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Escravidão e migração portuguesa no Brasil

22.01.2007
 
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Hoje, já nada disso persiste. Até porque se encerrou na última década de 50 o ciclo mais agudo da migração de portugueses para o Brasil. E é essa geração — em muitos casos, os seus filhos — que está à frente de clubes e associações que mantêm vivas as tradições lusas e que, vez por outra, ainda promovem apresentações de cantores “pirosos”, que já pouco têm a ver com o Portugal de hoje.

O futuro de muitas dessas associações — sobretudo as menos expressivas — é incerto por falta de interesse das gerações mais jovens. Tudo isso explica a decisão do governo português de fechar as portas de vários consulados espalhados por cidades brasileiras e de outros países da América do Sul, talvez para concentrar esforços na assistência aos portugueses estabelecidos nos EUA, Canadá, França, Alemanha, Inglaterra, Luxemburgo, África do Sul e outros países.

Hoje, o que se tem dado é o contrário: a migração de brasileiros para Portugal, o que constitui a prova mais cabal do fracasso da atual geração de políticos e administradores brasileiros, que não têm sabido encontrar saídas para o crescimento econômico do País. Por suas dimensões, o Brasil ainda deveria continuar a atrair mão-de-obra. E não a exportar.

Tráfico, cativeiro e liberdade reúne ainda mais nove estudos que buscam resgatar a história da escravidão no Rio de Janeiro, porto pelo qual entraram cerca de 40% dos escravos destinados ao Brasil. Como explica no ensaio “O comércio de escravos novos no Rio setecentista” o historiador Nireu Oliveira Cavalcanti, doutor em História e professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal Fluminense, embora a receita obtida pela Coroa com a entrada de negros novos pelo Rio de Janeiro não fosse expressiva — cerca de 3% da receita da Alfândega —, o seu comércio era fundamental para mover a produção colonial.

Segundo cálculos do pesquisador, no século XVIII, 675.481 seres humanos desgarrados de sua terra natal entraram pelo porto do Rio de Janeiro para servirem como escravos às populações das capitanias do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e tantas outras que se abasteceram no permanente e próspero comércio negreiro do Rio de Janeiro.

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TRÁFICO, CATIVEIRO E LIBERDADE: RIO DE JANEIRO, SÉCULOS XVII-XIX, de Manolo Florentino (org.). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 417 págs,. 2005.

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(*) Adelto Gonçalves, doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo, é autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – O Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: adelto@unisanta.br

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