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Beber mata

15.02.2011
 

As estatísticas são assustadores. 320 mil jovens por ano - nove por cento das mortes nessa faixa etária, dois milhões e meio de pessoas anualmente, quatro por cento das mortes em todo o mundo, são causadas pelo abuso do álcool. Um novo relatório enuncia uma perigosa tendência nova: mortes relacionadas ao álcool estão afetando os jovens cada vez mais, enquanto beber em excesso torna-se "bacano".

Beber álcool mata. Mata milhões de pessoas todos os anos, entre as pessoas que se tornam dependentes e não podem controlar seu beber, as pessoas que assumem um risco dirigindo sob a influência de álcool, pessoas que têm acidentes de trabalho porque o álcool prejudicou as suas capacidades. Todas estas situações são totalmente inevitáveis - o consumo de álcool é um ato voluntário.

"Beba a cerveja, não os miolos!" era uma expressão usada há uns trinta anos em Angola. Era uma expressão que implicou que uma pessoa sabia beber. Outra, "Negócios são negócios, conhaque à parte", afirmava claramente onde termina a responsabilidade e começa o descanço e divertimento. Aqueles eram outros tempos no entanto 30 anos atrás.

Eram tempos, em termos gerais, em que a maioria das crianças, nas cidades pelo menos, não começavam a beber aos dez anos, indo para a discoteca aos onze e sendo levado para a sala de urgências de um hospital aos doze, em coma alcoólico. Trinta anos depois, há relatos freqüentes dos usuários de discotecas em muitas cidades capitais de que entre os clientes são crianças, um grande número destas sendo vistas desmaiadas no chão do banheiro. Depois, por volta da meia-noite, e

especialmente noites de sexta e sábado, das enfermarias nas urgências nos hospitais infantis começam a encher.

Não é, portanto, surpreendente que os valores para mortes por doenças por causa do álcool estão subindo, respondendo hoje por cerca de 2,5 milhões de pessoas ao redor do mundo. Na verdade, uma em 25 mortes, globalmente, pode ser atribuída à ingestão de álcool. Significa isso 4%. A situação é tão grave que a ONU está encorajando os governos a tomarem medidas concretas antes que o abuso de álcool e seus efeitos atingir proporções de pandemia.

O Relatório Global sobre Álcool e Saúde indica que o uso prejudicial de álcool "cada vez mais afecta as gerações mais jovens nos países em desenvolvimento", onde não tenho nenhuma dúvida descobriram que é "bacano" apanhar "bebedeiras". O relatório afirma que cerca de 6,2 por cento do total de óbitos masculinos são relacionados ao álcool, ao mesmo tempo que representa cerca de 1,1 por cento das mortes entre as mulheres.

Todo ano, 320.000 jovens entre os 15-29 anos morrem por causas relacionadas ao álcool, constituindo-se 9% das mortes nessa faixa etária.

Ala Alwan, Diretor-Geral Adjunto de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OMS, declarou no relatório que "Muitos países reconhecem graves problemas de saúde pública causados pelo uso nocivo de álcool e tomaram medidas para evitar os encargos sociais e de saúde e tratam os que precisam de cuidados ". No entanto, apesar de um esforço concertado da comunidade internacional, ainda há muito a ser feito.

Programas de conscientização pública, foram lançados indicando que beber em excesso de 3-4 unidades por dia para o homem médio, ou duas a três unidades por dia para o sexo feminino (uma unidade é uma dose de 8 gramas ou 1 cl) é perigoso; mas beber em excesso está a aumentar enquanto os hábitos sociais mudam.


Considerando que, no passado, grupos de pessoas ficavam felizes socializarem a noite toda com uma ou duas bebidas (gastando três quartos de hora bebendo cada uma), conversando ou jogando jogos como boliche ou dardos, hoje em dia o objectivo parece ficar bêbado tragando uma meia garrafa de aguardente barata o mais rápido possível antes de sair de casa e depois gastar  o mínimo possível em um bar ou clube ... ou então engolir quantidades industriais de "birita" até cair ao lado.

Programas de concientização e restrição não estão funcionando. O que precisamos no nosso mundo de hoje é de re-educação e transmissão de algum senso comum.

Timothy Bancroft-Hinchey
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