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Cresce suspeita de armação do escândalo sexual que envolveu ex-diretor do FMI

09.12.2011
 

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

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Cresce suspeita de armação do escândalo sexual que envolveu ex-diretor do FMI. 16079.jpegIsolado no Partido Socialista, abandonado por amigos e em crise com sua mulher, o ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn viveu nos últimos meses uma espécie de prisão domiciliar voluntária, em Paris, França.

Entretanto, o chamado auto-exílio foi brutalmente interrompido há 10 dias. O motivo: novas suspeitas de que o ex-favorito na eleição presidencial da França em 2012 possa ter sido alvo de uma armação política.

A nova controvérsia emergiu quando o jornalista Michel Taubmann, biógrafo do economista, lançou na Europa Affaires DSK: La contre-enquête (Os casos DSK: a investigação paralela).

A obra é uma apologia à inocência de Strauss-Kahn, na qual Taubmann defende a tese de que uma armadilha política foi meticulosamente preparada para arrasar a imagem do maior dos "elefantes" do Partido Socialista, como são chamados os líderes do partido.

O autor toma o cuidado de não acusar o partido governista União por um Movimento Popular (UMP) ou o atual presidente, Nicolas Sarkozy, de serem os supostos autores da armação. Mas não exclui a possibilidade.

A diferença da obra de Taubmann são os trechos de entrevistas feitas com o próprio Strauss-Kahn após sua libertação nos EUA. Nesses encontros, DSK afirma ter mantido uma relação sexual "estúpida, mas consentida" com a camareira Nafissatou Diallo, funcionária da rede francesa Sofitel.

O ex-diretor do FMI diz ainda que até a eclosão do escândalo mantinha "uma vida sexual livre", mas sempre dentro dos limites da lei. "Não fiz nada de ilegal", reitera em determinado ponto, negando usar os serviços de uma rede de prostituição descoberta no Hotel Hilton, em Lille - caso pelo qual também está sendo investigado.

O livro de Taubmann é tão parcial que ouve DSK, mas não se dá ao trabalho de fazer o mesmo com a camareira. Em entrevista ao jornal 20 Minutes, o autor justifica a lacuna afirmando que "ela não teria dito grande coisa além da versão que já deu". "O interesse de meu livro reside na investigação que fiz, que traz elementos inéditos", argumenta.

Mas os elementos nem são tão inéditos assim. O livro de Taubmann foi antecedido de uma reportagem publicada há 10 dias pelo jornalista americano Edward Epstein na revista The New York Review of Books e no jornal Financial Times. Sem meias palavras, Epstein retoma a tese de um suposto complô político armado pela UMP.

'Blackberrygate'

O maior elemento de prova seria a suposta invasão da caixa de mensagens de um dos telefones Blackberry de DSK, cuja privacidade teria sido violada no escritório do partido de Sarkozy em Paris horas antes do encontro com Nafissatou. O telefone desapareceu e o rastreamento das mensagens é impossível, pela desativação do sistema que permitia obter a relação dos acessos realizados à caixa de mensagem.

Ao "Blackberrygate" soma-se outra suspeita: Epstein afirma - sem mostrar as imagens - que câmeras do circuito interno de TV do Hotel Sofitel de Manhattan mostram cenas de dois homens comemorando freneticamente por mais de três minutos, ao lado de Nafissatou, momentos após o suposto estupro ter ocorrido.

A conjunção das duas novas suspeitas bastaram para jogar lenha na fogueira da teoria da conspiração. À época do escândalo, 54% dos franceses duvidavam que DSK era culpado.

As hipóteses de armação são reforçadas pelas companhias suspeitas de Sarkozy. Em 14 de maio, enquanto o escândalo se desenrolava em Nova York, Sarkozy assistia ao jogo Lille x PSG no Stade de France, em Paris, ao lado de ninguém menos que René-George "Jo" Querry, diretor de Segurança do grupo Sofitel. Durante o jogo, Strauss-Kahn seria preso. Jo deu a notícia ao presidente, por telefone, na mesma madrugada.

Outro elemento a alimentar as dúvidas é o fato de que o Palácio do Eliseu já foi envolvido em outras denúncias de usar os serviços secretos do país para violar a privacidade de jornalistas e políticos de oposição. Nada disso, entretanto, foi provado até hoje - ainda que os indícios sejam fortes.

 

ANTONIO CARLOS LACERDA é correspondente internacional do PRAVDA.RU


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