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Colômbia: O país mais perigoso do mundo para sindicalistas

05.05.2010
 
Pages: 12
Colômbia: O país mais perigoso do mundo para sindicalistas

Luis Alberto Vanegas (CUT)

Em 11 de abril de 2010, foi assassinado Henry Ramírez Daza, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Bebidas Alcoólicas - Sintrabecólicas. Um sicário deu-lhe um tiro na cabeça enquanto assistia televisão junto de seu filho, em sua residência da cidadela Comfenalco na capital do departamento de El Tolima. O criminoso fugiu a pé e, em posteriormente, abordou um veículo, de acordo com informações fornecidas por dirigentes do sindicato Sintrabecólicas. Henry Ramirez foi um destacado líder sindical, social e político, o último cargo que exerceu foi vereador do município de Ambalema, em El Tolima e pretendia concorrer a prefeito desta mesma cidade.


Esse fato novo acrescentasse aos 2.742 sindicalistas assassinados na Colômbia desde o ano de 1986, genocídio que o governo tenta desvirtuar e o que consegue é transformar os companheiros novamente em vitimas, ao dizer que os telefones celulares não estão relacionados com o trabalho sindical e social dos companheiros assassinados; o que o governo está procurando é desmentir que na Colômbia existe violência antisindical. Como explicar então, que nos acontecimentos de 2010, doze companheiros e companheiras deram suas vidas, entre os quais o companheiro Henry Moya, assassinado em El Tolima, organizador do Sindicato ASTRACATOL, de FENSUAGRO, Javier Cárdena Gil, da Associação de Areeiros de El Quindio, Miyer Garcés de ASOINCA, e Israel Verona de ACA Arauca, entre outros. Devemos denunciar que a crise humanitária está crescendo em meio a uma impunidade de 98% e com o envolvimento de agentes de alto nível do Estado no assassinato e na violação dos direitos humanos dos trabalhadores e sindicalistas colombianos.


Nos diversos escândalos que vêm sendo conhecidos e que vinculam o governo de Álvaro Uribe Vélez, destacamos o denunciado pelo jornal El Espectador, no dia 15 de abril, que informa como “o DAS bisbilhotou nos escritórios dos sindicalistas”.


Os fatos são narrados nos depoimento a ser apresentados no julgamento de Jorge Noguera, onde se revela uma sinistra estratégia de espiões. O jornal disse que: "um dos detetives que foi encarregado de monitorar os sindicalistas, disse ao procurador que em duas ou três ocasiões, foi incumbido de subtrair, clandestinamente, documentos dos sindicatos contendo informações sobre suas atividades... Disse que essa tarefa foi cumprida de forma eficiente com a colaboração de seguranças terceirizados... Mas outro dos detetives foi além e contou ao promotor que na Sub-diretoria de Analises da Direção Geral da DAS, nos anos 2004-2005, eram arquivados as folhas de vida de reconhecidos sindicalistas e de opositores do Executivo. Um deles foi justamente Correa de Andreis, um dos ”alvos de trabalho” do DAS. A terceiro depoimento, de um detetive subordinado à Diretoria de Inteligência, descreve que, quando fazia parte de um dos grupos especiais de inteligência, que estavam sob a coordenação do já falecido coordenador do G-3, Jaime Fernando Ovalle Olaz, em 2004, se realizaram atividades de guerra política contra várias ONG. Essas organizações sofreram interceptação de correios eletrônicos, além de ter as linhas de telefone monitoradas. Os relatórios eram entregues diretamente ao diretor da agência, Jorge Aurélio Noguera Cotes.


Agora entendemos porque o governo não fornece resultados sobre a questão da justiça e da verdade, sobre os autores intelectuais das violações aos direitos humanos contra o movimento sindical, como pode ser visto claramente no que se conhece do julgamento do ex-diretores do DAS. As ações ilegais beneficiavam aos superiores hierárquicos imediatos destes funcionários do Estado.

Colômbia: O país mais perigoso do mundo para sindicalistas
Neste contexto, John Gossaín acaba de denunciar as diferentes operações criminosas realizadas contra juízes, sindicalistas e opositores, realizadas pelo Estado colombiano, as quais, em documentos conhecidos que provem do DAS, levam o nome de “Operação Amazônia, Risaralda, Europa, Internet , Imprensa, Arauca, Intercâmbio, Halloween e operação Transmilênio”, e este jornalista, na sua denuncia, exige que se conheça a verdade de quem ordenou esta conspiração e ação terrorista do Estado.


A profunda decomposição do regime que visa perpetuar-se a todo custo, encontrou um obstáculo na medida em que a verdade surge, Uribe começou a transição de seu mandato que termina em sete de agosto próximo, com um claro desgaste, isolamento, descrédito e a cada dia serão mais fortes as reivindicações das vítimas e das organizações atingidas, de exigir a verdade, justiça e reparação dos crimes de lesa-humanidade cometidos em nome da fascista “Segurança Democrática”.


Este cenário é ainda agravado por diversos relatórios da comunidade internacional que vem denunciado o ocorrido nos últimos oito anos. O recente relatório “Herdeiros dos Paramilitares” de Human Rights Watch, enfatiza o fracasso da chamada “Lei de Justiça e Paz” quando manifesta o aumento do número de vítimas em meio à crise vive a Colômbia, na contra mão dos relatórios preparados pelo governo, que dizem que a Colômbia é um país em desenvolvimento. A realidade mostra justamente o contrário, e o relatório destaca como o cresce o deslocamento, o tráfico de drogas, assassinatos de sindicalistas, a

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