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Buenos Aires: Parabéns Café Tortoni!

26.11.2008
 
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Buenos Aires: Parabéns Café Tortoni!

Impossível andar pela cidade de Buenos Aires sem galgar as grandes avenidas como a 9 de Julho indo pelas paralelas Cerrito e Carlos Pelegrini, Corrientes, Santa Fe, Córdoba, a ruas Florida e Lavalle, nesse ponto mágico do micro centro portenho que é imã dos turistas que no mínimo no primeiro roteiro pela cidade fazem pouso lá. Deixar fora deste circuito a Avenida de Mayo (Maio) é ruim mesmo!! Ela nasce na Casa Rosada, sede do Governo Argentino e muda de nome após a Praça do Congresso, tendo ganho placas de Avenida Rivadavia além da praça. Nesse berço de grandes prédios históricos como o Hotel Castelar e o Palácio Barolo, na outra beira e antes do cruzamento da 9 de Julho, localiza-se o maravilhoso Café Tortoni portenho (www.cafetortoni.com.ar) que nesta quarta 27 de Novembro de 2008 lança e abre seu livro oficial comemorando o primeiro século e meio de vida, na Rua Esmeralda primeiro, Rua Rivadavia depois e compartilhando a Avenida de Mayo e Rua Rivadavia logo, mas sempre no mesmo prédio.

Foi monsieur Jean Touan quem fundou o TORTONI portenho, na rua Esmeralda com a travessa Rivadavia, perto do Hotel Francês, e quase com certeza querendo lembrar aquele estilo do barzinho parisiense do Boulevard des Italiens. O segundo proprietário, Dom Celestino Curutchet acabou «carimbando» o perfil do TORTONI e mudando-o da Rua Esmeralda para a Rua Rivadavia 174, que assim que a Avenida de Mayo foi desenhada, ia ser a «porta de serviço» do famoso CAFÉ. O dia 12 de Novembro de 1918, comemorando o fim da Primeira Guerra Mundial, ouviu-se «A Marselhesa»!!. Na opinião de muitos, o TORTONI assemelha-se ao do Gijón de Madri, San Marco de Trieste, o Café de la Parroquia em Veracruz.

O TORTONI ia mudar os proprietários no futuro após o Curutchet falecer em 1925. Mais um ano depois, o filho mais velho do Celestino, também falece dando uma de caixa, do outro lado do balcão. A família decide então vender o TORTONI para a empresa Rey Irmãos e Pego. Acabaram sendo muitas a mudanças em um trecho de tempo muito pequeno provocando crises na estrutura empresarial do CAFÉ.

O progredir do TORTONI ia começar mais uma vez na hora que a razão social Gran Café Tortoni S.R.L. segurou essa barra para sempre á partir do 1° de Novembro de 1956. A empresa estava formada pelos garçons da velha-guarda e empresários com ampla experiência nos outros barzinhos do estilo de Buenos Aires.

Yaco Alboher, Benjamín Rodríguez, Raúl Cardozo e Joaquín Arias, foi a primeira turma de proprietários que em alguns casos continuaram com as tarefas de garçons mesmo tendo investido como donos. Um cara com apenas 23 anos, também foi parte, tratava-se do atual Gerente Geral, Dom Roberto Fanego.

O TORTONI, mudou até de estilo de música nas noitadas pois mesmo tendo TANGO sempre, a época de ouro do folclore argentino, fez como que o CAFÉ recebesse música que poderíamos chamar «sertaneja». Música de rodeio...talvez. Atahualpa Yupanqui e os Irmãos Ábalos foram alguns dos destaques dessas noitadas sertanejas portenhas.

O PRAVDA visitou o famoso TORTONI na sexta 14 de Novembro no eixo do meio-dia e foi recebido pelo Gerente Geral, o Sr. Roberto Fanego e o Sr. Ruben Landolfi, fundador da revista Buenos Aires Cultural (www.buenosairescultural.com) que poderíamos confirmar vá de mãos dadas com os Cadernos do Café Tortoni, nosso destaque de hoje.

Assim que a Avenida de Mayo acabou de “farol aberto” para o tráfego da época o dia 9 de Julho de 1894, o TORTONI não poderia deixar passar sua oportunidade de mostrar-se na grande vitrine dessa maravilhosa avenida, porém o 26 de Outubro desse ano o TORTONI começa mexer com o olhar da multidão portenha que tinha a Avenida com um dos roteiros requintados no fim do século XIX.

Andando pela Avenida e na hora que se alcança o atual número de placa 829, é tanto luxo assim que reflete esse ícone arquitetônico portenho que ás vezes alguém poderia imaginar que os preços do “cardápio” do TORTONI, ia ficar fora do alcance do bolso da grande maioria. Acho que esse sentimento foi o meu sendo ainda moleque nas primeiras viagens deste correspondente montevideano rumo a Buenos Aires.

A surpresa foi grande na hora que lendo o livro oficial do TORTONI, presenteado com antecedência ao lançamento pelo Roberto Fanego, íamos descobrir que a boêmia dos séculos XIX e XX chateava as mesinhas do TORTONI enterrando apenas um cafezinho no decorrer da noite toda, pois boêmio foi o ambiente que o CAFÉ recebeu desde o início.

Este correspondente PRAVDA é uruguaio da gema, e foi um grande privilégio ter descoberto faz alguns meses que houve mais um Café TORTONI no antigo 388 da Avenida 18 de Julio (18 de Julho) de Montevidéu.

Nesse ida e volta constante de povos irmãos que houve desde sempre entre uruguaios e argentinos, mas concorrendo pelo futebol, o basquete, o berço do doce de leite, o asadão mais terno e gostoso do mundo, além da nacionalidade do Carlos Gardel como ícone do TANGO, nossa pesquisa e descobrimento é apenas uma contribuição cultural para o Café TORTONI de Buenos Aires, que hoje é o único TORTONI que existe no mundo todo.

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