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Polícia de choque invade a Acrópole e ataca trabalhadores dos estaleiros navais

22.10.2010
 
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Polícia de choque invade a Acrópole e ataca trabalhadores dos estaleiros navais

O governo PASOK mais uma vez exibiu a sua sanha anti-povo. Na manhã de ontem ordenou à polícia de choque que invadisse o sítio arqueológico da Acrópole a fim de atacar trabalhadores com contratos temporários que estavam a manifestar-se pelo direito a trabalho permanente e estável. A profanação de um dos mais importantes monumentos da humanidade pelas forças da repressão, com a utilização de gases lacrimogéneos e bastões contra os trabalhadores, foi ordenada pelo governo.

Os trabalhadores com contratos temporários encerraram a entrada da Acrópole desde o princípio da semana, como parte de uma série de manifestações, com as seguintes reivindicações: trabalho permanente e estável, pagamento imediato de todos os salários não pagos (os quais em alguns casos tem estado atrasados em 22 meses), a cessação de todos os despedimentos, etc.

Pouco após as 10h00 da manhã, a polícia de choque cortou uma parte da vedação logo abaixo da entrada central e investiu em ataque contra os trabalhadores temporários que estavam por trás. A situação era caótica tanto dentro como fora do sítio arqueológico, com o raivoso ataque da polícia de choque atingindo toda a gente no seu caminho, inclusive jornalista, técnicos de TV e operadores de câmara, numa atmosfera que se tornou sufocante devido à utilização de gás lacrimogéneo. Pelo menos quatro trabalhadores foram feridos, foi feita uma prisão.

Os governos do PASOK e do ND são ambos responsáveis e culpados pela situação que os trabalhadores com contratos temporários hoje enfrentam. Ambos criaram este regime o qual transforma os trabalhadores em reféns. Ambos em conjunto, juntamente com o Synapismos dito de “esquerda” em 2001 votaram a favor da emenda à Constituição, a qual essencialmente impede que trabalhadores com contratos temporários sejam tornados permanentes.

Aleka Papariga: Não temos de nos justificar perante Merkel e Sarkozy

Na conferência de imprensa de ontem em Salónica, a secretária-geral do KKE fez os seguintes comentários quanto às manifestações na Acrópole:

“Quando os trabalhadores têm problemas graves, quaisquer que sejam, devem mobilizar-se, devem combater e devem lutar. Estamos absolutamente certos de que o rochedo da Acrópole e os monumentos, não serão danificados pela greve. A Acrópole é um símbolo, se quiser. E considerando tudo isto somos a favor destas manifestações. Estas pessoas são trabalhadores com contratos temporários, é absolutamente correcto que lutem.

Assim, vamos abandonar esta “sensibilidade” com a Acrópole e com o que a sra. Merkel e o sr. Sarkozy dirão pelo seu lado. Não temos de nos justificar perante eles. Nós honramos a Acrópole e toda a história do nosso país e honramo-la lutando. Estes monumentos são valiosos, mas não devemos esquecer a história moderna da Grécia. Não acabaremos e nem pararemos de escrever a história de hoje”.

Os trabalhadores dos estaleiros navais pedem trabalho, cuidados de saúde gratuitos para os desempregados e que a electricidade dos desempregados não seja cortada. O governo respondeu com polícia de choque e gás lacrimogéneo.

O governo PASOK tentou quinta-feira 14 de Outubro romper a determinação dos trabalhadores dos estaleiros navais, utilizando grande número de polícias de choque e de gases lacrimogéneos. Esta determinação foi expressa por uma manifestação em massa no centro de Atenas contra as políticas anti-povo que, para salvaguardar a lucratividade dos monopólios, reduzir as operações dos estaleiros navais e desvalorizar a indústria de construção naval como um todo. Deste modo, os trabalhadores e suas famílias são condenados ao desemprego e à pobreza.

Os trabalhadores chegaram ao Ministério do Trabalho a gritar palavras-de-ordem como “Queremos trabalho e não desemprego, a plutocracia deve pagar pela crise”. Os trabalhadores tinham consigo as contas de electricidade de trabalhadores desempregados que tiveram cortada a sua electricidade e os documentos de trabalhadores desempregados que não tiveram acesso a cuidados de saúde, a fim de apresentá-los ao Ministério.

O pedido para encontrarem-se com o ministro foi recebido com gás lacrimogéneo e um assalto pelas forças de repressão do estado. Esta tentativa de aterrorizar os trabalhadores não teve êxito. A resposta dos trabalhadores à violência e ao terrorismo do governo é continuar a lutar sem dar um passo atrás.

Os trabalhadores continuaram a sua manifestação de modo disciplinado até o parlamento grego. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Pireu, Sotiris Poulikogiannis fez os seguintes comentários aos trabalhadores durante a manifestação: “Há um plano bem organizado para reduzir as operações dos estaleiros navais e da indústria de construção naval como um todo de modo a que os proprietários de navios possam construir seus barcos em outros estaleiros que empregam trabalho gratuito. É apavorante, estamos condenados à pobreza e à miséria, ao mesmo tempo em que o primeiro-ministro assina acordos para subsídios aos proprietários de navios de modo a que eles possam construí-los na China – e além disso tudo enfrentamos este ataque”.

Solidariedade

Os quadros do PAME, os deputados do KKE, os representantes do “Encontro do Povo” (as listas que o KKE apoia nas próximas eleições locais a 7 de Novembro) estavam ombro a ombro com os trabalhadores nestes dois casos de repressão policial.

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