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Assassinato da Travesti Paulina

22.04.2008
 
Assassinato da Travesti Paulina

Carta Aberta Sobre o Assassinato da Travesti Paulina – Homofobia Institucionalizada no Brasil. O médico que a atendeu no dia em que ela foi arrastada 50 metros por um carro garantiu que Paulina não sofrera nenhum ferimento grave, que a paciente não teve nenhuma fratura ou ferimentos internos e que a mesma não ficaria com nenhuma seqüela. Tinha quatro costelas partidas e hematomas no tórax.

Prezado (as) Senhores (as)

Após muitas especulações, centenas de telefonemas e entrevistas exaustivas, estamos vindo a publico declarar a posição do GLICH – Grupo Liberdade Igualdade e Cidadania Homossexual, no caso Paulina.

Primeiramente peço desculpas às pessoas que estão me ligando, mas, em razão dos nossos eventos de Micareta e acompanhamento do caso "Paulina" (Hebert) às vezes tenho ficado sem voz, sofro de depressão e carga de emoção, indignação e o medo tem feito com que às vezes eu não consiga falar nem mesmo ao celular.

1º - A morte de Paulina na madrugada de Quinta 16/07 nos pegou de surpresa, pois o médico que a atendeu no dia 12/04, dia em que ela foi arrastada 50 metros por um carro garantiu a mim e a equipe da TV SUBAÉ (Feira de Santana/Ba) em entrevista que Paulina não sofrera nenhum ferimento grave, que a paciente não teve nenhuma fratura ou ferimentos internos e que a mesma não ficaria com nenhuma seqüela.

Este depoimento foi gravado no hospital pela equipe da TV no dia do atentado.

2º - Mesmo estranhado a ALTA médica acreditei no parecer médico que liberou a paciente onze horas depois do acidente.

Fiquei muito impressionado como uma pessoa naquele estado poderia ser liberada de um hospital. Paulina apresentava um quadro clínico de total debilidade.

3º - Ao ser informado da Morte de Paulina ontem 17/04 às 14h30min pela TV SUBAÉ, corri para o Departamento de Policia Técnica.

Ao chegar ao DPT encontrei de forma consternada a Mãe e a Irmã de Paulina na companhia de dois senhores que não sei dizer quem eram.

Ao conversar com a mãe de Paulina, falei de minha perplexidade com a morte, levando em consideração o parecer médico.

4º - Ao ouvir minha conversa com a mãe de Paulina, um técnico do DPT me perguntou qual o médico teria examinado Paulina e qual foram os procedimentos médicos.

Ao relatar o parecer, o técnico perguntou se fomos informados que Paulina tinha tido QUATROS COSTELAS QUEBRADAS e hematomas no tórax... Fiquei horrorizado e ao mesmo tempo tomado por uma vergonha profunda diante da Homofobia Institucionalizada.

A declaração do técnico foi feita na frente da família da vítima.

5º - O Corpo de Paulina foi entregue à família junto com o documento (laudo preliminar) relatando sobre a morte da vítima. Não tive acesso ao documento, respeitei o tempo e a dor da família. O Laudo Técnico do DPT só sairá com trinta dias.

O corpo saiu direto para Terezina/Pi, onde a família irá sepultá-la.

A mãe e a irmã me pediram até terça-feira para que possamos ter acesso aos exames e aos documentos do DPT

6º - Nosso departamento jurídico e a comissão de Diretos Humanos da Câmara dos Vereadores de Feira de Santana já foram acionados e estão trabalhando no caso.

Para nós é fato que houve negligência médica. Um ato irresponsável da equipe médica que atendeu a Paulina pode ter contribuído com a sua morte.

A Travesti pode nem mesmo ter sido tocada, examinada de forma minuciosa e cuidadosa, caso contrário, como um médico não identificaria quatros costelas quebradas na paciente? Entendemos que a Paulina foi vítima de Homofobia Institucionalizada, negligenciada, pois nem mesmo ficara em observação.

Sendo mal atendida e imediatamente liberada para casa e que mais tarde culminou na sua morte.

7º - De certo abriremos um processo contra a Unidade Hospitalar e buscaremos o Ministério Público para formalizar a denúncia e tomar as medidas judiciais cabíveis.

O nosso departamento jurídico estará entrando com a ação.

8º - Logo que a família venha ao grupo e traga os documentos estaremos cobrando da polícia e da justiça a rápida elucidação do crime. Esperemos que mais este assassinato não vá para o mural da impunidade que reina absoluta em Feira de Santana, quando as vitimas são Homossexuais.

Tanto a negligência médica quanto o assassinato têm que ser rapidamente apurados e os culpados punidos.

O coordenador da Polícia Civil de Feira de Santana precisa agora provar as suas declarações dadas a três semanas atrás, de que não haveria discriminação nas investigações de crimes homossexuais.

Por fim, isso é tudo que temos e conseguimos transcrever no momento.

Indignado,

Rafael Carvalho

GLICH – Grupo Liberdade Igualdade e Cidadania


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