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Documento da diplomacia americana revela festa secreta de príncipe saudita com álcool, droga, sexo e prostitutas

08.12.2010
 

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

Correspondente Internacional

JEDA/ARABIA SAUDITA (PRAVDA.RU) - Em mais uma enxurrada de documentos secretos da diplomacia dos Estados Unidos, o site WikiLeaks mostrou, com riqueza de detalhes, uma festa de Halloween organizada por um rico príncipe saudita, na cidade de Jeda (Jeddah em árabe), com bebida da mais alta qualidade, droga, e sexo com requintadas prostitutas.

Em um dos documentos secretos da diplomacia americana, com data de 18/11/2009, consta: "Por trás da fachada de conservadorismo Wahhabi nas ruas, a vida noturna para os jovens da elite de Jeddah é próspera e latejante. A gama completa de tentações mundanas e os vícios estão disponíveis - álcool, drogas, sexo -, mas estritamente a portas fechadas".

Funcionários do consulado americano local foram convidados para a festa de Halloween, uma data tipicamente americana, na mansão de um jovem príncipe saudita em Jeddah. O nome do príncipe foi omitido do documento, já que os próprios diplomatas reconhecem que seu nome deve ser mantido em sigilo. A única pista é que ele pertence à enorme família Al Thunayan.

Fora da lista de herdeiros ao trono, o anfitrião é um dos milhares de príncipes que aproveitam a vida milionária da realeza na proteção de suas mansões e conseguem, com vigilância 24 horas no portão, escapar da moral estrita imposta aos cidadãos nas ruas.

O álcool é estritamente proibido em toda a Arábia Saudita, que pune ainda a posse de drogas com longas sentenças de prisão e açoitamento público.

Segundo relata o documento da diplomacia americana, não havia sinal da Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício na festa com 150 jovens, todos com idade entre 20 e 30 anos. A roupa discreta que utilizam nas ruas era retirada na porta para revelar trajes de festa.

"O local lembrava um clube noturno de qualquer local fora do reino: muito álcool, jovens casais dançando, um DJ na mesa de som e todo mundo com fantasia", descreve o documento, um dos 250 mil vazados pelo site WikiLeaks.

"O álcool, apesar de proibido por lei e pelo costume saudita, era abundante no bar bem abastecido da festa. Os barmans filipinos serviram um coquetel com sadiqi, uma bebida fabricada localmente. "Também aprendemos, através do boca a boca, que várias convidadas eram 'garotas de trabalho', algo comum nessas festas", revela o documento da diplomacia americana.

O documento, assinado pelo cônsul em Jeddah, Martin Quinn, acrescenta: "Embora não tenhamos testemunhado diretamente neste evento, cocaína e haxixe são comuns nesses círculos sociais."

Um jovem saudita que estava na festa contou a um dos diplomatas americanos que o "conservadorismo crescente de nossa sociedade nos últimos anos apenas mudou a interação social para dentro da casa das pessoas".

Jidá, por vezes grafada Jeddah ou Jedá é uma cidade localizada na Arábia Saudita na costa do Mar Vermelho. É o maior centro urbano na costa ocidental e a segunda maior cidade da Arábia Saudita, depois da capital, Riade. Tem cerca de 3,4 milhões de habitantes, já foi também considerada a capital comercial da Arábia Saudita e a mais rica do Médio Oriente e da Ásia Ocidental.

Na Arábia Saudita foi revelado o Alcorão pelo profeta Maomé, religião a qual denominou-se de Islão. Atualmente, a constituição do país é baseada no Alcorão, e nos resgates monoteístas que Muhammad Abd Al-Wahhab realizou sobre o Alcorão e a Sunnah.

A prática pública de qualquer outra religião que não o Islão é proibida. Esta medida é alvo de várias críticas de várias entidades no resto do mundo. Em 2003, por exemplo, um relatório da U.S. Commission on Religious Freedom (comissão para a liberdade religiosa), uma organização estatal americana que investiga as violações à liberdade religiosa no mundo, chamou à Arábia Saudita de o maior violador das liberdades religiosas.

Vários casos, entre os quais o recente de Mohammad al-Harbia, um professor da escola secundária saudita, condenado a 40 meses de prisão e a 750 chicotadas em público por ter discutido a Bíblia e ter dado uma imagem positiva do Judaísmo aos seus alunos, têm originado uma condenação pela opinião pública internacional.

ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU no Brasil. e-mail:- jornalistadobrasil@hotmail.com

 


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