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Quem poderá salvar os EUA: Obama ou McCain?

12.06.2008
 
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Quem poderá salvar os EUA: Obama ou McCain?

Os Estados Unidos são uma potência decadente: seu sistema político e econômico está dando sinais inegáveis de exaustão. A maioria da sua população não confia mais na sua demoracia e nem se dá ao trabalho de votar, e está disposta a sacrificar direitos e liberdades em troca de uma segurança supostamente maior. O déficit orçamentário, causado por gastos militares absurdamente altos, não pára de crescer, e a demanda internacional por dólares, que sustentava o valor da moeda, não pára de cair.

Há apenas um partido nos Estados Unidos, o Partido da Propriedade, e ele tem duas alas: republicana e democrata. Os republicanos são um pouco mais estúpidos, mais rígidos, mais doutrinários no seu capitalismo laissez-faire que os democratas, que são mais amáveis, mais agradáveis (...) e mais dispostos que os republicanos a fazer pequenos ajustes quando os pobres, os negros e os anti-imperialistas saem de controle. Mas, essencialmente, não há diferença entre os dois partidos.

Gore Vidal

Os Estados Unidos são uma potência decadente: seu sistema político e econômico está dando sinais inegáveis de exaustão. A maioria da sua população não confia mais na sua demoracia e nem se dá ao trabalho de votar, e está disposta a sacrificar direitos e liberdades em troca de uma segurança supostamente maior. O déficit orçamentário, causado por gastos militares absurdamente altos, não pára de crescer, e a demanda internacional por dólares, que sustentava o valor da moeda, não pára de cair. Ao mesmo tempo, o petróleo atinge níveis recordes de preço, tornando ainda mais difícil para os EUA fecharem suas contas. Internacionalmente, a grande potência é reconhecida como um império em quase todos os países do mundo, não consegue submeter guerrilheiros mal armados no Iraque e no Afeganistão, e mesmo uma região historicamente submissa, a América do Sul, está unindo-se para formar um polo independente de poder.

Isso não significa que o fim esteja próximo: os EUA ainda têm a maior economia do mundo, são de longe a mais poderosa potência militar, e lideram em quase todos os campos da ciência e tecnologia. Porém, já se vê que o gigante tem pés de barro e irá cair, como todos os impérios que já existiram antes.

No dia 4 de novembro deste ano acontecerão as eleições presidenciais nos EUA. Qual dos dois candidatos principais a presidente tem as melhores propostas para resolver os problemas de seu país e restaurar sua grandeza perdida: o republicano John McCain, ou o democrata Barak Obama? Qual deles poderá reverter o curso fatal dos EUA e impedir sua queda definitiva? No presente artigo, vamos expor cenários possíveis segundo a vitória de cada um deles, para tentar responder essa pergunta.

O candidato republicano tem uma grande desvantagem: é do mesmo partido que o atual presidente, George W. Bush, o mais impopular líder que os EUA já tiveram. Por isso, a campanha de McCain se concentra em mostrar suas diferenças com o atual presidente. Uma tarefa muito difícil - afinal, ele representa os mesmos ideais e interesses ultraconservadores do Partido Republicano: apóia a permanência das tropas estadunidenses no Iraque, é favorável à diminuição de impostos para os ricos, quer reduzir os gastos em bem estar social, é radicalmente contra negociações diplomáticas com o Irã e provavelmente favorecerá uma guerra (ou pelo menos um ataque aéreo maciço) contra este país por seu suposto programa de armas de destruição em massa, e apóia incondicionalmente Israel no seu conflito com os palestinos.

Algumas das poucas diferenças de McCain com Bush é que ele tentou abrandar as técnicas mais “duras” (ou seja, de tortura) contra os supostos terroristas detidos no Afeganistão e no Iraque, apóia medidas de proteção ao meio ambiente e é favorável a pesquisas genéticas e com células-tronco.

Pouco mudará na política interna e externa dos EUA caso McCain ganhe as eleições. A “guerra contra o terror” continuará, assim como o aumento da presença militar estadunidense no mundo e o belicismo contra o “eixo do mal” (Irã, Coréia do Norte, Cuba e Síria), inclusive ameaçando mais duramente estes países com um grande ataque; seguirá a política equivocada de apoiar irrestritamente Israel, que tanto ódio gera no mundo islâmico; o déficit nos gastos públicos, o calcanhar de Aquiles da economia norte-americana, aumentará, por conta dos excessivos gastos militares; e a desigualdade social no seu país continuará crescendo, devido a políticas econômicas que beneficiam exclusivamente os mais ricos. Em alguns casos será até pior que a política de seu antecessor: sua postura russófoba favorecerá a expulsão da Rússia do G-8 (o grupo das sete economias mais desenvolvidas, mais a Rússia), e acelerará a expansão da OTAN e a construção do sistema antimísseis na Europa.

Barak Obama, por outro lado, tem maiores chances de chegar à presidência, considerando que nas últimas eleições legislativas os democratas conseguiram muito mais votos que os republicanos. E Obama também traz a esperança de ansiadas mudanças na política interna e externa dos EUA: foi dos poucos congressistas que desde o início se opôs à invasão do Iraque (a senadora democrata e pré-candidata derrotada, Hillary Clinton, votou a favor da guerra em 2003), no ano passado propôs um plano de retirada das tropas estadunidenses do Iraque para este ano, afirmou que pretende

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