade iraniana evoluiu fortemente desde a revolução islâmica de 1979. O reflexo destas mudanças transparece na revolução demográfica que este país conheceu nos últimos trinta anos. Se é verdade que a população mais que duplicou desde a revolução - progredindo de 33,7 milhões em 1976 para 70,5 milhões em 2006 -, a taxa de crescimento anual da população, recuou de 3,9% em 1986 para 1,6% em 2006. A taxa de fecundidade, que era de 7 crianças por mulher antes da revolução, é agora de 2, um nível semelhante ao dos países ocidentais. A idade média do primeiro casamento para as mulheres passou de 19,7 anos em 1976 para 23,2 anos em 2006. O número de divórcios progride igualmente, passando a sua percentagem em relação ao números de famílias de 0,4% em 1986 para 0,5% em 2006.

Estudantes: Mais raparigas que rapazes

Esta transformação da sociedade iraniana tem diferentes causas. As autoridades, depois de inicialmente terem defendido uma política favorável ao aumento da natalidade (eram necessários mais braços para a revolução), passaram a seguir, no final dos anos 80 uma política de controlo da natalidade, perante as consequências económicas e sociais de um forte crescimento demográfico. Além disso, as dificuldades económicas depois da revolução incitaram as famílias a ter menos filhos. A criação de um sistema de segurança social e de reforma também contribuiu para isso, os pais já não contam com os filhos para os ajudar financeiramente na velhice. Por fim, a urbanização (a parte da população que vive na cidade passou de 45,7% em 1975 para 69,4% em 2007) e o desenvolvimento de um modo de vida "urbano" foram igualmente elementos importantes. Mas o maior factor explicativo foi sem dúvida a subida do nível de educação, especialmente das mulheres.

Em 2006, perto de 58% da população estudantil das universidades públicas era feminina. Elas representam mesmo 66,3% dos efectivos na faculdade de medicina. Esta modernização dos comportamentos demográficos foi uma tendência geral em todo o país. A subida da idade do primeiro casamento para as mulheres foi maior nos campos do que nas cidades, passando de 19,1 anos em 1976 para 23,4 anos em 2006. É preciso assinalar, no entanto, que certas regiões são menos avançadas do que outras. As regiões de maioria sunita do Sistan e Baluchistão, do Azerbaijão Ocidental e do Curdistão têm taxas de alfabetização das mulheres inferiores às outras províncias. A importância dos valores tradicionais nestas províncias, aliada à insuficiência dos investimentos do Estado central conduziu a esta situação. Isto não significa, no entanto, que estas regiões não são tocadas pelo movimento geral de modernização: no Curdistão, 46% da população estudantil das universidades públicas é feminina.

O Irão é hoje um país jovem, onde os menores de 24 anos, que não conheceram a revolução, representam mais de metade da população. Devido ao crescimento demográfico e à emigração rural, importantes centros urbanos emergiram desde 1979. A população de Teerão passou de 4,5 milhões em 1976 para um pouco mais de 7 milhões em 2006; Machad, a grande cidade do Leste, de 670.000 para 2,4 milhões; Ispahan, no sul, de 661 mil para 1,6 milhões; Tabriz, no Azerbaijão iraniano de 600 mil para 1,4 milhões; Chiraz, na província de Fars, de 426 mil para 1,2 milhões. Além disso, toda uma rede de cidades satélites cresceu em torno das cidades de Teerão e de Ispahan para constituir imensos aglomerados urbanos. A cidade de Karadj, nos arredores de Teerão, passou em trinta anos de 138 mil pessoas para cerca de 1,4 milhões! Calcula-se além disso que cerca de 12 milhões de pessoas vêm trabalhar diariamente para Teerão.

Esta progressão da população urbana foi naturalmente acompanhada por uma deformação da estrutura da população activa que trabalha cada vez mais no sector terciário. As mulheres melhor formadas estão sobretudo empregadas no terciário, esta evolução traduziu-se além disso por uma subida da taxa de actividade das mulheres nas cidades de 8,3% em 1986 para 12,5% em 2006 1 . Para além disso, assistiu-se a um esforço real em matéria de investimento urbano, que atenuou as diferenças de desenvolvimento observadas antes da revolução no interior das próprias cidades.

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