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Pablo Vierci: 36 anos escrevendo o livro da tragédia dos Andes

14.12.2008
 
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Pablo Vierci: 36 anos escrevendo o livro da tragédia dos Andes

Tendo andado 36 anos daquele acidente aéreo uruguaio na Cordilheira dos Andes chilenos em 1972 o escritor uruguaio Pablo Vierci casado com uma carioca, tendo morado 10 anos em São Paulo e com filhas com dupla nacionalidade, mostra para o mundo a versão oficial de cada um dos dezesseis amigos e sobreviventes que sofreram, resistiram e voltaram daquele pesadelo nas cimeiras da Cordilheira na hora que os projetos de vida de todos começavam gatinhar.

Um avião da Força Aérea Uruguaia transportava um time de jogadores de ráguebi uruguaio que iam jogar uma partida de confraternização em Chile perante os anfitriões.

O azar fez com que uma das asas do avião batesse contra a montanha e Deus quis que dezesseis pessoas sobreviveram nessa tragédia que por inúmeras situações foi marcante para o mundo todo.

O escritor Pablo Vierci, ex aluno do Colégio Old Christians ( www.stellamaris.edu.uy ) e amigo de todos eles decidiu montar o quarto livro desta história com mais uma estação na corrida da vida e o jornalista coordenador de imprensa do Canal 12 de Montevidéu – Alfonso Lessa ( www.teledoce.com ), foi apresentador no lançamento do livro nesse Colégio no qual eles viveram sendo crianças, moleques e encaminhavam-se para sua vida adulta.

Faz alguns anos que o programa «Debate Aberto» de Canal 10 ( www.canal10.com.uy ) de Montevidéu chefiado pelo jornalista Gerardo Sotelo acabou fazendo famoso o Vierci no ambiente da tevê mostrando a cara dele na telinha.

PRAVDA: O livro « La Sociedad de la nieve» que poderíamos traduzi-lo como a «Parceria com a neve» é mais um livro nesta história?

VIERCI: Acredito que o livro « La Sociedad de la nieve» não é mais um livro senão o quarto episódio desta história. Tendo «envolvido» os 16 sobreviventes houve apenas dois livros, o primeiro «Viven» (Vivem) narrado assim que o acidente aconteceu e publicado um ano depois, ou seja em 1973 sendo que a turma acabou narrando para o escritor britânico, Piers Paul Read e ele escrevendo logo uma crônica com muitos detalhes daquele fato.

Logo chegaram mais dois livros autobiográficos, do Carlitos Paez e do Nando Parrado mas tivemos que esperar 36 anos para que os 16 narraram cada um deles, com a panorâmica dos anos que já passaram, o que aconteceu na montanha o como foi a vida após esse evento marcante. Essa narração é « La Sociedad de la nieve», aonde é bem mais importante aquilo que faz a alma tremer, aquilo que desloca as estruturas daquele que aproxima-se na história, aquele que aproxima-se no livro, tentando que consiga arrumar aquilo tudo e no final, caindo na real e atingindo o evento com facho diferente, que o simples relatório dos fatos que ocorreram em 1972.

P: Pablo, é mesmo amigo de todos eles? Ficaram amigos na neve sem voltar?

V: Com certeza!! Compartilhei o Ensino primário e secundário no Colégio Stella Maria Christians Brothers, dos Frades Cristianos Irlandeses, o bem mais conhecidos como Christians Brothers, que foram a grande maioria daquela turma que viajou no avião rumo á Chile e que tinha sido alugado pelo Clube dos Ex-Alunos do Colégio.

No meu caso fui parte da geração intermédia, compartilhando aulas com o Nando Parrado. Por enquanto, pode ter certeza que fui amigo, colega do colégio e esportes sendo crianças e moleques da grande maioria dos sobreviventes, aliás, de muitos que infelizmente ficaram na montanha, incluindo um grande amigo da minha geração.

P: Porquê intitularam o livro com esse nome? Foi mesmo uma «parceria» perfeita assinada sem caneta para sobreviver?

V: Saiba que estou envolvido com este fato desde o início. Colaborei com o Parrado no decorrer de um período de tempo que o Nando teve o desejo de narrar a história em 1973, logo chegaram inúmeras matérias jornalísticas, tentando descobrir aquele enigma do que acabou acontecendo no passado pois eu sempre soube que não foi mais um acidente.

Na hora da lembrança dos 30 anos do acidente, acabei escrevendo uma matéria para o Jornal montevideano «El País» (O Pais) ( www.elpais.com.uy ) segundo o olhar daqueles que tinham ficado lá, como se eles tivessem montado aquela matéria, intitulando-a assim: «Nós, os outros». Estes diferentes olhares tendo transcorrido tanto tempo, fizeram que acabasse descobrindo que aquele dia 13 de Outubro de 1972, na hora que caiu o avião no «Vale das Lágrimas» no seio da Cordilheira dos Andes, um turma experimentou um acidente mas essa turma tornou-se um time que logo «monta» uma parceria. Mas é importante levar em consideração que trata-se de uma parceria diferente a todas até agora e que der para imaginar no futuro.

Pois perdidos, contornados e até poderíamos dizer sitiados nessa extrema solidão, muito longe da «sociedade dos vivos», do jeito que eles a reconhecem, montam uma parceria padronizada pela misericórdia, pela convicção que os nossos limites ficam mais longe daqueles que poderíamos imaginar, por enquanto, estão em nossas mentes, acreditando que tudo quanto é adverso é em si próprio parte da salvação, pois temos que lutar a cada dia, 30 graus embaixo do zero, sem oxigênio, nesse ambiente inorgânico, sem conhecer o resultado e como encerramento deste conceito, trata-se de uma parceria na qual a vida e a morte não acabam sendo antagônicas.

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