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Em defesa da espiritualidade

16.08.2007
 
Em defesa da espiritualidade

Em defesa da espiritualidade

Posição da Confederação dos Povos de Nacionalidade Kichwa do Equador frente às declarações emitidas por BENTO XVI na Conferência dos Bispos da América Latina e do Caribe (CELAM) no Brasil, em Maio de 2007.


Nós, Povos e Nacionalidades Indígenas do Continente de Abya Yala (América), rechaçamos energicamente as declarações emitidas pelo Sumo Pontífice no que diz respeito à nossa espiritualidade ancestral e os comentários políticos emitidos em relação a alguns presidentes latino-americanos e do Caribe, ainda mais quando tais declarações são feitas diante de um continente no qual o fosso entre os pobres e os ricos se aprofunda cada vez mais, e onde se encontra grande parte da “feligreja” católica do mundo, o que implica séculos de uma “evangelização” que não conseguiu dar como frutos uma vida justa e digna para seus habitantes.

Estas declarações foram proferidas justamente quando a vida Planetária está ameaçada de morte, e não são responsáveis por isto os presidentes que o Papa cita em suas alocuções, mas sim aqueles que, como o presidente norte-americano George W. Bush, desfraldam a bandeira do voraz sistema capitalista neoliberal.


Por este motivo, é inconcebível que sejam os Presidentes
Latino-americanos de viés humanista os que causem preocupação a alguém que se preza por ser o representante de Cristo na Terra.


Está na hora de se compreender que nosso continente tem direito a exercer sua livre determinação. Já não é mais tempo de novas e renovadas conquistas em nome de nada.

Se analisarmos com uma sensibilidade humana elementar, sem fanatismo de qualquer espécie, a história da invasão de Abya Yala realizada pelos espanhóis com a cumplicidade da Igreja Católica, o mínimo que podemos fazer é nos indignar.


Seguramente o Papa desconhece que os representantes da Igreja Católica naquele tempo, com honrosas exceções, foram cúmplices, encobridores e beneficiários de um dos mais horrorosos genocídios que a humanidade jamais presenciou.


Mais de 70 milhões de nativos foram mortos em campos de concentração em minas, em obras etc. Nações e povos inteiros foram arrasados. Basta ver o caso de Cuba, onde para substituir os mortos trouxeram os povos negros que sofreram desgraçada sorte. Usurparam as riquezas dos nossos territórios, para salvar economicamente seu sistema feudal. Nossas mulheres foram covardemente violadas e milhares de crianças morreram por desnutrição e enfermidades desconhecidas.


Tudo isto foi feito sob o pressuposto filosófico e teológico de que nossos ancestrais “não tinham alma”.


Junto aos assassinos dos nossos heróicos dirigentes, havia sempre um sacerdote ou bispo para doutrinar o condenado à morte e convencê-lo a batizar-se antes de morrer, renunciando as suas próprias convicções filosóficas e teológicas.


Recordemos o padre Valverde, que em Cajamarca apresenta a Bíblia a Atahualpa, dizendo-lhe que é a palavra de Deus. O Soberano, vendo que o livro não fala e considerando que a Palavra de Deus falava no coração da Mãe Terra, na água, no vento, na força luminosa do Sol e na fecundidade da Lua, nos batimentos do coração dos seres humanos, animais e plantas, atirou ao solo a Bíblia. Diante disso, o padre Valverde ordenou aos soldados a prisão de Atahualpa.


Posteriormente, o representante nestes territórios do Deus Solar-Lunar foi assassinado, após ser batizado com o nome do seu assassino, Francisco Pizarro


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