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Rankings escolares e a visão empresarial da escola

23.11.2007
 
Rankings escolares e a visão empresarial da escola

Segundo um dos estudos divulgados no livro “Escola, Jovens e Media” Rankings escolares contribuem para a criação de uma visão empresarial da escola

Até que ponto a divulgação dos resultados dos exames nacionais gera pressão juntos dos docentes? O que explica a recente vantagem escolar das raparigas? Porque se fala tanto em insucesso escolar quando os universitários portugueses apresentam performances superiores aos dinamarqueses, suecos ou alemães?

A divulgação anual dos rankings de estabelecimentos de ensino secundário pelos meios de comunicação social – fenómeno relativamente recente na sociedade portuguesa – pressiona os docentes a obter bons resultados e obriga-os a encarar a escola como um sistema competitivo no “mercado escolar”. Com efeito, os resultados dos exames nacionais poderão ser equiparados aos certificados de qualidade das empresas, exigindo aos docentes que estes assumam uma visão empresarial do ensino.

Estas são algumas das conclusões retiradas da obra “Escola, Jovens e Media”, lançada hoje pela Imprensa das Ciências Sociais no quadro de vários pesquisas levados a cabo no Observatório Permanente de Escolas, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). Organizada por Maria Manuel Vieira – socióloga e investigadora do ICS – esta colectânea pretende explorar novos caminhos para a compreensão do lugar da escola na formação dos jovens e da sociedade contemporânea.

Num outro estudo divulgado neste livro, refere-se que mais de metade dos alunos inscritos no ensino secundário são raparigas, que comparativamente com os rapazes, apresentam melhores resultados. A explicação está no facto da escola assumir uma maior importância na construção das identidades das raparigas.

Em análise em “Escola, Jovens e Media”, está também a definição do sucesso escolar nas universidades portuguesas onde se regista uma aproximação às médias de escolarização na Europa. Contudo, e apesar das taxas de frequência do ensino superior em Portugal entre a população com 20 anos de idade estar acima de países como a Dinamarca, Suécia e Alemanha, as preocupações institucionais com o insucesso e o abandono escolar não param de crescer.

Uma reflexão multidisciplinar sobre o ensino em Portugal

Os autores desta obra - cientistas sociais de diferentes proveniências institucionais e especializações disciplinares - abordam o tema da “educação” a partir de diferentes olhares e reflectem sobre questões de grande actualidade: as notícias sobre crianças, os rankings escolares, os psicólogos e a orientação vocacional, a vantagem escolar das raparigas, o sucesso escolar no ensino superior, a autonomia juvenil, o lugar da escola na construção da juventude, professores e modelos de acção.

Helena Rocha, Imago


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