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'Ninguém me Contou, eu Vi'. Um livro de Sebastião Nery

24.05.2020
 
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'Ninguém me Contou, eu Vi'. Um livro de Sebastião Nery

 

Valci Barreto*

Adaptei-me bem à leitura em livros digitais, especialmente no aparelho KINDLE,  do AMAZOM. Foi através deste site  que adquiri a obra de Sebastião Nery,   NINGUÉM ME CONTOU, EU VI.

No curso ginasial , fui aluno da sua irmã, querida Tereza Nery, de quem recebi de presente  o livro SEPULCRO CAIADO, autografado pelo próprio, lembrando até hoje da citação bíblica ...sois sepulcros caiados....,escrita na primeira página do livro, e seus polêmicos e geniais textos  retratando seus embates com Juracy Magalhaes.

NINGUEM ME CONTOU, EU VI, como todo livro de Sebastião, tem  muita política, estória, história, humor, documento. Li -o com o prazer que nos provocam todos os seus escritos.

As  apresentações , contidas no livro,   a respeito de  Sebastião,  já vale a pena tê-lo  em nossa companhia.

A entrevista que ele faz ao  jornalista  HELIO FERNANDES, aquele que era preso quase todos dias no governo militar, vale por um curso ou pelo menos um semestre do que era o jornalismo, jornalista , jornais, e política à  época.

Uma história sempre leva a outra. Gosto de biografia . E as escritas por ou  a respeito de vidas de jornalistas  são,  para mim , as mais interessantes, sobretudo as autobiografias.

É que estes profissionais não somente têm uma vida de movimento permanente  , como pensam , escrevem, participam da intimidade de grandes momentos e personagens da história de qualquer época. E Sebastião é um dos que mais se movimentou, circulou, escreveu , palestrou, viajou, vivenciou as entranhas de mudanças em nossa história política, desde a sua adolescência até os tempos de hoje.

NINGUEM ME CONTOU EU VI, não pode deixar de ser lido por quem gosta de POLITICA, JORNAL, REVISTA,  ESTÓRIAS, HISTÓRIA, sobretudo a história política de Vargas até o governo Dilma.

A aula do que é o espírito de jornalista, na entrevista que ele faz com HELIO FERNANDES, do jornal TRIBUNA DA IMPRENSA, é a contação de uma história de vida, de jornalismo, desde o momento de pensar para escrever,  escrever , editar , publicar , distribuir, vender o jornal.

Estamos falando do jornalismo de antes das redes sociais , mas cujos princípios, lições continam valendo para os dias de hoje.

Tudo igual, faltando apenas a impressão em papel.

Jornal impresso está morrendo. Como será o futuro, não se sabe. Mas a notícia, o fato, a idéia  e o conteúdo permanecerão. E  esta é a parte que mais interessa ao leitor. E a que  mais está presente em NINGUEM ME CONTOU , EU VI.

Ninguém me contou, eu vi « Geração Editorial

Na obra, Sebastião conta o que diz o título. E um dos casos mais hilariantes foi o  enterro da gatinha de JANIO QUADROS, com um Jânio choroso, lacrimoso, com pessoas acompanhando o velório  no jardim da casa do "homem da vassoura",  entre elas o próprio autor.

Indico a leitura em qualquer tempo. Mais ainda nestes  de corona , recolhimento social e agitação de toda ordem  nas redes sociais.

*Valci Barreto, jornalista, advogado e aprendiz de tocar violão

 


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