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Do Rio de Janeiro à Palestina: ato denuncia feira internacional de armas em São Paulo

14.04.2018
 
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Do Rio de Janeiro à Palestina: ato denuncia feira internacional de armas em São Paulo

São Paulo sedia o maior evento de tecnologia de guerra da América Latina; ativistas denunciam o lucro em cima da morte

Foto: Feira reúne fabricantes e fornecedores nacionais e internacionais da tecnologia de guerra / Juliana Gonçalves

Juliana Gonçalves, no Brasil de Fato | São Paulo (SP)

O chão manchado de vermelho em alusão ao sangue marcou a abertura, na manhã desta segunda feira (9), da Feira Internacional de Segurança Pública e Privada, em São Paulo. Batizada de LAAD, a Feira reúne fabricantes e fornecedores nacionais e internacionais da tecnologia de guerra.

As manchas no chão fizeram parte da intervenção de um grupo de cerca de cem pessoas formado por moradores das favelas do Rio de Janeiro e ativistas pela liberdade da Palestina por meio do boicote a Israel, um dos maiores fornecedores de tecnologia militar no mundo.

O protesto feito durante o evento, apelidado de "feira da morte", é contextualizado por Soraya Misleh, palestina brasileira, coordenadora da Frente em Defesa do Povo Palestino.

"Mais de  70% do que Israel produz em termos de tecnologia militar. que é um dos principais instrumentos da economia vai para exportação. E o Brasil, infelizmente, se tornou nos últimos 15 anos um dos cinco maiores importadores de tecnologia militar israelense", disse.

Conectados

Na visão de Soraya e das mães e moradores das favelas do Rio de Janeiro presentes na ação, a intervenção federal em terra carioca e a repressão contra o povo palestino são lutas conectadas.

Segundo a reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo em janeiro do ano passado, o Exército Brasileiro fechou acordo de R$ 6,3 bilhões com empresas israelenses para compra de blindados nos próximos anos.

Tanto o treinamento quanto a renovação bélica da Polícia Militar e do Exército brasileiro para os megaeventos esportivos de 2014 e 2016 foram importados das Forças Armadas israelenses.

Soraya relembra também que os drones utilizados na faixa de Gaza em 2014, que levaram a morte mais de 2.200 pessoas, incluindo 530 crianças, estão também aqui no Brasil a serviço da Polícia Militar do Estado de São Paulo e no Rio de Janeiro.

A Faixa de Gaza seria, segundo ela, um laboratório de testes da tecnologia da guerra. "Essa feira de armas, a feira da morte, é simbólica da luta contra esse sistema que continua a promover o apartheid e a colonização e ocupação da Palestina e o genocídio do povo pobre e negro do Brasil", afirmou.

A mesma dor

Marilza Barbosa, liderança comunitária de Duque de Caxias (RJ), conhece bem os resultados desse negócio entre os dois países. As "caveirões" que podem ser vistos em toda ocupação de favelas no Rio de Janeiro são uns dos "bens" do estado adquiridos de Israel. Por conta disso, ela vê a luta pela libertação da Palestina e o combate ao que os movimentos populares classificam de genocídio negro da população periférica do Rio de Janeiro como uma só.

"Eu entendo que as lutas precisam se unificar, a dor é de todos. É população pobre negra e periférica, independente de que região, cidade ela mora, e até de que país ela sofre a mesma violência e sente a mesma dor", afirmou.

Na porta do evento, os manifestantes denunciavam a presença de Raul Jungmann, ministro da Defesa, e lançavam palavras de ordem. "Se as empresas e os estados globalizam a indústria da injustiça e do genocídio, nós internacionalizaremos nossa resistência", afirmavam.

A Feira se encerra nesta quinta-feira (12).

 


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