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O que você deveria saber sobre a palestina

10.12.2017
 
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Nem sempre, tudo termina bem na vida.
O cinema americano nos habituou com o happy end.
É interessante pensar como a nossa cultura assimilou essa ideia de que no final a justiça será feita, os maus serão punidos e o bem acaba vencendo.
Na maioria das vezes não é o que acontece.

Pensei nisso, lendo e ouvindo as noticias sobre a situação na Palestina, que se tornou novamente crítica, abrindo a possibilidade de novos conflitos na região.
Qualquer historiador razoavelmente sério, sabe que a criação do Estado de Israel, em meio às populações árabes, nasceu mais de um conluio entre as grandes potências vencedoras da Segunda Guerra, União Soviética e Estados Unidos, com a aquiescência da Inglaterra, que detinha um mandato de domínio na região, que de uma real aspiração do povo judeu.


O movimento sionista, iniciado por Theodor Hetzl (1860/1904), destinado a lutar por um estado nacional do judeu, não tinha inicialmente a Palestina como sua única referência., Desde o seu primeiro congresso, na Basiléia, em 1897, chegou a se cogitar no Chipre, em países da África Central e até mesmo a Argentina (a Patagônia). No terceiro congresso, foi aprovada a indicação de Uganda como o novo lar para o povo judeu, mas logo se voltou novamente para a Palestina, onde teriam vivido seus ancestrais até a diáspora.
Herzl chegou a negociar com o Sultão da Turquia, que dominava a Palestina, a cessão de uma área para a formação do estado judeu. 

A ideia não prosperou e a opção pela Palestina só se tornou a escolha definitiva após a o Ministro Britânico de Relações Exteriores, Lord Balfour, em 1917,ter feito um acordo com o dirigente sionista Barão de Rothschild para permitir a migração de judeus, em troca do financiamento, por parte do banco do Barão, à Inglaterra para a guerra contra a Turquia.
A perseguição aos judeus na Alemanha nazista estimulou o êxodo para a Palestina, mas mesmo assim, quando a ONU determinou a partilha da região entre judeus e árabes, esses últimos compunham dois terços da população que ficou dentro dos limites do estado de Israel.

O resto da história é bem conhecido e recente. Pela força das armas e com apoio americano, os judeus foram expulsando os palestinos de suas terras e expandindo o Estado de Israel.
Nem mesmo o que a ONU determinou em1947, ou seja, a formação de dois estados nacionais, foi completada, porque a área reservada aos palestinos foi constantemente diminuída pelo avanço dos colonos judeus. 

Hoje, o que seria o Estado Palestino, está dividido, em duas partes, uma controlada pela Autoridade Nacional Palestina, em Ramalah e outra pelo Hamas, na Faixa de Gaza, com o poderoso Estado de Israel no meio.

O happy end, que seria a formação de um estado único, multinacional e democrático, onde judeus e árabes pudessem viver juntos e em paz, é hoje uma opção impossível.
O que resta é a opção de dois estados, que possam viver sem guerra, mas mesmo ela parece em perigo pela ação desastrada de Donald Trump ao assegurar a transferência da embaixada americana para Jerusalém,cidade que os dois lados sonham em transformar na capital de seus estados nacionais.

Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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