Pravda.ru

Sociedade » Cultura

A canção da Ibero-América

20.03.2007
 
Pages: 12
A canção da Ibero-América

Dois anos depois de o poeta cearense Floriano Martins ter lançado Un Nuevo Continente: Antología del Surrealismo en la poesia de nuestra América (San José, Costa Rica, Ediciones Andrómeda, 2004), sai à luz outra antologia de produções de poetas ibero-americanos, desta vez sob a organização de Gustavo Pavel Égüez, com tradução de Anderson Braga Horta, Fernando Mendes Viana e José Jeronymo Rivera, todos membros da Academia de Letras do Brasil, de Brasília.

Adelto Gonçalves (*)

Dois anos depois de o poeta cearense Floriano Martins ter lançado Un Nuevo Continente: Antología del Surrealismo en la poesia de nuestra América (San José, Costa Rica, Ediciones Andrómeda, 2004), sai à luz outra antologia de produções de poetas ibero-americanos, desta vez sob a organização de Gustavo Pavel Égüez, com tradução de Anderson Braga Horta, Fernando Mendes Viana e José Jeronymo Rivera, todos membros da Academia de Letras do Brasil, de Brasília.

Trata-se da Antologia Poética Ibero-americana, lançada em Cuiabá, Mato Grosso, em edição limitada, com venda proibida, pela Asociación de Agregados Culturales Iberoamericanos (Associação de Adidos Culturais Ibero-Americanos), com o apoio do Ministério da Cultura do Brasil, da Organización de Estados Iberoamericanos (OEI), Organización del Tratado de Cooperación Amazônica (OTCA) e da Consejería de Educación de la Embajada de España.

Ao contrário da obra preparada por Floriano Martins, que teve por objetivo reunir as principais vozes do Surrealismo na América Latina, a nova Antologia Poética Ibero-americana não se limitou a extrair as melhores produções de poetas ligados a um determinado movimento, mas a traçar um panorama do que de melhor a poesia produziu nos países ligados à velha Península Ibérica, dentro do espírito que norteia a Asociación de Agregados Culturales Iberoamericanos de dar a conhecer as culturas oriundas do idioma de Miguel de Cervantes. Para tanto, cada embaixada ibero-americana acreditada em Brasília se encarregou de selecionar três poemas e três autores representativos de cada país.

O projeto só se tornou possível com o apoio do Governo do Estado de Mato Grosso, que elegeu a obra como edição comemorativa da segunda Feira do Livro Literamérica 2006, realizada em Cuiabá. Por isso mesmo, essa é uma edição bilíngüe que pretende servir de instrumento de integração para o conhecimento e divulgação dos idiomas castelhano e português, como diz na apresentação Pedro Alfonso Almario Rojas, presidente da Asociación de Agregados Culturales Iberoamericanos.

Da Argentina, que por uma questão de ordem alfabética abre a antologia, por exemplo, estão três dois maiores escritores do Rio da Prata: Jorge Luís Borges, Julio Cortazar e Alfonsina Storni. Já o Brasil está representado por Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimaraens e Augustos dos Anjos. Em nome de Portugal, aparecem Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade e Al Berto, enquanto Rafael Alberti, Francisco de Quevedo e Antonio Machado representam a poesia de Espanha.

Também estão representados Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. E, por fim, há uma homenagem à poesia produzida no Estado de Mato Grosso, com poemas de Francisco de Aquino Corrêa, José de Mesquita e Silva Freire.

De assinalar é a qualidade dos tradutores. Anderson Braga Horta (1934), poeta nascido em Carangola, Minas Gerais, encarregou-se dos poemas de El Salvador, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Uruguai e Venezuela. José Jeronymo Rivera (1933), nascido no Rio de Janeiro, ficou com os poemas da Argentina, Bolívia, Chile, Equador (exceto o de Jorge Enrique Adoum, traduzido por Fernando Mendes Viana) e Paraguai. E Fernando Mendes Viana (1933), nascido no Rio de Janeiro, ficou responsável pelos poemas da Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, Guatemala, Peru e República Dominicana. Esse foi um de seus últimos trabalhos, já que faleceu a 10 de setembro de 2006.

Como cada embaixada apontou seus eleitos e encarregou-se das notas biobibliográficas, não houve um critério de época ou de filiação poética. Assim, a antologia reúne autores do século 19 e contemporâneos. Ou ainda do século 17, no caso do espanhol Francisco de Quevedo. Não se sabe por que critério, há também poetas do Haiti, embora este país não esteja ligado à zona de influência ibérica: Rodney Saint-Éloi, Emmelie Prophète e Georges Castera, que escrevem em francês e em crioulo.

Na impossibilidade de reproduzir aqui alguns dos poemas, vamo-nos contentar com “A bala”, de um poeta nicaragüense, não o famoso Rubén Darío (1867-1916), mas Salomón de la Selva (1893-1958) na tradução de Anderson Braga Horta:

A bala que me fira

será bala com alma.

A alma dessa bala

será como seria

a canção de uma rosa

se cantassem as flores

ou o olor de um topázio

se cheirassem as pedras

ou a pele de uma música

se nos fosse possível

as cantigas tocar

desnudas com as mãos.

Se o cérebro me fere

me dirá: Eu buscava

sondar teu pensamento.

Pages: 12

Loading. Please wait...

Fotos popular