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Concepção espírita dos sonhos

24.09.2008
 
Pages: 12
Concepção espírita dos sonhos

O sonho é um fenômeno corriqueiro, comum a todas as pessoas, que sempre intrigou os seres humanos e que está intimamente ligado ao sono. Quem já não sonhou estar voando? Quem já não sonhou com pessoas falecidas ou desencarnadas...?

por Christiano Torchi

O sonho é um fenômeno corriqueiro, comum a todas as pessoas, que sempre intrigou os seres humanos e que está intimamente ligado ao sono. Quem já não sonhou estar voando? Quem já não sonhou com pessoas falecidas ou desencarnadas...?

Com o advento da Doutrina Espírita, a partir de 1857, muita luz se projetou sobre o enigma do sono e dos sonhos1, cujos princípios repousam sobre o axioma de que o homem é um ser integral, constituído de corpo e alma, independentes entre si, premissa que tem auxiliado grandemente o entendimento do fenômeno. Observando a incapacidade humana de compreender os sonhos, os Espíritos exclamaram: “Pobres homens, que mal conheceis os mais vulgares fenômenos da vida!”2

Todos sonhamos, ainda que não nos lembremos! O sonho, a catalepsia, a letargia3 e o sonambulismo4 são todos fenômenos de emancipação ou desdobramento da alma. O Espírito se desdobra, quando se desprende parcialmente do corpo físico, permanecendo unido a este por um cordão ou laço fluídico5 (conhecido, vulgarmente, como “cordão prateado6”), situação que ocorre diuturnamente nos momentos do sono físico ou mesmo durante um leve cochilo.

Ao dormirmos, ficamos, temporariamente, no mesmo estado em que permaneceremos depois da morte física, motivo pelo qual se diz que o sono é um treino para a morte. Sob esta ótica, pode-se dizer que todos os dias morremos.

O sonho é a lembrança mais ou menos nítida das experiências que o Espírito traz, ao despertar, de sua excursão pelo Plano Espiritual. Constitui, por isso, uma das evidências da realidade da alma. Quando o corpo repousa, o Espírito libera um pouco mais suas faculdades, ao contrário do que acontece quando se encontra acordado, lembrando-se, muitas vezes, do passado e até penetrando o futuro.

Se não dormíssemos, a encarnação e o nosso progresso espiritual certamente estariam comprometidos, uma vez que é no mundo espiritual a nossa pátria verdadeira onde buscamos forças para enfrentar as dificuldades do dia-a-dia, no plano físico. Não sem razão os Espíritos disseram, na q. 402 da primeira obra básica que o sono é a porta que Deus abre aos homens, para que possam relacionar-se com os amigos do céu; é o recreio depois do trabalho.

Graças ao sono, os encarnados estão sempre em contacto mais estreito com os desencarnados e inclusive com outros encarnados. O Espírito jamais está inativo. O sono, além de proporcionar o descanso e o refazimento do corpo físico, facilita a ampliação das percepções psíquicas e fornece maior intensidade ao raciocínio e à memória.

A interpretação onírica é um dos aspectos mais controvertidos deste tema. Muitas teorias exóticas, para não dizer fantasiosas, já se levantaram sobre a interpretação dos sonhos.

Em 1900, Sigmund Freud (1856-1939), considerado o “pai da Psicanálise”7, lançou a obra A interpretação dos sonhos, que trouxe uma contribuição acadêmica importante ao estudo deste interessante fenômeno. Entretanto, Freud não levava em consideração o elemento espiritual, motivo por que as suas teorias psicanalíticas nem sempre explicam todos os fatos relacionados com os sonhos, apresentando, mesmo, diversas lacunas.

Conforme anotado pelo Espírito André Luiz, na obra “Os Mensageiros”, “Freud foi um grande missionário da Ciência; no entanto, manteve-se, como qualquer Espírito encarnado, sob certas limitações. Fez muito, mas não tudo, na esfera da indagação psíquica”8.

Portanto, muito antes de Freud, o Espiritismo já havia desvendado os sonhos, que podem representar diversas situações. Algumas delas são9:

a) visão atual de coisas presentes ou ausentes;
b) visão retrospectiva do passado;
c) em alguns casos menos freqüentes, pressentimento do futuro;
d) comumente, constituem quadros alegóricos (simbólicos) que os bons Espíritos nos apresentam como úteis advertências ou salutares conselhos;
e) de outras vezes, esses quadros alegóricos são produzidos por Espíritos imperfeitos, quando tentam nos enganar e explorar nossas paixões;
f) em outras circunstâncias, o sonho pode representar apenas uma ruminação das experiências vividas durante o período em que o Espírito permaneceu acordado.

Nesse caso, o sonho não retrata propriamente lembranças de fatos ocorridos na espiritualidade, mas apenas criações fluídicas do pensamento derivadas de alguma preocupação ou experiências mais fortes vivenciadas durante o dia, fenômeno designado pela Psicanálise de “restos do dia”.

Como lembram os imortais na q. 404 de O Livro dos Espíritos, “os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de buena-dicha [adivinhos], pois fôra absurdo crer-se que sonhar com tal coisa anuncia tal outra. São verdadeiros no sentido de que apresentam imagens que, para o Espírito, têm realidade, porém que, freqüentemente, nenhuma relação guardam com o que se passa na vida corporal”.

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