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As placas que fazem rir ou chorar

20.01.2012
 

Por PEDRO VALLS FEU ROSA
 
As placas que fazem rir ou chorar. 16292.jpegHá alguns dias vi uma interessante coletânea de placas fotografadas em diferentes locais deste nosso Brasil. Algumas delas me chamaram vivamente a atenção. Inicio por uma que trazia os seguintes dizeres: "Barracões. Alugo. Ideal para sequestros. Sem janelas. Vizinhança discreta".
 
Uma outra placa, colocada na entrada de um boteco, assim dizia: "24/12 não estará aberto. Motivo: porque estará fechado".
 
Havia também uma placa anunciando a presença de um cachorro no quintal de uma casa: "Cuidado. Cão marca fila. Brábu. Muito brábu". E outra, parecida, alertava: "Entrada proibida. Cuidado. Vaca brava. Cão bravo. Búfalo assassino. Cerca elétrica. Empregado louco".
 
Ainda na categoria dos avisos, encontrei esta: "Atensao. Aqui não é orinol". Outra trazia uma súplica: "Pelo amor de Deus não jogar gatos e cachorros. Respeite a minha idade". Havia também uma implorando: "Egüinha pocotó em volume estridente. Ninguém merece".
 
Igualmente curiosas foram as placas que traziam protestos violentos: "Peste do inferno, não amarre cavalo nesta cerca". Havia também as ameaçadoras: "Este Fusca tem dono. Si eu pegar o (impublicável) que anda amaçando ele eu vou amaçar a cara dele". Segue outra bem mais violenta: "Haverá vida após a morte? Mexa na minha moto e você saberá". E outra pior ainda: "Proibido jogar lixo. Sujeito a tiro".
 
Pior do que a ameaça de

tiro, porém, foi a mensagem que um outro cidadão colocou na entrada de seu terreno: "Estamos vigiando. Se nóis te pegar a jogar lixo aki vamos enxe seu (impublicável) com u mesmo".
 
Havia também a categoria das que ofendem brutalmente as regras de gramática. Começo por uma colocada em frente a um açougue: "Carni com Tocim 3,50. Pessa 5,00". Uma outra placa anunciava cocos: "Água de coco 100% saúde. Hidrata e rejuvelhece". Já uma terceira placa divulgava os serviços de uma oficina: "Cerviso de tratoris em motagem de motoris".
 
Na categoria de placas de trânsito, uma dizia: "você está em contra-mão de direção. O RISCO É SEU". Outra sinalização assim indicava: "Estacionamento para deficiente físico. Eventualmente usado por deficiente mental". Uma terceira alertava: "Cruzamento Perigoso. Reduza a velocidade. Use camisinha". Uma quarta assim avisava: "Por atos de vandalismo túnel sem iluminação. Reduza a velocidade e acenda os faróis".
 
Por falar em vandalismo e crimes, havia uma com os seguintes dizeres: "Atenção: eu sei quem foi o (impublicável) que me roubou o rádio e tenho uma testemunha que o vio roubar. Para ivitar problemas é favor repor o rádio no seu lugar". Outra: "Na noite de 19/8 foi roubado deste pasto 3 novilhos. Você, ladrão e cara-de-pau, foi mal-educado e mau-caráter, indivíduo sem qualidade, não merece o título de homem, deve ser chamado de rato branco ou ladrão barato".
 
Enquanto isso um desesperado colocou, na porta de sua casa, uma faixa na qual lia-se: "Ladrões, esta semana fomos assaltados 2 vezes. Gentileza aguardarem até adquirirmos novos equipamentos para esta casa". Não foi diferente a atitude dos administradores de um obra pública: "Comunicado: ilustríssimos senhores ladrões de Santana do Ipanema e região. Esta obra está parada por falta de dinheiro, mas não está abandonada. Todo o material que aqui estava já foi devidamente roubado. Solicito a gentileza de não danificar os madeirites, paredes, cadeados e fechaduras".
 
Havia também placas de protesto. Começo por uma que dizia: "Celular. Aqui não tem sinal. Nem Oi. Nem TIM. Nem Claro. Nem Escuro. Nem Vivo. Nem Morto. Operadoras, onde estão vocês? Aqui também é Brasil".
 
Finalmente, no campo da política, uma faixa dizia: "Trocamos voto por asfalto".
 
Diante de todas estas placas espalhadas pelo nosso Brasil, não posso deixar de pensar naquele pensamento filosófico segundo o qual um espírito observador vê a vida como uma comédia, e um espírito sensível como uma tragédia.
 
PEDRO VALLS FEU ROSA é desembargador-presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Sudeste do Brasil.
 
 


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