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Berlim, a ilusão americana

21.02.2016
 
Berlim, a ilusão americana. 23824.jpeg

Convalescendo de uma pneumonia, o cineasta documentarista, escritor e provocador Michael Moore não pôde vir lançar seu novo filme Onde Será a Próxima Invasão. Para não ficar um vazio entre seus admiradores, Moore enviou um vídeo, ao que parece trajando um roupão, mas já em casa.


Os Estados Unidos costumam resolver tudo na força e na violência, invadindo e desfechando guerras sem negociar antes uma solução pacífica, utilizando mentiras se for necessário e ignorando a ONU quando isso lhe convém.

Michael Moore propõe um tipo de invasão diferente - em lugar do petróleo, buscar nos outros países, sem dar nenhum tiro, aquelas iniciativas e soluções inexistentes entre os americanos, embora tantos latinos pensem ser os EUA, o Eden criado por Deus.

Algumas horas antes da projeção do filme de Moore, tinha sido Spike Lee quem insistira no fato dos EUA ser um país violento e com sua cultura calcada em cima do dólar e do lucro. Onde Será a Próxima Invasão vai na mesma linha, porém, não de maneira acusatória e sim para evidenciar as falhas e atrasos dos americanos nas questões trabalhistas, educacionais, de direitos humanos e assim por diante.

Entre soluções superiores às encontradas pelos americanos estão o sistema de saúde e previdenciário dos franceses ; a política de legalização de certas drogas aplicada pelos portugueses ; o comportamento natural de muitos europeus com relação aos seus corpos nos campos naturistas de nudismo ; as merendas escolares nas escolas francesas ; as longas férias concedidas aos operários italianos ; o melhor sistema educacional dos finlandeses ; a maneira como foram processados e presos os banqueiros islandeses envolvidos na falência do país ; e como os noruegueses processaram sem violência o maior assassino do país, o extremista neonazista autor de mais de 80 assassinatos, sem condená-lo à morte.

Há muito sabor na surpresa quase ingênua do irônico Moore, quando lhe contam haver quatro a cinco semanas de férias pagas para os trabalhadores na Itália, sem se contar a proteção e férias dadas às mulheres grávidas e depois do parto. Nos EUA são duas semanas no máximo e nem sempre férias pagas  

Como um país tão moderno em armas destruidoras não dispõe do trem bala mas de uma rede ferroviária antiquada, apesar de ser um país de grandes  distâncias?

E com que prazer Moore participa do almoço com as crianças, numa escola francesa, boquiaberto pela refeição equilibrada oferecida às crianças. Enfim, nos países europeus existem melhores qualidades de vida e melhores condições de trabalho. Os alemães não escondem terem vivido o regime nazista e o extermínio dos judeus, enquanto os EUA ignoram o extermínio dos índios e suas guerras e invasões intoleráveis - Coréia, Vietnã, Líbano, Iraque, Afganistão, Líbia.

O objetivo meramente lucrativo da educação faz as escolas americanas serem de má qualidade, além de terem eliminado do currículo matérias ligadas à arte, consideradas desnecessárias, enquanto as universidades são um privilégio das elites, pela impossibilidade de jovens pobres pagarem as elevadas anuidades.

Rui Martins está em Berlim, convidado pelo Festival Internacional de Cinema.

 


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