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Cuba – uma breve história de um povo de coragem

27.02.2008
 
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Entra aí o “gigante do norte”.

A autonomia de Cuba causava grandes prejuízos aos interesses dos Estados Unidos que controlavam a indústria açucareira e o comércio exterior de Cuba. Em 1896 o presidente William McKinley decide pela intervenção na ilha.

A despeito das tentativas diplomáticas dos espanhóis os norte-americanos ocuparam a ilha e transformaram-na em colônia dos interesses dos EUA. Um tratado assinado em Paris, em dezembro de 1898, os espanhóis cederam Cuba aos Estados Unidos.

E em 1901 o governo norte-americano permitiu que uma Assembléia Constituinte montada segundo os seus interesses, promulgasse a “independência” da ilha, incorporando ao documento a chamada “Emenda Platt”, que concedia aos EUA o direito de intervir para “a preservação da independência cubana e a manutenção de um governo adequado à proteção da vida, propriedade e liberdade individual”.

Cuba vira protetorado norte-americano e os presidentes são meros governadores dos interesses do latifúndio e das grandes companhias dos EUA. Em três ocasiões na vigência da tal “Emenda Platt”, Cuba foi invadida e ocupada para garantir a tal liberdade.

Com a queda do ditador Gerardo Machado, que contrariava interesses dos EUA ao tentar eternizar-se no poder, surge Fulgêncio Batista, militar e fiel aos norte-americanos, sobretudo a Máfia e que em 1959 seria derrubado por uma revolução popular comandada por Fidel Castro.

CUBA – UMA BREVE HISTÓRIA DE UM POVO DE CORAGEM - II

Laerte Braga

Fulgêncio Batista era um sargento estenógrafo quando encabeçou um golpe militar contra o presidente Gerardo Machado, em 1933. Era mulato e assim o primeiro descendente afro a chegar ao poder. Num primeiro momento isso lhe valeu as simpatias populares que ampliou com medidas contrárias aos norte-americanos.

Passada a lua de mel e percebidos os verdadeiros propósitos de Batista, o general, se auto promovera, foi deposto e retorna eleito em 1940. Promulgou uma constituição de cunho liberal, foi novamente deposto e em 1952 dá novo golpe de estado com apoio de forças populares no pressuposto que o general retomaria as primeiras linhas de seu primeiro governo.

Cuba transforma-se numa sucursal das grandes companhias dos EUA. No campo o controle dos “negócios” do açúcar e do tabaco. Na cidade dos cassinos e bordéis. A "indústria” da prostituição passa a ser a mais rentável da ilha.

O governo de Batista suprime liberdades individuais, associa-se às máfias norte-americanas, aos grandes empresários do Norte e não demora a surgir a reação popular ao regime de terror e barbárie do general Fulgêncio Batista.

A própria classe média começa a abandonar Batista. A violência e corrupção do regime eram às claras. As prisões estavam lotadas dos adversários de Batista e por um breve período, dentre eles, o advogado Fidel Castro, nascido em família de alta classe média.

A área urbana possuía forte infra-estrutura e o capital proveniente do submundo ítalo-americano (dos Estados Unidos) financiava grande parte da economia.

Batista era senhor de um grande bordel. Registre-se que àquela época o BBB ainda não havia aparecido, tudo era ao vivo em Havana e nem Boninho havia nascido. Só os predecessores.

Em março de 1953 um grupo de estudante liderados por José Antonio Etcheverria criam um Diretório Revolucionário e um grupo armado tenta invadir o palácio presidencial. Etcheverria foi assassinado e o grupo se dispersou.

Um outro grupo de estudantes iniciou novo movimento. Eram liderados pelo estudante de direito FIDEL ALEJANDRO CASTRO RUZ. A primeira ação do grupo foi uma tentativa de tomada do quartel de La Moncada. Muitos foram mortos, Fidel preso e condenado a 15 anos de prisão. Solto por interferência de alguns religiosos fugiu para o México e lá conhece Ernesto Guevara, o Chê. Começam a formar um movimento que chamam de Movimento 26 de Julho e iniciam a luta contra Batista. Foram 25 meses de guerrilha.

Em novembro de 1958, ERNESTO GUEVARA LINCHI DE LA SERNA inicia sua marcha para Havana e no dia 1º de janeiro de 1959 Batista e seu governo fogem do país.

O curioso é que os comunistas tradicionais apoiavam Batista e viam Fidel com desconfiança. Foi assim anos mais tarde na Bolívia, onde fracassaram e não cumpriram os acordos feitos com a guerrilha de Guevara naquele país.

Fidel mobiliza a juventude, elimina o analfabetismo (40% da população) em um ano valendo-se de 100 mil jovens, faz a reforma agrária, desapropria propriedade de norte-americanos, indenizados pelos valores que declaravam ao imposto de renda cubano, cria atritos, por isso, com os Estados Unidos que, já no primeiro momento da revolução treinam militares de Batista para tentar derrubá-lo.

Fidel, que até então não era comunista aproxima da União Soviética e em dois anos declara marxista o governo de Cuba.

Em abril de 1961 cerca de mil e quinhentos exilados cubanos recrutados e patrocinados pela CIA (AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA), tentam uma invasão na Baía dos Porcos. Foram derrotados, 300 deles morrem e um mil e duzentos são feitos prisioneiros. Fidel leva-os a julgamento num estádio e a multidão de cubanos exigia que fossem fuzilados aos gritos de “paredón”. Castro, no entanto, troca-os por tratores e 50 milhões de dólares em alimentos e medicamentos.

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