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A igualdade de direitos em educação

29.02.2012
 

Por Regina Diniz em 29/02/2012

A igualdade de direitos em educação. 16539.jpeg"O número de jovens que sofre depressão dobrou em 12 anos, e centenas de milhares se vêem excluídos da possibilidade de elevar seus níveis de educação e prosperidade... Quando, em 1981, pessoas nascidas em 1958 preencheram um questionário sobre sua saúde mental, 07% apresentaram tendência a depressão não clínica. O número equivalente para o grupo de 1970, entrevistado em 1996, foi de 14 %. A análise indicou que o aumento liga-se ao fato de o grupo mais jovem ter crescido com maior experiência de desemprego. A probabilidade de que portadores de diplomas tenham depressão era um terço menor". (John Carvel, Depression on the Rise among Young - guardian - 27-12 - 2002) Citação feita por Zygmunt Baumann no livro: Vidas Desperdiçadas - Jorge Zahar Editor - 2005.

"Praticamente, em toda a história da civilização, a Educação tem sido para a elite, e as práticas educacionais têm refletido a orientação elitista". (Blankenship e Lilly - 1981.) Somente, há quase um século, houve a identificação deste erro extremamente desumano de segregação social. Houve o reconhecimento desta situação na educação, e diversos grupos, com elevado grau de civilidade, iniciaram a mediação saudável para eliminar tal injustiça inexplicável.Colocaram em debate os comprometimentos mais dignos com o futuro, oferecendo oportunidade de inclusão social às crianças, aos jovens, e a todas pessoas, com necessidades e características diversas, desejosas de crescimento cultural e profissional.

Os jovens deveriam ser bem acolhidos, porque almejam fortalecer a sua dignidade no mercado de trabalho. São corações cheios de esperanças em vivenciar sentimentos de confirmações positivas. E procuram incansavelmente, oportunidades para serem aceitos pela sociedade, e se orgulham dela, acreditando ser um lar digno de lealdade e respeito. Sentem a sua dignidade como trabalhadores, visualizam o sentimento de serem úteis, e almejam um lugar social próprio.

As mudanças na educação ao longo dos anos, evoluíram significantemente para diversas formas, e progressos graduais foram feitos. Os debates tem sido mais reais, em busca de critérios educacionais e sociais mais inclusivos. Abriu-se a aceitabilidade dos direitos à educação para a população em geral, principalmente as camadas mais pobres. Surgiu o reconhecimento da educabilidade e dos talentos criativos, que todos os adolescentes e jovens têm a oferecer as suas comunidades e aos seus pares, independente de classe social. É debatido também o reconhecimento da necessidade de proximidade e interação, entre alunos de diferentes características, sem discriminação em ambientes escolares.

Planeja-se, com dedicação, oferecer oportunidades educacionais mais inclusivas para as crianças, para os adolescentes, e para os jovens, admitindo as diferenças como parte inerente a todos nós. As diferenças entre os alunos em uma sala de aula estão sendo reconhecidas com uma vantagem para a aprendizagem. Precisamos compreender, que modernamente o que é importante nas pessoas e nas escolas, e na cultura é o que é diferente, não o que é igual, não o que é padronizável. Despertamos em tempo de privilegiar as personalidades humanas genuínas, que são o conjunto das qualidades, que caracterizam um indivíduo, ou seja, a sua própria personalidade.

"Michelangelo teve uma idéia! A partir de um enorme bloco de mármore ele decidiu esculpir uma grande estátua de David. A imagem que ele tinha na mente foi a centelha, o estímulo, a inspiração para a obra prima de criatividade que ele realizou com as mãos". (Autor:Wilferda A. Peterson - livro: A Arte do Pensamento Criativo - Editora Best Seller - São Paulo). O nosso imaginário criativo é a nossa essência de ser. Em todas as esferas da vida acontece o mesmo. Idéias são os começos de todas as coisas.

Atualmente nós possuímos o maior legado de talento e criatividade de todos os tempos. A nossa maravilhosa aventura criativa teve início pelo menos dez mil anos antes de Cristo com os primeiros desenhos do homem pré-histórico nas paredes das cavernas. Por intermédio dessas imagens, ele começou a transmitir as idéias que tinha na mente. A descoberta do fogo, a invenção da roda, do barco, e de velas deram início a uma cadeia de descobertas e invenções, que deram forma ao mundo em que vivemos agora. Nossa idéia de uma força criativa no universo também evoluiu, passando de um Deus vingativo que infundia medo e terror, para um Deus de amor.

Por que o nosso Brasil está violento, desigual e elitista? A resposta está em erradamente acreditarmos e investirmos numa educação dirigida só para o crescimento econômico e abdicarmos da responsabilidade ética e não nos sensibilizamos com a justiça social. É impossível negar a existência de milhares de favelas abandonadas a própria sorte. Vivemos numa sociedade excludente, somos atormentados com a sobrevivência, com a falta de perspectiva, com a falta de emprego. Estão trancadas as nossas possibilidades do vir a ser.

Esta busca precisa começar pela escola que sempre assumiu seu papel fundamental na formação de valores como solidariedade, eqüidade, bem comum e democracia. A escola é a única que pode edificar o saber, estimulando o debate da ética, direitos humanos, diversidade, participação política, e paz dentro das salas de aula. Ela é uma importante vertente de cidadania, da segurança, da proteção e inserção da criança, do adolescente e do jovem em seu meio social.

Os professores brasileiros são verdadeiros heróis, nesta missão humanística. Tremendamente mal remunerados realizam o impossível. O poder público não paga especialistas de educação como psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, sociólogos etc... São suportes emocionais e sociais, que esta população requer. Debates, pesquisas, registros escritos, falados, observações, e vivências, são alguns processos pedagógicos indicados para a realização destas atividades ressocializantes. Pagar mal os professores, não investir na estrutura pedagógica, não reconhecer a validez do trabalho humanístico dos professores é não desejar a inclusão social.

Há décadas a educação tem sido negligenciada. O governo não investe nas escolas, as bibliotecas inexistem, a aprendizagem da computação não foi assumida. As escolas estão tristemente paupérrimas. O que ocorre dentro das escolas cotidianamente em ameaças verbais, em agressões físicas, em frustrações por falta de estrutura, impede um bom trabalho. Os jovens vivem em bairros violentos, alcoolismo, drogas, tráfico, violência doméstica, resolução de conflitos com base na agressão verbal ou física, estimulando esses jovens a agir conforme o que vivenciam diariamente.

"O Estado social está se tornando aos poucos, mas de modo inexorável e consistente, em um Estado de guarnição como o chama Henry A.Giroux, descrevendo-o como um Estado que cada vez mais protege os interesses das corporações globais, transnacionais, enquanto aumenta o grau de repressão e militarização do front doméstico. Os problemas sociais são cada vez mais criminalizados, somas bilionárias são utilizadas. A repressão aumenta e substitui a compaixão. Problemas reais como a redução do mercado imobiliário e o desemprego maciço nas cidades - como causas da questão dos sem-teto, da ociosidade juvenil e da epidemia das drogas - são desprezadas em favor de políticas associadas à disciplina, ao refreamento e ao controle". (Henry A. Giroux - livro: Global Capitalism and the Return of the Garrison State, Arena Journal, 19, 2002, pág 141-60) Citação feita por Zygmunt Bauman - Livro: Vidas Desperdiçadas - Ed.Zahar - Rio de Janeiro - 2005.

No jogo da inclusão/exclusão o que custa mais caro? A construção permanente de presídios ou a construção permanente de escolas? A contemporaneidade não acredita em reabilitar, reformar, reeducar e devolver a ovelha desgarrada ao rebanho. Gasta para punir e jamais para reabilitar. Por que? - Acham que a sociedade de consumidores competentes não tem lugar para os consumidores falhos, pobres, incompletos, imperfeitos. A modernidade pratica a paranóia sádica de que os pobres são refugos descartáveis. Precisamos do brilho da bondade divina que diz que todos somos iguais.

*Lúcia Regina Diniz Trindade é palestrante, graduada em Literatura e Filosofia e mora em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

http://www.debatesculturais.com.br


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