Pravda.ru

Sociedade » Cultura

Variação diatópica do português europeu em África

27.05.2007
 
Pages: 123
Variação diatópica do português europeu em África

Variação diatópica do português europeu em África

Ensaio sobre variação diatópica do português europeu (p.e.) em África - No entanto permita-nos fazer um pequeno reparo: na década de sessenta, durante o período da luta armada contra o sistema colonial português, em Angola e Moçambique, da parte dos intervenientes africanos surgiria a necessidade de um elo de comunicação neutro face à diversidade étnico-linguística, territorial. Seria assim adoptada a língua portuguesa (a do ocupante) como oficial.

Ensaio sobre variação diatópica do português europeu (p.e.) em África - No entanto permita-nos fazer um pequeno reparo: na década de sessenta, durante o período da luta armada contra o sistema colonial português, em Angola e Moçambique, da parte dos intervenientes africanos surgiria a necessidade de um elo de comunicação neutro face à diversidade étnico-linguística, territorial. Seria assim adoptada a língua portuguesa (a do ocupante) como oficial.

por João Craveirinha

Índice –. Capa. - Introdução. - O Caso de Moçambique. – Epílogo: Pode-se falar de um P.M?

Introdução

“E reconhecer que, além disso, em África, se acham em formação uma variante moçambicana e uma variante angolana, que precisam de determinadas condições sociais para vingar.” (Castro 2006:12 apud Guião 10/1 LC – DLGR 2006/2007).

No entanto permita-nos fazer um pequeno reparo: na década de sessenta, durante o período da luta armada contra o sistema colonial português, em Angola e Moçambique, da parte dos intervenientes africanos surgiria a necessidade de um elo de comunicação neutro face à diversidade étnico-linguística, territorial. Seria assim adoptada a língua portuguesa (a do ocupante) como oficial. No caso de Moçambique a partir de 1962, essa necessidade surgiria mais forte após a fusão dos três movimentos nacionalistas africanos do território [1] (Unami, Udenamo e Manu).

Sem dúvida a grande expansão da língua portuguesa na África soit disant portuguesa deve-se não à administração colonial portuguesa mas aos próprios movimentos de libertação africanos. Essa expansão linguística de tipo P.E, penetraria para além dos centros urbanos e periurbanos, alcançando zonas remotas até então sem expressão da língua portuguesa precisamente pela ausência de agentes directos utilizadores da língua portuguesa (locais ou alienígenas europeus). As populações africanas, em muitas dessas regiões do interior do sertão africano, pela primeira vez teriam contacto com um cidadão português europeu (ibérico), através da guerra e na pessoa de um soldado de arma em punho. Isto na década de 60. Angola sofria uma influência acentuada da

francofonia, a norte, fronteiriça ao Congo (Kinshasa) e do inglês a sul com o Sudoeste Africano ocupado pela África do Sul (actual Namíbia) e a leste com a Zâmbia.

Moçambique por seu lado estava rodeado por vizinhos anglófonos a saber: a norte a Tanzânia, a ocidente o Malawi e a Rodésia de então e a sul com a Suazilândia e a África do Sul. Do lado oposto mais a oriente, através do canal de Moçambique, situa-se a grande ilha de Madagáscar, francófona, no entanto devido ao obstáculo da travessia do canal nenhuma influência linguística a ser registada. A característica comum desses territórios africanos nas influências linguísticas tem a ver com a situação histórica de ocupação colonial pela Inglaterra, Portugal e França. A partilha de África pela Europa, na Conferência de Berlim em 1885 [2] , traçaria as fronteiras geográficas com as consequentes zonas de influência das citadas línguas europeias. Foram esses factores diacrónicos que moldariam não só algumas línguas e dialectos baNto mas afectando o português falado em alguns casos. Temos em Moçambique o caso do termo “maningue [3] nice” para dizer muito bom. No xi-ronga, idioma local, da actual região de Maputo alguns termos práticos são inclusive de origem alemã, exempli gratia: (dyi) Hembe [4] para (a) camisa, corruptela de Hemd [5] . No entanto é no inglês (e afrikaans/flamengo) e no português onde a interacção linguística se nota mais pendendo actualmente (2007) para o português pese embora a adesão de Moçambique, em 1996, ao Commonwhealth.

O Caso de Moçambique

Em relação às línguas e dialectos de Moçambique tem havido alguma confusão sobre as definições do que é idioma e o que não é. Não concordamos com Mateus Katupha quando segundo citação diz: “Por exemplo, podemos considerar o changana, o ronga e o tswa dialectos do tsonga, segundo a classificação de Mateus Kaptupha” apud Irene Mendes (2000) pág. 33. Esta contestação provém do facto que não se teve em consideração aspectos diacrónicos e da sua evolução segundo estudos comparados da história no tempo e modo A seguinte citação é elucidativa: Sanches Osório de Miranda (1895) apud João Craveirinha (2001) pág.111: « (…) E a grande verdade é esta, que a maioria nos julga (aos portugueses) ainda machangana, isto é, vassalos do Gungunhana, enquanto não lhe dermos a valer demonstração da nossa força [6] .…» Dentro deste e de outros considerandos (fora do âmbito deste trabalho) se infere que a denominação de nomes foram classificados muitas das vezes segundo o preconceito e maior ou menor comodismo dos missionários [7] deturpando a verdadeira origem das línguas. É o caso do missionário suíço, Junod: «Esta apelação não é amada pelos Tongas, mas não conheço outra que lhe seja preferível». Severino Goenha (a contribuição da Missão Suíça) apud J. Craveirinha (2001), pág.112.

Pages: 123

Loading. Please wait...

Fotos popular