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Os 300 anos da vila do Recife

23.07.2009
 
Os 300 anos da vila do Recife

Por Leonardo Dantas Silva

No próximo dia 19 de novembro, o Recife vê transcorrer os 300 anos de sua emancipação política sem que nem a prefeitura, câmara municipal e mesmo qualquer instituição cultural tenha atentado para a importância de tal data. A separação do Recife da cidade de Olinda aconteceu em 19 de novembro de 1709, por força da carta régia assinada por D. João V criando a Vila de Santo Antônio do Recife, circunscrita ao território do bairro do Recife e, na ilha de Santo Antônio, os bairros de Santo Antônio e São José.


Na época, governava a capitania de Pernambuco Sebastião de Castro Caldas (1707–1710) a quem coube implantar a nova vila com a instalação do seu pelourinho, símbolo do poder municipal, em 15 de fevereiro do ano seguinte, no hoje desaparecido Largo do Corpo Santo (Bairro do Recife), e de sua própria Câmara a quem caberia a administração municipal. A transformação da primitiva “povoação” em vila deu causa ao acirramento dos ânimos entre a nobreza da terra, ciosa de que “esta terra fora conquistada pelos seus antepassados aos holandeses”, e nova classe de comerciantes portugueses apelidados de mascates.


A criação da Vila de Santo Antônio do Recife foi de pronto contestada pelos habitantes de Olinda que, em 7 de novembro de 1710, encabeçaram um movimento armado posteriormente denominado de Guerra dos Mascates.

Tal sedição logo provocou a fuga para a Bahia do governador Sebastião de Castro Caldas, a demolição do pelourinho da nova vila e uma série de acontecimentos que culminaram com a posse, em 15 de novembro, do bispo dom Manuel Álvares da Costa no governo da capitania, mediante certas condições impostas pela chamada nobreza de Olinda; uma espécie de tentativa de um contrato social entre os habitantes de Pernambuco e a Coroa portuguesa. ra o Recife naquele início do século XVIII uma povoação de 15.000 habitantes, com o seu comércio orientado por portugueses chegados após a expulsão dos holandeses e comerciantes judeus (1654).


Em documento da época (1709), acerca das reclamações dos vereadores da Câmara de Olinda sobre a constante presença dos governadores no Recife, o ex-Ouvidor de Pernambuco, João Guedes de Sá (1701-05), informa ao rei que “a emulação dos moradores de Olinda para os do Recife já passou a ser ódio, que os pais ensinam aos filhos como se fosse catecismo da Doutrina Cristã e talvez primeiro; os do termo os imitam por opinião ou inveja dos cabedais do Recife e como se querem apropriar as governanças empurram para eles os gravames e mais os agravos, talvez como bem arriscados motivos para muitas ruínas no comum e particular dos que vivem quietos. Daqui vem que não lhes contenta o que não se encaminha a destruir o Recife e querem ter os governadores e ministros como ferrolhados em gaiolas”.


A Vila de Santo Antônio do Recife de então teve a sua paisagem descrita pelo licenciado Manuel da Costa, in Calamidades de Pernambuco, manuscrito concluído entre 1746 a 1749. A descrição do cirurgião encontra-se de acordo com a cartografia da época, de autores desconhecidos, como a Planta Genográfica da Villa de Santo Antônio do Recife (1749), e a Configuração da Villa de Santo Antônio do Recife, assinada pelo cartógrafo José Gonçalves da Fonseca e datada de 31 de março de 1766.


Assim, sem qualquer pompa ou circunstância, o Recife vê passar, em 19 de novembro deste ano, os 300 anos de sua independência política e administrativa.


Clóvis Campêlo no Clóvis Campêlo


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