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Novo encontro dos povos da floresta será em setembro, em Brasília

21.06.2007
 
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Memória

O I Encontro dos Povos da Floresta aconteceu juntamente com o II Encontro Nacional de Seringueiros, em Rio Branco, entre 25 a 31 de março de 1989. Estiveram presentes 187 delegados seringueiros e indígenas do Acre, Amazonas, Pará, Amapá e Rondônia. A Aliança dos Povos da Floresta foi formalizada no evento e suas grandes reivindicações eram o reconhecimento oficial e a defesa das terras dessas populações, a implementação de políticas que garantissem sua sobrevivência e sua cultura.

A articulação chamou a atenção da sociedade brasileira e internacional para o problema fundiário e o desmatamento na Amazônia. Também consolidou os povos da floresta, em especial seringueiros e indígenas, como interlocutores políticos. O movimento que deu origem ao encontro e a Aliança dos Povos da Floresta nasceu na onda de mobilizações ocorridas por conta da redemocratização do País e da Assembléia Nacional Constituinte, no final dos anos 1980.

Chico Mendes foi um dos grandes inspiradores do encontro, que foi realizado ainda sob o impacto de sua morte. O líder seringueiro foi assassinado em 22 de dezembro de 1988, em Xapuri (AC), na porta de sua casa. Ele participara da fundação do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), em 1985, e fora ao Senado dos Estados Unidos, em 1987, para denunciar o financiamento internacional de projetos de devastação das florestas brasileiras. As denúncias fizeram com que os projetos fossem suspensos e Chico fosse acusado por fazendeiros e políticos de prejudicar o "progresso" do Estado do Acre. Vários dos líderes que participaram do encontro também estavam sob ameaça de morte.

Foi a Aliança dos Povos da Floresta que juntou os ideais de uma reforma agrária ampla e da conservação ambiental. Era preciso, então, não apenas garantir o direito à terra das populações indígenas e dos seringueiros, mas também os recursos naturais que em que estavam baseados o seu modo de vida tradicional. O movimento também foi responsável pela divulgação da idéia das Reservas Extrativistas.

“Havia um senso comum de que a floresta estava sendo desmatada pelas populações locais e quem se interessava pela conservação estava nas grandes cidades. Isso mudou a partir daí”, relembra Steve Schwartzman, diretor do Programa Internacional da Environmental Defense – ED – organização sediada em Washington (EUA). Ele foi uma das pessoas que ajudou a divulgar internacionalmente a luta dos seringueiros e da Aliança dos Povos da Floresta. Schwartzman considera que o conceito de Reserva Extrativista é um dos grandes legados da mobilização dos povos da floresta, inclusive como uma idéia genuinamente brasileira.

Declaração dos Povos da Floresta - Março de 1989

As populações tradicionais que hoje marcam no céu da Amazônia o arco da Aliança dos Povos da Floresta proclamam sua vontade de permanecer com suas regiões preservadas. Entendem que o desenvolvimento das potencialidades destas populações e das regiões em que habitam se constitui na economia futura de suas comunidades, e deve ser assegurada por toda nação brasileira como parte da sua afirmação e orgulho.

Esta aliança dos Povos da Floresta reunidos – índios, seringueiros e ribeirinhos – iniciada aqui nesta região do Acre estende os braços para acolher todo esforço de proteção e preservação deste imenso porém frágil sistema de vida que envolve nossas florestas, lagos, rios e mananciais, fonte de nossas riquezas e base de nossas culturas e tradições.

Conselho Nacional de Seringueiros (CNS)
União das Nações Indígenas (UNI)

Fonte: http://www.socioambiental.org

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