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Lutador de jiu-jitsu Ryan Gracie morreu na cela

17.12.2007
 
Lutador de jiu-jitsu Ryan Gracie morreu na cela

O lutador de jiu-jitsu Ryan Gracie, 33 anos morreu este sábado na cela do 91º DP, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. O Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) informou que vai solicitar hoje ao secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Marzagão, uma investigação sobre o fato de a polícia não ter encaminhado o lutador Gracie para um hospital público ou pronto socorro, segundo o Terra.

 O Condepe pede a abertura de inquérito para apurar "a conduta dos policiais do 15º DP, do 91º DP e do Instituto Médico Legal (IML) com relação ao não encaminhamento do preso para um Pronto Socorro ou Hospital Público, já que o detento tinha sofrido pancadas na cabeça e estava sob o efeito de drogas, segundo as informações dos familiares, do médico que o atendeu na cela do 91º DP e de policiais."

O conselho deve encaminhar ofícios à Corregedoria do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo) do Tribunal de Justiça, ao Ministério Público do Estado e à Ouvidoria de Polícia.

O Conselho pede aos órgãos que esclareçam "o fato de a polícia ter optado por franquear acesso a um médico particular (que é um procedimento pouco usual e que depende, pela prática judiciária do Estado, de autorização judicial) ao invés de encaminhá-lo imediatamente para atendimento."

Entretanto o psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto, contratado pela família Gracie para acompanhar e medicar Ryan Grace, na véspera da morte do lutador de jiu-jitsu, considerou “a mais crassa mentira” as declarações da irmã de Ryan, Flávia Gracie, de que ele teria se incumbido de intermediar pagamentos a delegados e carcereiros para favorecer o paciente.

“A única coisa que teve foi uma sugestão para que dessem R$ 100, R$ 200 aos carcereiros para que o Ryan tivesse direito a comer pizza, refrigerante, um sorvete, quando tivesse vontade. Mas foi sugestão minha. Não teve a intenção de suborno e, em momento nenhum, houve conversa de valores com policiais”, disse. “Se houvesse qualquer indício de corrupção, eu denunciaria o fato”.
“Fiz o meu melhor, estou convicto disso, mas infelizmente não foi suficiente para mantê-lo vivo”, prosseguiu o médico, dizendo compreender a dor da família Gracie. “Eu também estou arrasado. É meu segundo óbito em 31 anos de trabalho”. Farias confirmou que recebeu cerca de R$ 5 mil para atender Ryan. “Isso foi conversado antes e eles aceitaram. Nem foi a dona Flávia quem pagou, mas a companheira do Ryan, Andréia, parte em cheque e o restante em dinheiro”.
Cremesp
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) abrirá sindicância hoje para apurar a atuação do psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto.

 Segundo o secretário-geral do órgão, Renato Azevedo, houve uma série de procedimentos incomuns no caso do lutador.
"Vamos ouvi-lo para saber a razão de ele agir daquela maneira", diz o secretário. "Tudo o que sabemos foi o que os jornais veicularam. Inicialmente, o fato de ele ter sido atendido, diagnosticado e medicado em uma cela de cadeia não nos pareceu adequado", pondera.


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