Pravda.ru

Sociedade » Curiosidades

Solidariedade com Cesare Battisti

27.02.2008
 
Pages: 1234
Solidariedade com Cesare Battisti


Nós abaixo assinados nos solidarizamos com o militante político, poeta e escritor Cesare Battisti, preso pela policia Federal em 18 de Março de 2007, no Rio de Janeiro.


Nosso país, sendo regido pela democracia, deve se ater a que a prisão de Cesare Battisti segue na contramão dos preceitos jurídicos que orientam o espírito do Estado Democrático de Direito e os ideais dos direitos fundamentais e humanos, elementos constitutivos da preservação da vida e da dignidade humana.


CESARE BATTISTI é militante de esquerda e participou ativamente dos embates políticos e ideológicos no contexto de guerra fria que permeava o mundo bipolar dos anos 70, tendo sido condenado a revelia em seu país, num procedimento jurídico questionado e rejeitado pela Corte Européia de Direitos Humanos. Ressaltamos que a suspeita que lhe é recaída é inconsistente do ponto de vista jurídico, principalmente decorrente dos anos 70, num tempo onde o mundo foi marcado pelo acirrado conflito ideológico.


Por fim, entendemos que o que requeremos é justo e encontra ressonância e total amparo político e jurídico na nossa Carta Magna que de forma imperativa, declara no inciso LII do artigo 5º da Constituição Brasileira, a não extradição de estrangeiro domiciliado em nosso território, por questão política e ideológica em seu país de origem. - as leis brasileiras não reconhecem sentenças proferidas sem a presença do réu, o que aconteceu com Battisti que se encontrava como asilado político na França à época.


Nestes termos subscrevemos este documento e exigimos sua imediata soltura e arquivamento do processo movido contra ele.

A História

Liberdade à Cesare Battisti

Comitê de Solidariedade à Cesare Battisti

Cesare Batisti e os 40 anos de 68

Fevereiro 25, 2008

Numa dessas quintas feiras. Dia de visita na Policia Federal de Brasília. O lugar não inspira muita confiança, claro. Policiais entram e saem, com as suas mais diversas caras e disfraces. Enquanto nós esperamos pela nossa hora.

15hrs. Passamos com duas sacolas cheias: 4 pacotes de biscoito, 4 pêras, 4 goiabas, 4 maçãs, algumas garrafas de suco, cigarros, 2 livros, 5 folhas de papel soltas, tudo isso até a próxima quinta. Entramos na sala onde vamos encontrar o motivo de estarmos ali. Do outro lado do vidro, do outro lado do interfone, está Cesare Batisti.

Cesare Batisti tem 53 anos e esta preso em Brasília fazem 10 meses. Passou boa parte da sua vida na clandestinidade. E isso por que, como nós agora, acreditou e acredita em um mundo novo.

Na Itália dos anos 70, Cesare integrou os PAC- Proletários Armados para o Comunismo, grupo de vertente autonomista e divergente da organização mais famosa da epoca - As Brigadas Vermelhas.

Diferentemente das Brigadas, os PAC não acreditavam no centralismo operário como o grande motor revolucionário. Vários dos seus membros já tinham participado de outras organizações armadas, mas as tinham deixado por discordarem dos princípios maoístas-leninistas, da linha divisória entre teoria e ação e da hierarquia tradicional dos partidos. Segundo Cesare, “os PAC queriam se diferenciar dos outros grupos rejeitando o nome de “organização”. Eram apenas uma sigla, representativa de “novos” princípios.

Qualquer desconhecido podia agir em nome dessa sigla, sem limites geográficos e com total autonomia. Éramos uma palavra de ordem, que poderia ser apropriada por qualquer sujeito revolucionário que recusasse a doutrina da tomada do poder, tal como era entendida na época.”

Fascinado pelas idéias dos Pac, Cesare passou a integrá-los em 1976. Mas a sua participação não chegou a durar 2 anos completos. Quando as Brigadas Vermelhas assasinam a Aldo Moro, em 9 de maio de 1978, Cesare e outros/as integrantes passam a repensar o uso da violência como resistência e o próprio grupo.

Daí se tira novo slogan dos PAC: “Sim à defesa armada, não aos atentados que acarretem morte humana”. Mas, pelas próprias características da organização - descentralização, autonomia dos coletivos - qualquer tipo de controle não se mostra muito efetivo. E é assim que alguns meses depois, um assassinato de um carcereiro em Milão é reivindicado por um grupo que se identifica também como PAC.

Com esse assassinato, vários/as integrantes dos PAC decidem que, nesse momento, não se podia continuar revindicando “meia luta armada”, como pretendiam com o slogan. Era necessário deixá-la de vez. É e então que Cesare resolve não só sair do grupo, como também tentar disolvê-los, conversando vezes e vezes com seu ex-companheiro Pietro Mutti.

Anos depois, o mesmo Pietro Mutti que o chamou de traidor por essa tentativa de dissolução dos PAC, é preso, torturado, e se torna um “Arrependido”. “Arrependido” é como aqueles guerrilheiros que, depois de presos pelo governo italiano, e em busca de redução de pena ou liberdade, optaram por colaborar com o governo, delatando os companheiros de luta.

Pietro Mutti foi um dos grandes organizadores e idealizadores dos PAC. Depois, vira um dos mais famosos arrependidos. Denunciou a tanta gente, que sua pena de prisão perpétua foi anulada e hoje ele esté em liberdade. Contou tantas histórias diferentes, que chegou a ser ameaçado pelo governo de ser devolvido as celas junto com seus ex-companheiros se não maneiras nas invenções.

Pages: 1234

Loading. Please wait...

Fotos popular