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No Brasil, polícia mata cinco pessoas por dia

26.07.2014
 
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Polícia mata cinco pessoas por dia e justificativa é legitima defesa e resistência - No Brasil, especialistas e parentes de vítimas de mortos por assassinatos contestam alegações policiais de resistência, estrito cumprimento do dever e legítima defesa, que são apresentadas como justificativas da polícia.

Por ANTONIO CARLOS LACERDA

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Morto com um tiro à queima-roupa, atestado pelo laudo do Instituto Médico-Legal, Marcelo da Fonseca, então com 29 anos, teria trocado tiros com a polícia em uma operação na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, Sudeste do Brasil. Teve, então, sua morte registrada como auto de resistência.

 

No Brasil, casos como este, em que homens e mulheres são supostamente mortos em confronto com policiais, vitimam, diariamente, cinco civis. O dado faz parte de um levantamento inédito do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

Segundo a pesquisa, com respostas de 23 estados federados, 1.890 pessoas morreram em 2012. No mesmo período, 89 policiais civis e militares foram mortos em serviço em todo o país. A relação foi de 21 civis mortos para cada policial morto.

 

O FBI, polícia secreta dos Estados Unidos, por exemplo, diz que é aceitável, no máximo, a relação de 12 civis mortos para cada policial morto. Organizações internacionais falam em dez civis mortos para cada policial morto.

 

"O número é inaceitável. Nos Estados Unidos, que têm população 60% maior que a do Brasil, em 2012, 410 pessoas foram mortas em confronto com a polícia. No México, que tem taxa de homicídio bastante próxima à do Brasil e vive uma guerra civil, a polícia mata menos", diz Samira Bueno, secretária executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

De acordo com os dados, em números absolutos, São Paulo, Rio e Bahia são os estados onde mais casos de resistência seguida de morte aconteceram. Somados, os três Estados foram responsáveis por 1.322 mortes de civis por policiais.

 

Consultora do Banco Mundial e pesquisadora da área de segurança pública, Adriana Loche diz que a dificuldade de controle da letalidade policial no Brasil é em grande medida explicada pela autonomia que as polícias militares têm, "em parte porque são militarizadas, em parte porque há o espírito de corpo da instituição".

 

Por serem militarizadas, as polícias militares pensam: como um civil, que no caso é o secretário de Segurança Pública, vai comandar militares? Isso faz a instituição se fechar. E, no caso das investigações das corregedorias das PMs, o problema é que elas vão punir o que acham que seja uma violação; e, na sua visão, um policial matar em confronto não é considerado violação, é visto como alguém se defendendo.

 

ANTONIO CARLOS LACERDA é Correspondente Internacional do PRAVDA.RU

 


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