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Mudou o padrão do tratamento da violência contra as mulheres, afirma Nilcéa Freire

10.08.2009
 
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Mudou o padrão do tratamento da violência contra as mulheres, afirma Nilcéa Freire

O balanço das ligações da Central de Atendimento à Mulher e os três anos da Lei Maria da Penha foram assuntos debatidos na entrevista concedida, nesta quinta-feira (6), pela ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire. Durante o programa Bom Dia Ministro, nos estúdios da EBC Serviços, a ministra falou sobre a Central de Atendimento à Mulher e os três anos da Lei Maria da Penha e apresentou o Prêmio Boas Práticas, criado para estimular a correta aplicação da legislação. Leia os principais trechos da entrevista:


Lei Maria da Penha
Cerca de 78% da população brasileira conhece a Lei Maria da Penha, de acordo com pesquisa realizada no primeiro semestre deste ano. A população passou a ter nesse instrumento um elemento de encorajamento para buscar ajuda e fazer denúncias. Mudou o padrão do tratamento da violência contra as mulheres, não só porque oferece uma possibilidade de punição maior e mais efetiva aos agressores, mas também porque preconiza uma série de políticas e medidas de prevenção e proteção às mulheres em situação de violência. Não que não houvesse iniciativas anteriormente, mas a lei vem consolidar a necessidade de criação desses serviços, de que funcionem em rede e de que tenhamos um projeto, um programa nacional, como o Pacto Nacional de Enfrentamento da Violência contra as Mulheres.


Homens
A Lei Maria da Penha está a favor da sociedade. No entanto, entendemos como um equívoco a aplicação da lei para proteger homens. Em três anos de implementação, só dois juízes entenderam que poderia ser aplicada aos homens, o que confirma que, nos casos de agressões dentro do lar, são as mulheres, com ampla margem de vantagem, as mais agredidas.


Ligue 180
O Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher, não só recebe telefonemas, faz encaminhamentos e acolhe as denúncias. Também é um ótimo instrumento para que possamos ter, cada vez mais, conhecimento sobre esse tipo de violência. Desde quando foi inaugurada a central, já fizemos 650 mil atendimentos e o número vai dobrar ainda neste ano. Estaremos preparados pra receber mais atendimentos porque à medida que as campanhas vão sendo feitas, mais gente conhece e nos demanda.


Aumento de denúncias
Certamente, o fato de termos hoje uma lei e mais equipamentos disponíveis para a sociedade fazer boletim de ocorrência e buscar auxílio tem contribuído para que o número de denúncias aumente. Temos hoje 419 delegacias especializadas em todo o País. Há pouco tempo, tínhamos 360. Esse número aumentou, portanto, teremos um maior número de pessoas demandando serviços. Hoje, já são 132 centros de referência. Em 2004, tínhamos apenas 13, ou seja: decuplicamos os centros de atendimento especializado às mulheres vítimas de violência. Tudo isso contribuiu para que esse delito se torne mais visível na sociedade e mais passível de ser enfrentada.


Drogas
Os dados da Central de Atendimento à Mulher mostram que o álcool e outras drogas ilícitas estão presentes em cerca de 54% dos relatos de agressão. É uma violência que tem características muito especificas, mas evidentemente o álcool e as drogas são facilitadores da reação violenta, sem os quais o agressor talvez pensasse melhor antes de cometer o delito. É muito importante que se preste atenção nessa associação.


Tolerância
É importante dizer que a tolerância à violência contra mulheres não parte delas. É algo que a sociedade alimentou durante muito tempo. A cultura foi sempre de que, em briga de marido e mulher, não se mete a colher e a dignidade está em aguentar calada e dentro de casa as coisas que se passam naquele ambiente. Há uma questão muito importante: a violência contra as mulheres talvez seja o único tipo que é entendido como uma agressão que mantém a ordem, mantenedora da ordem patriarcal e que visa enquadrar as mulheres em um determinado padrão. Isso evidentemente e felizmente está se desconstruindo.


Prêmio Boas Práticas
Nesses anos de trabalho, temos verificado atitudes exemplares na aplicação e implementação da Lei Maria da Penha, tanto do ponto de vista da Justiça, como do sistema de segurança. Exemplos da sociedade civil e da mídia. Por isso queremos estimular, com o prêmio, essas boas práticas, e reuni-las num banco, para que possam ser copiadas por outros agentes públicos e da sociedade.


Punição
O agressor pode receber pena de um a três anos de restrição de liberdade. A prisão pode ser em flagrante e há o instituto da prisão preventiva. Uma questão importante são as medidas de urgência, que podem ser decretadas imediatamente, solicitadas pela autoridade policial aos juizados. Antes, quando uma mulher estava ameaçada ou tinha sido vitimada, ela mesma levava a intimação para o companheiro comparecer a delegacia policial. Hoje, a autoridade policial pode imediatamente afastar o agressor do lar e fazer a busca e apreensão de armas.

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