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Breve atualização biográfica dos traidores do Maio de 68

29.05.2008
 
Pages: 123
Breve atualização biográfica dos traidores do Maio de 68

Hugo R C Souza

Em 2006, quando foi escolhido pela revista IstoÉ o "brasileiro do ano", Luiz Inácio saiu-se com esta: "Se você conhecer uma pessoa idosa de esquerda é porque ela está com problema. Se acontecer de conhecer alguém muito novo de direita é porque também está com problema".

Em 1968, Lula se filiou ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Apenas iniciava sua vida política, que seria marcada para sempre pelo oportunismo e pela subserviência aos poderosos. Mas a bobagem reacionária proferida quando recebeu da IstoÉ aquela honraria picareta poderia ter saído da boca de muitos outros traidores das massas. Em se tratando dos vira-casaca do Maio de 68, Luiz Inácio pareceu lhes roubar as palavras.


Não são poucos os que estiveram à frente dos levantes e agora — com atos, palavras ou ambos — vêm negando a importância e desmerecendo o legado dos acontecimentos do Maio. Aderiram de bom grado à ordem capitalista, trocando o passado de protagonistas de um período importante das lutas revolucionárias por dobradinhas infames com patrões e políticos da direita.


A Nova Democracia listou alguns destes traidores e alguns breves exemplos do alcance de suas traições. Os nomes abaixo estiveram na linha de frente dos enfrentamentos daquele Maio contra o patronato e o aparato de repressão na França e na Alemanha, países que foram palco das maiores resistências anti-capitalistas na Europa daquele ano. Sua exposição ao opróbrio público serve para que as massas fiquem atentas aos sabotadores sorrateiros de seus interesses.

André Glucksmann, o penitente

Tornou-se internacionalmente conhecido em 1967, quando publicou O Discurso da Guerra, livro sobre a estratégia ianque para o Vietnã. Ainda que tenha vivido e participado intensamente dos acontecimentos do Maio de 68, começou a se distanciar da esquerda autêntica antes mesmo de atirar as primeiras pedras contra a polícia parisiense, tecendo críticas de cunho revisionista à revolução soviética. Hoje, defende a invasão ianque do Iraque e apóia a política assassina com a qual Israel massacra o povo palestino.


Recentemente Glucksmann esteve no Brasil para fazer marketing em torno do seu mais novo livro, O Discurso do Ódio, no qual debocha da insensatez dos que atribuem os principais males do mundo aos "imperialistas safados" — palavras dele, de escárnio.


Fez a festa do monopólio nacional dos meios de comunicação, que adora jogar luz sobre polemistas da direita, mas que não perde mesmo é a oportunidade de exibir como um troféu os comunistas penitentes.

Horst Mahler, o nazi

Enquanto membro da Federação Alemã dos Estudantes Socialistas, Mahler foi um dos principais porta-vozes das revoltas de maio de 1968 na Alemanha. Hoje ele se refere ao acontecimentos do Maio como uma "revolução conservadora" ou como "fascismo de esquerda". Atualmente é membro do NPD, partido da extrema-direita alemã que chegou a ser ameaçado de extinção por estar associado ao crescimento dos neonazistas no país, e cujo líder recentemente negou a existência do Holocausto. Levanta hoje a bandeira da hostilidade aos imigrantes, isto no país onde está a maioria dos turcos que vivem fora da Turquia.


No fim do ano passado, quando se encontrou com o jurista Judeu Michel Friedman em um aeroporto de Munique, Mahler o cumprimentou dizendo: "Heil Hitler, Herr Friedman!".

Olivier Rolin, o Judas

Levantou a voz em 2006 contra os que na França se rebelaram contra o Contrato do Primeiro Emprego, que garantiria às empresas a liberdade para despedir os recém ingressados no mercado de trabalho depois de recorrer a eles a seu bel prazer, e que o patronato queria impor à juventude do país. Na época, disse que os protestos das ruas eram de natureza conservadora, porque "não é um movimento que deseja uma sociedade nova".


Assim, com este discurso perfeitamente ajustado à lógica liberal, ele se posicionou ainda a favor do projeto de Constituição Européia patrocinado pelo poder econômico, a despeito da imensa mobilização popular que em 2005 rechaçou a idéia votando contra a ratificação da França ao tratado constitucional. Recentemente, perguntado por um jornalista português sobre a herança deixada por sua geração, a do Maio de 68, Rolin foi taxativo quanto à sua mudança de lado: "Acho que não deixamos nada de positivo".


Ex-dirigente da maoísta Gauche Prolétarienne (Esquerda Proletária), dedica-se hoje a produzir literatices políticas. A personagem central de um de seus livros mais repercutidos, chamado Tigre de Papel, tem cunho auto-biográfico e personifica como muito bem — ponto para o autor — o típico ex-revolucionário de 68 que virou a casaca, ainda que com ares melancólicos ("A Revolução foi a última epopéia ocidental, depois dela todo mundo foi dormir").

Joschka Fischer, o cooptado

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