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Alguns nos EUA adotam crianças russas para sentirem-se superiores mediante humihá-las

16.06.2008
 
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Alguns nos EUA adotam crianças russas para sentirem-se superiores mediante humihá-las

Alguns estadunidenses adotam crianças russas para sentirem-se superiores mediante humihá-las.

Uma avó adotiva estadunidense tornou-se mãe de gêmeos russos. Phyllis Matthey-Johnson adotou-os depois que seus próprios filho e nora Robert e Brenda Matthey foram indiciados pelo homicídio culposo de Viktor, irmão dos gêmeos. Ela testemunhou no tribunal contra o filho e a mulher dele e fez todo o possível para que recebessem a punição merecida e fossem privados de suas crianças adotadas. Agora os quatro netos próprios dela a odeiam.

A atroz história a respeito da morte do garoto de sete anos de idade chamado Viktor Tulimov o qual, quando adotado, recebeu o nome de Viktor Alexander Matthey causou comoção tanto na Rússia quanto nos Estados Unidos em 2000. A investigação mostrou que a criança morreu de fome, frio e espancamento. O menino passou apenas dez meses com seus novos pais.

A avó Phyllis, que defendeu as crianças russas e, com efeito, renunciou ao próprio filho, tornou-se conhecida logo que apareceu com os gêmeos na Embaixada Russa em Washington. Volodya e Zhenya agora estão com 12 anos. Na verdade, eles são chamados de Jeziah e James; praticamente não falam russo e levam uma vida típica de estadunidenses. Quanto à morte de Viktor, entretanto, seria uma história típica, visto que crianças adotadas, inclusive estrangeiras, não são raridade nos Estados Unidos.

De acordo com o Conselho Nacional Estadunidense de Adoção - US National Council For Adoption (NCFA), os estadunidenses adotam anualmente 130.000 crianças nos Estados Unidos e 20.000 de outros países. Esta última cifra é maior do que em todos os outros países considerados conjuntamente. De acordo com o Presidente do NCFA Thomas Atwood, isso pode ser explicado pelo aumento do bem-estar dos estadunidenses e a mudança gradual da atitude do público em relação a adoção. "Tivemos diversas gerações de crianças adotadas, e quase todas elas tiveram uma experiência positiva", disse o especialista, e sublinhou que a adoção nos Estados Unidos é efetuada "com mais respeito e amor".

Em 2007 pais estadunidenses adotaram 2.310 crianças russas, mais do que as oriundas de qualquer outro país, por exemplo China ou Guatemala. Entretanto, o influxo de crianças russas nos Estados Unidos vem decrescendo ao longo dos vários anos recentes. Famílias estadunidenses adotaram 3.706 crianças russas em 2006 e 5.865 crianças em 2004. Cerca de 50.000 crianças russas mudaram-se para o exterior desde 1991. Quatorze delas morreram no novo país.

Não há desculpa para maus tratos, disse Atwood. Ele lembrou, entretanto, que tais casos também ocorrem na Rússia e em outros países. Além disso, seria injusto um pequeno número de tragédias ofuscar um número maior de adoções felizes.

Na verdade, muitas crianças russas encontram famílias que lhes dispensam cuidado e amor uma vez adotadas por pais residentes nos Estados Unidos. Por exemplo, os gêmeos Max e Andy Greenfield, sem pernas desde o nascimento, foram abandonados por sua mãe na cidadezinha russa de Podolsk e subsequentemente adotados por Ronald Greenfield, dos Estados Unidos. "Como eu próprio tenho uma prótese de perna, achei que poderia fazer por eles mais do que qualquer outra pessoa," disse o veterano que perdeu uma perna durante a Guerra do Vietnã.

A compaixão e o desejo de dar uma vida melhor para uma criança estão sempre envolvidos em todos os casos de adoção e, no caso de casais que têm seus próprios filhos, constituem fator dominante, disse Atwood. Entretanto, o mais nobre dos desejos humanos pode amiúde desaparecer. Aparentemente, foi o que aconteceu com Viktor Alexander e seus irmãos.

Perguntei a Phyllis por que o filho dela e a mulher dele precisavam de três crianças russas quando tinham quatro filhos deles próprios. Ela confessou que ficara perplexa com isso também. Entretanto, de início ficou orgulhosa de ato tão nobre. Mais ainda, o ato foi grandemente aprovado pela paróquia à qual Robert e Brenda Matthey pertenciam.

Phyllis é católica; o filho dela tornou-se pentecostal, verdadeiramente fiel, um desses que é chamado de "nascido de novo" nos Estados Unidos. A mãe não podia julgar as crenças religiosas do filho e nora, e disse que não conseguia entender pessoas que combinavam fé com chibatadas. Entretanto, chibatas e correias eram regularmente usados na família dos Matthey, o que foi comprovado pelo testemunho dos próprios filhos deles. Essas crianças foram colocadas sob a guarda do pastor da igreja.

Os pais ficarão na prisão até fevereiro de 2009. Isso em resultado de acordo dos Matthey e a legislação dos Estados Unidos, que Phyllis chama de "um simulacro de justiça".

A principal questão nesta história é impedir que a tragédia se repita. Julgando a partir da própria experiência, Phyllis sugeriu que as autoridades dos Estados Unidos deveriam estipular verificações regulares obrigatórias de crianças adotadas, conduzidas por especialistas especialmente treinados para isso.

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