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Escola sem Partido e Brasil sem Rumo

28.02.2018
 
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Escola sem Partido e Brasil sem Rumo

Escola Sem Partido, aprovado em vários estados brasileiros limitando os professores a apenas transmitir os respectivos conteúdos dos materiais didáticos, é claramente um movimento político conservador que, falsamente, afirma-se não partidário. Apenas apoiado em excessiva ignorância alguém pode pretender vender este "projeto" como "livre de ideologias", ou "imparcial".

 Edu Montesanti 

Enquanto diversos seguidores de EsP não assumem publicamente, alguns líderes disseram abertamente qual a essência desse novo "projeto": "O papel dos professores não é formar cidadãos, mas apenas repetir o que o livro didático lhes dita" (dito, no seguinte vídeo, por um dos idiotas do MBL: https://www.youtube.com/watch?v=ZC7KMKnjO9M). Porém os professores, muito mais que ensinar as respectivas matérias, devem desenvolver senso crítico e criatividade entre alunos.

Assim os professores, especialmente com visão mais progressista que geralmente baseiam o trabalho na conscientização dos alunos, têm sido proibidos de emitir opiniões em sala de aula. A punição proposto por EsP é um processo criminal contra professores que se atrevam a dar qualquer tipo deopinião aos alunos, ou mesmo ir um pouco além dos respectivos livros.

Estudantes patrulham professores, e pais e diretores processam-nos em um tribunal se denunciado por algum aluno: a lei da mordaça no Brasil, um retrocesso aos piores anos da ditadura militar.

Por outro lado, o Brasil enfrenta, há muitos anos, profundo ódio em todos os segmentos da sociedade a começar pela grande mídia e a "alternativa" que, recentemente um sentimento mais aberto devido à crise política e financeira, divide nossa sociedade. O "debate" do EsP, por ambos os lados, contrarios e favoráveis, representam apenas o último capítulo do ódio profundo entre os brasileiros: está incrivelmente polarizado.

Têm havido inúmeras declarações e atos de agressão em nome da liberdade no Brasil. Tornou-se moda terrível (nada surpreendente para muitos) uma retórica revanchista no país sul-americano, é claro, seguida de atos violentos na sociedade local validando a si mesmo o que condena nos outros - em nome da "liberdade" e " justiça social "(na verdade, um antigo Modo de Vida Brasileiro).

Antes de tudo isso, muitos professores, em seu papel de conscientizar estudantes, têm sido tão intolerantes e muito mais "vendedores" políticos que professores na acepção da palavra (em grande parte, em defesa do Partido dos Trabalhadores, em alguns casos realmente promovendo a discussão entre alunos, como professores devem fazer). Portanto, EsP não pode ser discutido sem ser levado ao contexto mais amplo do Brasil.

O menos ruim é o melhor no Brasil (como sempre)?

A própria Constituição brasileira não limita aos pais a educação dos filhos: diz categoricamente que o Estado compartilha essa função com a família. Além disso, soa como grande piada que o professor não tenha o papel de formar cidadãos, e que ele não seja livre para expressar opiniões na sala de aula - com responsabilidade, sempre se recordando de que liberdade sem regras, sem respeito ao espaço do outro, nada mais é que libertinagem.

Os Estados Unidos são o sonho de consumo da extrema direita brasileira: armas, guerras, capitalismo, Walt Disney. Não neste caso, relacionado a Escola sem Partido. Conversando com o ex-agente da CIA John Kiriakou sobre esse "projeto", ele disse: "É loucura que, no século 21, ainda estejamos travando esses debates". O "debate" se o  professor tem ou não o direito de emitir opinião na sala de aula, apenas se encaixa em uma cabeça de direita brasileira.

O que acontece no Brasil é um avanço agressivo e altamente histérico dos setores reacionários; um golpe militar é iminente no país latino-americano com forte apelo moralista (e hipócrita), defendido por grande parte dos defensores do EsP ao afirmar que as Forças Armadas brasileiras são a única instituição honesta do país, o que não é verdade já que, durante a militarização do Brasil (1964-1985), o Exército esteve metido em casos de corrupção, assim como hoje em dia (Corrupção nos Quarteishttps://www.uol/noticias/especiais/corrupcao-nos-quarteis.htm#tematico-1).

Apenas o fato de que alguns defendam hoje outro golpe militar, demonstra que os 21 anos de ditadura militar não beneficiaram a nação - a repressão nunca é a solução, ou esses mesmos elementos não precisariam defender volta ao passado devido à tragédia cultural e moral deste País, apenas abafada pela ditadura como logo em 1985 já ficou claro. Na verdade, faz parte do imperialismo dos EUA tentar, desesperadamente, forçar toda a região à extrema direita.

Ao mesmo tempo, relacionado ao EsP e suas raízes, houve muitos excessos de muitas maneiras, de todos os lados, o que é inegável: nas salas de aula (o que deve ser resolvido entre coordenadores escolares e professores, nunca através de processos criminais) e na defesa (muitas vezes irracional) da profissão docente em oposição ao Projeto em questão, que vulgariza a atividade e o papel do professor diante da sociedade.

Para não mencionar que o próprio "debate" sobre o próprio EsP, muito feroz - o nível cultural brasileiro espelhado nisso, e um sinal evidente de que muitas coisas devem ser feitas no sistema educacional nacional, algo fora de questão, nunca discutido devido a o grande ódio e os antigos interesses políticos que travam a sociedade local.

Veja-se este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=By9fAQnv1jI

Que liberdade de expressão e mais, que tipo de educação e conscientização cidadã este tipo de "professor" acima defende / pode fornecer violando os direitos humanos fundamentais, expulsando à base de chutes, cotoveladas e odenfas outros professores e pais de alunos de um "debate" sobre o Projeto EsP, por diferenças ideológicas? Este é um dilema brasileiro, que mantém o país em um perpétuo lamaçal.

Do mesmo modo, têm havido "aulas" ridículas em que "professores" tentam enfiar goela abaixo dos alunos o Partido dos Trabalhadores, e mesmo o socialismo. Essas práticas, que acabam fornecendo subsídios ao Projeto reacionário, razão pela qual EsP nasceu, acaba levando oponentes desse estado de coisas a outro extremo. Mas não pode ser resolvido em um tribunal criminal, como já foi dito.

É visto no vídeo acima determinado advogado, um dos líderes do "debate", reivindicando a expulsão de professoes e pais em nome da liberdade de expressão; outra advogada diz histericamente a um pai de estudante: "Sou advogada, conheço meus direitos", então saia daqui, não há debate para você!

Os brasileiros também devem debater a própria forma do "debate" no País, o que permitiria desvendar o que está por trás de muitos interesses, a essência de ambos os lados.

Este é o momento de se pensar o sistema educacional no Brasil e a preparação dos próprios professores. A liberdade de expressão tem sido usada, sim, de forma desigual inclusive em emitir opiniões em sala de aula. Algo parece muito errado, uma vez que soluções justas não têm sido discutidas como em todas as questões, o País bem distante da sobriedade vê um "debate" sem saída, obscurecido pela ignorância, pelo ódio e pelos interesses político-partidários.

A selvageria na "defesa" da "liberdade" e da "democracia" mostrada no vídeo acima não se trata de exceção entre brasileiros, não só em oposição ao projeto Escola sem Partido, mas em tudo o que envolve a sociedade brasileira: o Brasil tem visto a onda de declarações de professores, líderes políticos e outros atores importantes na sociedade, que o conservadorismo nacional só será resolvido "na ponta da faca" (de um professor universitário e colunista: https://veja.abril.com.br/blog/cacador-de-mitos/marcos-bagno-o-avesso-de-um-intelectual/), com uma boa pá e um bom túmulo a todo e qualquer conservador, ainda que seja boa pessoa" (líder esquerdista: https://www.youtube.com/watch?v=e1ShzY0Ygr8) , "uma metralhadora contra a maioria dos brasileiros" (fundador do Partido dos Trabalhadores: https://www.youtube.com/watch?v=VN5k078CeDI).

Aqui temos uma discussão sobre o que é possível agora, e o que deveria ser em uma nação utópica. Liberar professores para opinar, promover discussões em sala de aula é bom e necessário, trabalho fundamental dos professores - enquanto respeitam as diferenças e a integridade física do próximo, antes de mais nada como exemplos vivos de cidadania que... deveriam ser, não é mesmo, Brasil?

Mas tudo indica que no caso brasileiro, novamente, temos de optar pelo menos mau: se esse tipo de professor evidenciado no vídeo, que abunda Brasil afora, fosse capaz de transmitir tão-somente o que os livros didáticos dizem, já estaria bom demais!  

Não debater o sistema educacional, uma mudança na postura de professores e um debate sobre o próprio "debate" brasileiro, qualquer debate é hipócrita no país. E a única maneira pela qual a "esquerda" brasileira poderia ganhar este "debate", em tais circunstâncias, seria pela força - parece que este setor se apercebeu muito bem disso.

www.edumontesanti.skyrock.com

Foto: Por Andrevruas - Obra do próprio, CC BY 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=6010771
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