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Cuba: Sonho tornado realidade

06.06.2008
 
Pages: 123
Cuba: Sonho tornado realidade

Entrevista: Dirlene Marques

Por Manoel Castanho (*)

A economista Maria Dirlene Trindade Marques, conselheira federal do COFECON pelo estado de Minas Gerais, esteve em Cuba entre janeiro e fevereiro deste ano. O que ela viu naquele país a impressionou tanto, que após a divulgação da carta-renúncia de Fidel Castro, decidiu escrever um artigo a respeito para que fosse publicado no site do COFECON (a publicação ocorreu no dia 1º de abril). Nele, contrastou vários aspectos da realidade cubana, comparando com a situação atual do Brasil. Nesta entrevista ao site do COFECON, Dirlene fala sobre o desenvolvimento de Cuba e o que podemos aprender com a situação daquele país.

COFECON: Na sua opinião, por que ninguém consegue ser indiferente a Cuba? Por que quase todos são admiradores ou críticos da realidade cubana?

Dirlene: Como disse Clovis Rossi, ninguém fica indiferente a Cuba e a Fidel Castro. Mesmo os que a criticam, têm uma grande admiração pelo que a revolução fez com aquela pequena ilha, destinada a ser um segundo Haiti que era, na época, o prostíbulo dos EUA. Havana representa bem esta historia: os casarões, hotéis, cassinos e ate a cópia do Capitólio, tudo hoje transformado em museus. Tem ainda o encanto pelo revolucionário Fidel Castro que, chegando ao poder, não se corrompeu e continua dando toda sua vida e sua história para construir e difundir os princípios socialistas, como a solidariedade e o internacionalismo. Difícil encontrar alguém como Fidel, que defende e pratica o socialismo. Ele e a Ilha representam toda uma geração generosa que lutou, viveu e morreu por um ideal. Representam o guerrilheiro Che Guevara. Representam a geração de 1968 com seus sonhos e utopias. Enfim, Fidel Castro e Cuba simbolizam todas as lutas, manifestações, os sonhos tornados realidade.

COFECON: Quais foram seus primeiros estranhamentos ao chegar a Cuba? O que te surpreendeu logo na chegada?

Dirlene: Não ser agredida por outdoor de propaganda consumista. Os poucos outdoors que encontramos são artísticos ou com frases de estímulos à solidariedade aos irmãos da América Latina ou de estímulos à luta como “Até a vitória, sempre – Che Guevara”. Outra questão que me marcou profundamente foi não encontrar nenhuma criança, nem velho, nem jovem morando nas ruas, andando descalço, mendigando. Não ver pessoas exibindo seus aleijões para conseguir alguma esmola, como nos defrontamos o tempo todo no Brasil.

COFECON: Em outro país, geralmente estranhamos algumas coisas mais caras ou mais baratas do que no nosso país. O que a senhora pode citar como exemplos de artigos mais caros? E mais baratos?

Dirlene: Mais caro do que no Brasil, não encontrei nada. Desde os hotéis aos passeios

turísticos, a entrada em shows, alimentação, normalmente é bem mais barato. Em Cuba, hoje, convivem 2 moedas: o peso conversível (C.U.C.), usado pelos turistas, que equivale a US$ 1,00, e o peso cubano (US$ 1,00 adquire 25 pesos). E, mesmo no peso conversível, nada é mais caro. E, no peso cubano, tudo é muito mais barato. Livros, por exemplo. Comprei um livro do Boaventura de Souza por 8 pesos cubanos. Livro sobre Dom Quixote, de 500 paginas por 20 pesos. Fomos a um restaurante de comida natural, pagamos 5 pesos por um prato.

COFECON: Em seu artigo "Uma visão sobre Cuba", a senhora falou de um outdoor que dizia que "Esta noite, 200 milhões de crianças dormirão nas ruas. Nenhuma é cubana". Contrastamos este cenário com o também mencionado "acesso limitado ao papel higiênico". Da mesma forma, podemos contrastar as "habitações modestas", sendo "98% delas com instalações sanitárias adequadas". Desta maneira, é correto dizer que, economicamente falando, a sociedade foi nivelada por baixo?

Dirlene: Cuba é um pais socialista, pobre. Portanto, busca ter todos os bens universalizados, especialmente os bens que garantem a dignidade do ser humano – saúde, educação, alimentação, vestuário, habitação. Outros bens de consumo duráveis também foram sendo universalizados, como aconteceu há dois anos, quando da revolução energética, onde foram trocados os aparelhos eletrodomésticos por outros mais novos e que economizam energia. Assim, em qualquer casa, na cidade ou no campo, foram trocadas e/ou criaram as condições para que todos pudessem ter uma televisão, liquidificador, geladeira, ventilador e a tradicional panela elétrica para cozinhar a comida típica: arroz com feijão. Portanto é um pais pobre que universalizou os bens essenciais e agora, introduz os bens de consumo duráveis na medida em que podem ser universalizados.



A questão que pode ser colocada é outra: por que Cuba é um pais pobre? Se olharmos no mapa mundi, vamos ver que Cuba é uma pequenina ilha, ao lado de Miami. Constatamos também que tem recursos naturais limitados e que sofre um severo bloqueio econômico desde os anos 60. Até o inicio dos anos 90, todo seu comércio era realizado com os países socialistas do leste europeu. Imagina o que isto representa em termos de custo e de limitação ao seu desenvolvimento! Localizada ao lado dos paises da América Latina, ficava limitada a comercializar apenas com os paises do leste europeu! E tudo piorou com o fim da União Soviética, quando viveram um período dramático.

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