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Fernando Pessoa político

26.08.2010
 
Pages: 12

(...) E, porque foste, confiando

Em QUEM SERÁ porque tu foste,

Ergamos a alma, e com o infando

Sorrindo arroste,

Até que Deus o laço solte

Que prende à terra a asa que somos

E a curva novamente volte

Ao que já fomos,

E no ar de bruma que estremece

(Clarim longínquo matinal!)

O DESEJADO enfim regresse

A Portugal!

Para se entender este poema, o ideal é que o leitor tenha à mão também os textos de Páginas de Doutrina Estética, que vieram à luz em 1947, e de O Interregno – Doutrina e Justificação da Ditadura Militar em Portugal. Talvez possa concluir que o poeta como pensador político tenha sido contraditório ou ingênuo. Mas, antes de chegar a essa conclusão, deve levar em conta que não é a forma que define um bom governo, mas o seu caráter. Uma república com parlamento aberto pode ser tão opressora, despótica e corrupta quanto uma monarquia absolutista como aquelas que ainda hoje existem no Oriente Médio. Exemplos não faltam.

III

Brunello De Cusatis é professor associado e responsável pela cátedra de Literatura Portuguesa e Brasileira e de Língua Portuguesa e Brasileira da Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade Perúgia, Itália. Além de publicar numerosos artigos em jornais e revistas especializadas, preparou a tradução para o italiano de várias antologias de escritores lusófonos, como os angolanos José Eduardo Agualusa e João Melo, o português Mário Claúdio e os brasileiros José Clemente Pozenato e Sérgio Faraco, todos publicados por Morlacchi Editore, de Perúgia.

Em relação a Fernando Pessoa, organizou o volume Scritti di Sociologia e Teoria Política (Roma, Settimo Sigillo, 1994), Politica e Profezia. Appunti e Frammenti 1910-1935 (Roma, Antonio Pellicani, 1996) e Economia & Comercio. Impresa, monopolio, libertà (Roma, Ideazione, 2000).

De Cusatis é ainda autor da monografia O Portugal de Seiscentos na “Viagem de Pádua a Lisboa”, de Domenico Laffi. Estudo Crítico (Lisboa, Editorial Presença, 1998), Tra Italia e Portogallo. Studdi storico-culturali e letterari (Roma, Antonio Pellicani, 1999), e Esoterismo, Mitogenia e Realismo Político em Fernando Pessoa (Porto, Edições Caixotim, 2005).

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FERNANDO PESSOA: ALLA MEMORIA DEL PRESIDENTE-RE SIDÓNIO PAIS , com tradução e ensaio-introdução de Brunello De Cusatis. Perúgia, Itália: Edizioni dell´Urogallo, 56 págs., 11 euros. Site: www.urogallo.eu

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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br

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