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As Artes Entre as Letras

20.07.2014
 
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Foi em 1999 que "descobri" que havia no Porto um suplemento literário que saía semanalmente no diário O Primeiro de Janeiro, o Das Artes Das Letras. É que estava lançando meu primeiro livro em Portugal, o romance Barcelona Brasileira, que saiu pela editora Nova Arrancada, e precisava de alguma forma divulgar aquele lançamento.

Publicado no quinzenário As Artes Entre as Letras, do Porto:

Adelto Gonçalves em destaque 25/06/14 x Um sonho que já dura 125 edições

Foi em 1999 que "descobri" que havia no Porto um suplemento literário que saía semanalmente no diário O Primeiro de Janeiro, o Das Artes Das Letras. É que estava lançando meu primeiro livro em Portugal, o romance Barcelona Brasileira, que saiu pela editora Nova Arrancada, e precisava de alguma forma divulgar aquele lançamento. Por coincidência, à época, vivia em Oeiras, por conta de uma bolsa de pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), e quase sempre, antes de seguir para a Biblioteca Nacional de Lisboa ou para a Torre do Tombo, passava pelo Centro dos Correspondentes, na Praça dos Restauradores, pois tratava de reforçar o orçamento também com alguns textos para a Revista Época, de São Paulo.

Foi lá que dei de cara com um exemplar d' O Primeiro de Janeiro e resolvi, então, enviar um texto de divulgação do livro. Para minha surpresa, a editora do suplemento literário interessou-se por meu romance e, em vez de um texto de divulgação, publicou mesmo uma extensa entrevista, que se fez por e-mail. Desde então, sempre que pude, nunca deixei de enviar colaborações para aquele suplemento, até que uma crise financeira fez a empresa editora fechá-lo. Em novembro de 2005, por ocasião de um seminário sobre os 200 anos da morte de Bocage na Universidade do Porto, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente a sua redação.

Foi com entusiasmo que soube há cinco anos do renascimento daquele suplemento, desta vez com o título As Artes entre As Letras, por empenho quixotesco da sua antiga editora, agora diretora desta publicação, Nassalete Miranda. Afinal, aqui no Brasil não se sabe da existência de nenhuma publicação da grandeza do As Artes entre As Letras, a uma época em que se tem notícia quase diariamente do fechamento de uma banca de jornais, provavelmente porque as novas gerações já não se interessam pela palavra impressa, mas apenas pela virtual.

 

Por isso, a data de 25 de Junho não pode passar em brancas nuvens porque, afinal, marca a passagem do quinto aniversário do As Artes entre As Letras, um dos poucos elos que ajudam a manter a unidade da comunidade cultural lusófona em todo o mundo, graças à edição digital. Obviamente, não tem sido fácil chegar até aqui, mesmo porque são poucos aqueles empresários que veem numa publicação cultural um bom investimento comercial. Mas estamos certos de que esse sonho que já dura 125 edições há de durar muito. É o que esperamos de todo o coração.

 

Adelto Gonçalves, doutor em Literatura Portuguesa (USP)

 


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