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Grécia para desavisados

28.02.2010
 
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Grécia para desavisados

Adelto Gonçalves (*)

ATENAS – Quem desembarca por estes dias do inverno europeu de 2010 no Aeroporto Eleftherios Venizelos, em Atenas, não percebe que está chegando a um país falido, às voltas com uma dívida fiscal astronômica, cujos números o governo fraudou à exaustão em suas prestações de contas à União Europeia. O aeroporto, inaugurado em 2001 dentro do plano de modernização do país para a Olimpíada de 2004, se não é grande para quem chega de Barajas, em Madri, ou de Cumbica, em São Paulo, é moderno e bem organizado. E o serviço de informações funciona bem.

Para ir de táxi do aeroporto até um hotel nas proximidades da Praça Omônia, região central de Atenas e próxima aos principais pontos turísticos da cidade, gasta-se em torno de 40 euros ou 43 euros (se a corrida é depois das 24 horas), viajando-se por uma moderna rodovia construída já neste século. Mas, se não for de madrugada, pode-se usufruir de uma viagem de metrô, também ampliado para a Olimpíada de 2004: o isitirio (passagem) custa cinco euros, se o usuário sair do aeroporto para algum ponto da cidade, mais caro do que quando é comprado nas demais estações. Mas, antes de chegar à Praça Omonia, o turista terá de fazer baldeação na estação Syntagma.

É bom lembrar que a linha um do metrô funciona das 5 às 0h15 de domingo a quinta-feira e das 5 às 2h00 sexta e sábado; e a linha dois das 5h30 às 0h20 todos os dias. De metrô, é possível visitar vários museus e ruínas arqueológicas, sem gastar muito. Para orientação, siga um mapa da cidade que é distribuído no aeroporto e nos hotéis e que traz o patrocínio do Hondos Center, o shopping center mais conhecido do país, com 15 unidades em Atenas e Piréus (Piraeus). No último andar do Hondos Center, na Omônia, há uma praça de alimentação onde se pode comer por 15 euros, em média, e ter uma visão global das históricas ruínas da cidade.

Atenas está também bem dotada de trens modernos (são três as linhas), além de um trem suburbano (Proastiakos). O serviço de ônibus é que deixa muito a desejar, embora os veículos sejam confortáveis e quase sempre trafeguem com pouca gente, todos os passageiros sentados: demoram muito para chegar. Além disso, nem sempre é possível comprar o famoso isitirio, que só é vendido em quiosques e lojas próximas aos pontos de embarque e desembarque. É que o funcionário da companhia responsável pelo serviço de ônibus, muitas vezes, deixa de abastecer aqueles pontos-de-venda e a saída, então, é tentar comprar o isitirio de algum usuário, que, prevenido, tenha alguns desses tickets no bolso.

Falar com o motorista não adianta nada porque não é função dele cobrar passagem. A outra opção é fazer a viagem sem pagar, embora correndo o risco de topar com algum fiscal: se o usuário for flagrado viajando sem o isitirio, é levado à delegacia de polícia mais próxima e obrigado a pagar multa de 60 euros. E não adianta reclamar de que a companhia não disponibiliza o isitirio para quem necessita adquiri-lo e está na cidade de passagem. Mas essa possibilidade é bem remota. Parece que os fiscais estão sempre de férias. Mas não convém arriscar.

Se você vai a Atenas pela primeira vez o melhor mesmo é ficar num hotel nas proximidades da Praça Omonia, mas procure evitar algumas espeluncas que constam do serviço on-line das agências de turismo. São pequenos hotéis – que cobram uma diária de 60 euros por um quarto de casal (o que é caro para o que oferecem) – que ficam numa área de prédios degradados transformada em zona de prostituição e venda de drogas, nas imediações das ruas Aristotelous e Averof e da Praça Vathis. Antes de comprar qualquer pacote, entre no Google e procure ler as mensagens (nada favoráveis) que ex-hóspedes deixaram a respeito dos serviços desses hotéis.

Naquela área, à noite, não é recomendável andar: desempregados provenientes de muitos países da região (Albânia, Turquia, Paquistão) e até da África estão sempre de olho na bolsa alheia – especialmente, em busca de passaportes. Mas assalto à mão armada, como ocorre no Brasil, é difícil de acontecer – quase impossível. Seja como for, não se recomenda a mulheres que andem na calçada com a bolsa pendurada ao braço que está virado para a rua: isso facilita a ação dos ladrões-motoqueiros que atuam sempre em dupla. Nos outros pontos da cidade, a movimentação noturna também é intensa porque o grego dorme pouco à noite (talvez porque goste de dormir à tarde) e prefere ficar pelas ruas em busca de diversão e passatempo.

Os melhores hotéis estão na Syntagma, a praça central da capital, situada junto ao Parlamento da Grécia e ao Túmulo do Soldado Desconhecido. A rua Ermou, com cerca de um quilômetro de boulevard, liga a Praça Syntagma a Monastiraki e tem muitas ofertas aos consumidores locais e turistas. É a área do comércio de luxo em que se pode comprar especialmente peças de vestuário, bolsas e sapatos.

VISÃO DA ACRÓPOLE

Ali perto está a Plaka, região localizada na encosta norte e leste da Acrópole, famosa por sua abundante arquitetura neoclássica, suas ruas estreitas de pedras e paralelepípedos e fechadas para o tráfego de veículos. Atrai os turistas por causa de seu cenário para fotografias. Da Plaka, ao cair da noite, tem-se uma visão inesquecível da Acrópole iluminada.

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