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Sós em Berlim, com Emma Thompson

31.12.2015
 
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A luta solitária e sem meios de um casal de trabalhadores contra Hitler é o tema do filme Sós em Berlim, na competição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, dirigido pelo francês Vincent Perez com Emma Thompson, Brendan Gleeson, Daniel Brühl e Mikael Persbrandt nos papéis principais.

Talvez o nazismo não tivesse se desenvolvido na Alemanha a ponto de provocar uma guerra mundial, se naquela época existisse a Internet e as redes sociais com a incontrolável possibilidade de contestar.Naqueles anos de contrôle total da sociedade pelo Estado nazista, não havia espaço para divergências. Mas, mesmo assim, alguns ingênuossolitários tentaram fazer frente aos desvarios de Hitler e à opressãoda máquina nazista, utilizando os precários meios de que dispunham.

Foi o caso de um jovem suíço, Maurice Bavaud: sem qualquer apoio e agindo individualmente tentou assassinar Hitler, mas esse gestoimprovisado foi punido com seu fuzilamento. Outro jovem, esse alemão, Georg Elser, teve também sua tentativa frustrada e acabou fuzilado quase no fim da guerra.

Entretanto, a tentativa mais precária e visionária de luta contra o nazismo foi a do casal Otto e Elise Hampel. Tanto que as ações pacifistas e mesmo singelas desse casal são consideradas heróicas, a ponto de terem inspirado um romancista alemão, um seriado na televisão alemã, uma peça de teatro e agora um filme selecionado para a competição no 66. Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Logo após o término da II Guerra Mundial, o conhecido escritor alemão Hans Fallada teve acesso a uma parte dos arquivos da Gestapo e lá encontrou o processo contra dois simples trabalhadores, com apenas o curso primário, ela empregada doméstica, e ele carteiro, por terem procurado rebelar o povo de Berlim contra Hitler,

De que maneira, se sequer armas possuíam? Ambos escreviam cartões postais contra o nazismo, nos quais pediam para as pessoas não cooperarem com o governo nazista, não fazerem doações e não se alistarem ou ajudarem o exército alemão. Na falta das redes sociais de hoje, procuravam tornar visíveis esses pequenos cartões, deixando-os nos bancos de jardins e nas escadas de prédios de apartamentos.

O irmão de Elise tinha morrido como soldado na França ocupada e ela e seu marido se rebelavam com o absurdo dessa guerra que sacrificava jovens e civis nas invasões. No filme, o casal tem os nomes de Otto e Anna Quangel e o gesto de desafio ao nazismo é motivado pela morte do filho soldado, na França ocupada.

Quando o livro de Hans Fallada (pseudônimo de Rudolf Ditzen) foi publicado logo após o fim da guerra e pouco antes da morte do autor, o escritor italiano Primo Levi, sobrevivente dos campos de concentração nazistas, considerou-o o melhor livro sobre a resistência alemã ao nazismo.

O diretor do filme, Vincent Pérez, é suíço de Lausanne, filho de pai espanhol com mãe alemã. Este é seu quinto filme. Mais conhecido como ator em numerosos filmes como Rainha Margot, de Patrice Chéreau, e ator preferido de Raoul Ruiz. Viveu com Jacqueline Bisset e Carla Bruni, hoje esposa do ex-presidente francês Sarkozy. Apoiou publicamente o chefe indígena Raoni na luta contra a barragem de Belo Monte.

 

Rui Martins

Rui Martins estará em Berlim, do 10 ao 21 de fevereiro, convidado pelo 66. Festival Internacional de Cinema.

 


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