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Memória revelada

12.03.2010
 
Memória revelada

Arco-Íris revê 17 anos de história em livro

Uma trajetória recheada de lutas, conquistas e emoção. Essa história de 17 anos de existência será retratada em um livro de memórias. Para isso, uma equipe do Grupo se empenha para fazer um levantamento detalhado de todo o histórico de lutas e vitórias tanto do movimento LGBT carioca quanto do nacional.

O lançamento do livro será feito na 15ª edição da Parada do Orgulho LGBT-Rio, primeira Parada realizada no Brasil, e servirá de suporte técnico para ONGs de outros países. O livro também será exposto durante a 25ª ILGA Mundi, Conferência Mundial da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexuais, que acontecerá no dia 4 de dezembro na cidade. A história do Arco-Íris se confunde com a história da ILGA. A conferência foi o ponto de partida da primeira parada do movimento LGBT fluminense, que antes fazia caminhadas de protesto.

Gilza Rodrigues, presidenta do Grupo, destaca a importância do evento nesse momento para o Rio: “hoje, temos uma das maiores Paradas do planeta, fomos eleitos o Melhor Destino Gay do Mundo e contamos com o apoio das três esferas governamentais ao evento. A cidade se transformará em um grande arco-íris de luta pela cidadania de LGBT”.

Nota do Instituto Arco-Íris

Recebemos hoje em nossa sede a Delegação Oficial do Cazaquistão que veio ao Grupo Arco-Íris para conhecer mais de perto os resultados das ações de prevenção e o sistema de testagem automática no âmbito de HIV/AIDS. Vale a pena conhecer um pouco melhor nossos distantes irmãos daquela terra, que igualmente como nós, vem lutando contra a homofobia, tendo conseguido derrubar uma lei que criminalizava terrivelmente a homossexualidade.

A República do Cazaquistão é uma jovem nação com uma extensão territorial que a coloca em 19º lugar entre os países do mundo. Apesar de ser um país surgido muito recentemente no sistema internacional (1991), o território que ocupa possui raízes muito antigas, anteriores à extinta União Soviética e ao Império Russo que lhe antecedeu.

Devido a política de deportações e transmigrações engendrada na época soviética, sob o regime stalinista, hoje o país conta com aproximadamente 131 grupos étnicos. Na verdade, o que começou com a mão de ferro stalinista acabou transformando o Cazaquistão em um laboratório de diversidade cultural e etnográfica.

Sua capital Astana foi fundada igualmente por um povo muito peculiar e de tradição histórica fudamentalmente guerreira, os Cossacos, que ali ergueram um Forte em 1824. Apesar da Constituição do Cazaquistão garantir a liberdade religiosa, o fundamentalismo islâmico espalha-se cada vez mais no país, transformando-se gradualmente na principal força de oposição aos direitos LGBT de seus habitantes.

Uma das principais dificuldades que a comunidade LGBT do Cazaquistão enfrenta é a questão da elegibilidade. Casais homoafetivos abertamente declarados podem votar mas não podem se candidatar a cargos públicos, enfrentando inclusive dificuldade em inscrever-se em concursos. A maioridade jurídica de 18 anos é uma importante brecha para cidadania LGBT cazaquistanesa, que vem desde 1991, apesar de grandes dificuldades criando organizações governamentais que lutam pelos direitos civis de nossa comunidade naquele país.

O grupo Arco-Íris saúda com imenso orgulho e respeito os ativistas pela prevenção HIV/AIDS Irina Savtchenko, Tatyana Rodina, Sergey Skakunov e Nurali Amanzholov. Exatamente porque nós do Grupo Arco-Íris acreditamos em um Brasil melhor é que também acreditamos em uma Comunidade LGBT Cazaquistanesa cada vez mais livre e emancipada. Acreditamos na força da vontade política e da integração em um mundo globalizado que aproxima LGBT’s de realidades culturais e históricas tão diferentes como no caso do Brasil e do Cazaquistão.

O luminoso poeta cazaquistanês Abay Qunanbayuli, em 1889 escreveu versos de rara beleza que encorajam a juventude daquele país a seguir lutando por uma sociedade mais justa e equânime. Apesar da questão da cidadania LGBT ser um elemento contemporâneo a nossas sociedades, podemos perfeitamente nos alimentar deste belo poema chamado Rybenskova, e que como toda poesia, consola, fortalece e embeleza:

“Não escrevo meus versos para o divertimento,
Nem preencho minha poesia com palavras inúteis.
Mas escrevo versos para a juventude, para aqueles
que sabem ouvir atentamente, e tem sensibilidade aguçada.
Homens de visão e respostas rápidas.

Essas são as pessoas que compreenderão minha poesia!”

André Sena – Coordenador de Cultura do Instituto Arco-Íris


"O amor que não ousava dizer seu nome, agora ousa! Liberdade e cidadania para a comunidade LGBT. União Civil já!"

Márcia Vilella | Diego Cotta

Target Assessoria de Comunicação


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